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Paysandu x Brasil 2

 

O Paysandu já fez história nessa série B. Bateu seu recorde de vitórias fora de casa em um campeonato de pontos corridos. Já foram 6 triunfos na casa dos adversários. Em 2015, quando chegou a brigar pelo acesso, ele havia conseguido apenas 4 vitórias fora de casa.

Por outro lado, o time faz uma de suas piores campanhas em casa. Dos 11 jogos na Curuzu até aqui, o Paysandu conseguiu 4 vitórias, 4 empates, e sofreu 3 derrotas, com um aproveitamento de 48,48%. No Mangueirão, o retrospecto é ainda pior. Foram apenas 2 vitórias, 2 empates e 3 derrotas, com um pífio aproveitamento de 38,1%

Por trás dessa árida estatística, há que se refletir. O que pode justificar esse complexo de vira-lata que parece ter assolado o time bicolor nesse campeonato? O termo “complexo de vira-lata” foi criado por Nelson Rodrigues ( ave!) nos anos 50. Segundo o cronista, o brasileiro passou a ser acometido pela tal síndrome depois da derrota visceral para o Uruguai na Copa de 50. Foi ali que todo integrante da pátria de chuteiras, jogador ou torcedor, passou a duvidar de si mesmo.

E é exatamente isso que parece acontecer com o Paysandu nos jogos em Belém. Com as orelhas a meio pau, os jogadores frequentemente esquecem de aguçar os sentidos, e compensar a falta de técnica com a valentia. O resultado foi o que vimos neste último sábado, em mais uma derrota na Curuzu, dessa vez para o Brasil de Pelotas, por 3 x 2.

Mas quando se cobra garra, esse clichê óbvio ululante, é preciso tentar decifrar o ser humano que está por trás do jogador. Por trás da falha de Emerson no primeiro gol, pode estar uma falta de segurança psicológica por estar em um elenco inferior ao de outros anos. A alma do jogador bicolor parece combalida. Vide a reação de Diogo Oliveira ao ser vaiado na saída de campo, quando foi substituído, e ter tapado os ouvidos, afrontando a torcida.

Para zerar qualquer possibilidade de queda, o Paysandu precisa de mais um pontinho. O próximo jogo, nesta terça-feira, será tão duro quanto uma rapadura. Os bicolores enfrentam um Ceará que quer carimbar a ascensão à série A dentro de casa. A pressão para o time alvi-negro vencer em Fortaleza é ainda maior quando se lembra que o vovô alencarino vem de dois empates em seus domínios.

Mas como o complexo de vira lata bicolor é enxotado nos jogos longe de Belém, um bom resultado em Fortaleza não será surpreendente. A última crônica escrita por Nelson Rodrigues na qual falava sobre o complexo de vira lata foi às vésperas da estreia do Brasil na Copa de 58, conquistada pela Seleção Canarinho.

Falar sobre a síndrome da inferioridade acabou ajudando a espantar esse trauma psicológico, e o Brasil levantou sua primeira taça mundial.

Então, que o tal complexo canino seja definitivamente esquecido pelo Paysandu nesta terça-feira. Mais do que um ponto, por que não sonhar com a vitória? Seria a sétima conquistada fora de casa nesse campeonato, com o Papão pintando o 7 no novembro azul, o mês dedicado à conscientização sobre o câncer masculino. O mais eficiente dos remédios para corações em frangalhos pelas intempéries de um time que deveria ser proibido para cardíacos.

Pela saúde mental e cardiológica de seus torcedores, e pela memória do querido camarada Paulo Fonteles, bicolor de quatro asinhas, hoje no céu, que mais essa profecia se realize. Maktub!

 

 

 

2 comentários para “Pintar o 7 no Novembro Azul”

  1. Gerson Roxha

    Eu sempre tive um sonho, ver a Curuzú modernizada, com arquibancadas ampliadas, proporcionando mais capacidade e conforto aos seus torcedores, numa arquitetura que realmente pudesse inspirar um caldeirão. Mas aí, vem a realidade atual da equipe. Pra que investir num estádio onde você não consegue ser o senhor da ações. O Urangotango macho alfa de bolas azuis que manda na porra toda?

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