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O time bicolor desembarcou em Belém, na tarde desta quarta-feira, 11, na mesma hora de 14 anos atrás. Em 2002, o Paysandu trazia o troféu de Campeão dos Campeões e carimbava o passaporte para uma inédita Libertadores da América. A cronista que vos escreve aqui era a repórter de TV que recebeu os jogadores no aeroporto e mostrou, ao fundo, a sala de embarque internacional, dizendo: “A partir de agora, essa cena vai virar rotina. O Paysandu Sport Clube passa a ser um time internacional, desbravando a América. Que venha a Libertadores!”

Pois bem, senhores, o ciclo do campeão se repete. O Paysandu volta de Brasília trazendo o troféu da Copa Verde, no mesmo horário da volta de Fortaleza, onde conquistou a Copa dos Campeões. E mais uma vez, ganha o direito de disputar uma competição internacional. A Sul Americana não tem o mesmo glamour de uma Libertadores, mas quem liga pra isso? “Soy loco por ti, América!”, grita o torcedor bicolor, que assim como em 2002, enfrentou o sol de rachar catedrais para receber os comandados de Dado Cavalcante no aeroporto e segui-los em carros, bicicletas, a pé ou de qualquer outro jeito. A torcida que traz no escudo da camisa aqueles pezinhos com asas não liga pra distância, muito menos para a altura dos sonhos. Ela se transporta para aonde ela quer e chega onde o coração manda. Hoje, eles queriam apenas chegar à Curuzu, para reverenciar seus heróis. Mas em breve, querem chegar muito mais longe. Por que não?

O Paysandu estreia na série B no próximo sábado, 14, contra o Ceará, em Fortaleza, com um time ainda precisando de muitos retoques e peças pontuais. Mas traz um técnico que, agora sim, parece pronto para alçar vôos mais seguros, com as asinhas aladas que aparecem no escudo bicolor. Ano passado, Dado Cavalcante perdeu dois títulos em menos de duas semanas para o maior rival. Muitos grunhiam por sua demissão. Mas se você achava que ele estava derrotado, viu que os dados de Dado ainda rolaram, provando, como na música de Cazuza, que realmente o tempo não pára. O presidente Alberto Maia acreditou no dia seguinte de Dado Cavalcante. Esse dia seguinte demorou mais de um ano, mas veio. Dado conquistou dois títulos em quatro dias. Parece que o jogo virou, amigos. E a música também. A preferida do treinador bicolor é “Poder da Criação”, de João Nogueira. Parece mais uma profecia do que esperava o jovem técnico pernambucano, nesses últimos dias, em busca da afirmação. Diz assim:

“Não, ninguém faz samba só porque prefere
Força nenhuma no mundo interfere
Sobre o poder da criação
Não, não precisa se estar nem feliz nem aflito
Nem se refugiar em lugar mais bonito
Em busca da inspiração
Não, ela é uma luz que chega de repente
Com a rapidez de uma estrela cadente
E acende a mente e o coração
É, faz pensar
Que existe uma força maior que nos guia
Que está no ar
Vem no meio da noite ou no claro do dia
Chega a nos angustiar
E o poeta se deixa levar por essa magia
E um verso vem vindo e vem vindo uma melodia
E o povo começa a cantar!” ( É CAMPEÃO!!)

E é com essa força invisível, do poder da criação, que Dado Cavalcante pretende levar esse lobo novamente a se aventurar na América. No mínimo, mais de 500 mil reais estão garantidos nos cofres bicolores pela participação na primeira fase da Sul Americana. O time perdeu a invencibilidade de 25 jogos. Sim, e daí? O que fica pra história é esse título inédito, que há 3 anos batia na trave dos times paraenses. E o direito de ser novamente um clube com pose internacional, para levar, enfim, seus torcedores e seus pezinhos de asas para onde eles quiserem. Porque, afinal, como Mário Quintana um dia escreveu: “Viver é acalentar sonhos e esperanças, fazendo da fé a nossa inspiração maior. É buscar nas pequenas coisas, um grande motivo para ser feliz!” Simples assim. Como a poesia de Quintana. Como o futebol.

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21 comentários para “Um Lobo pronto para redescobrir a América”

  1. Alex Bouth

    Parabéns Syanne. Você além de retratar o momento do Paysandu em uma comparação com um passado vencedor já não tão recente, conseguiu captar o sentimento que a “Alcateia Bicolor” no momento. Talvez o caminho para a volta a Libertadores seja um pouco mais longo, como foi em 2002 para 2003, porém, se chegarmos chegaremos melhor estruturado e mais “cascudos”, utilizando um jargão do futebol. Aproveitando a deixa do poeta Sambista, lembro que outro poeta Sambista disse que sonhar não custa nada, mas que no fundo no fundo não é um sonho é um objetivo.

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  2. Luiz Guilherme

    Paysandu: pura Payxão! Bem que podia ser patrocinado pelo Red Bull. Afinal, os pés alados estão ai pra dar asas a imaginação de sua fiel torcida.

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  3. Astrogildo Barbosa

    Bravo, bravo! … Parabéns Syane, pelo belo texto, leitura perfeita deste fantástico momento alviceleste.

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  4. André Rocha

    Que belo texto, belas lembranças e que belo momento do Paysandu.
    Parabéns Syanne pela incrível profissional que és.
    Grande abraço

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  5. Claudia Torres

    Mais um texto belíssimo. Sob a visão de uma torcedora com o coração explodindo de alegria e mais ainda de uma jornalista torcedora.
    Parabéns.
    Aguardando próximo texto.

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  6. Clésio Furtado

    Que texto maravilhoso! Uma síntese do passado, uma esperança para o futuro, numa mescla de nostalgia com uma factível possibilidade. Parabéns! Arrasou!!!

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  7. Francisco Mendes

    Um dos textos mais lindos e bem escritos que já li em 37 anos de vida. Parabéns mesmo. Orgulho de ser Paysandu , orgulho de ser Paraense papa chibe, ops papa títulos do norte.

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  8. Manoel Maués

    Concordo que as circunstâncias hoje são outras,diferentes de 2002/2003,quando o Paysandu venceu a copa dos campeões e disputou a libertadores, mas as mudanças que aconteceram nesse período foram pra melhor, hoje temos mais organização dentro e fora de campo, temos uma diretoria e não donos como tínhamos na época passada, e dentro de campo, como você bem frisou, temos um comandante que apesar de sua pouca idade tem o time na mão, tem objetivo, e tenho certeza que se continuarmos caminhando dessa forma, com esses pezinhos alados vamos alçar voos muito mais altos.
    Parabéns Syanne, você foi uma das poucas pessoas que soube retratar de uma forma brilhante essa conquista do nosso PAPÂO !

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  9. Luiz Carlos Guerra

    Muito belo o seu trabalho. Acompanho-o desde quando o Paysandu estava na série A, do Brasileirão. Imagino que você amadureceu e, consequentemente, o seu trabalho. Só não entendo por que aquele cara, apresentador do meio de campo na TV Cultura, não deixa você falar. Imagino que ele deva ter algum peixe grande naquela emissora.

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  10. Jorge Barradas

    É Syane vc ta certa, somente um Clube como o Paysandu tem esse carma, muitas vezes ameaçado de extinção, mas como a ave da mitologia, Fênix, renasceu das cinzas. E como profetizou o sócio fundador, Mario Bayma de Moraes, criador do símbolo Pé alado, nosso clube alcançaria e alcançou voo mais altos que seu adversário.

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