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30 de outubro de 2014. Se o torcedor do Paysandu entrasse hoje em uma maquina do tempo e voltasse um ano, ele estaria em lua de mel com a vida. Afinal, o Papão da Curuzu vivia o frisson pelo recente acesso à série B e tinha na figura do técnico paulista Mazola Junior, uma das maiores referências. Hoje, ele volta a Belém como adversário do Paysandu. Comanda o CRB, que está em 11º lugar, mas segundo o próprio Mazola, veio para ainda brigar pelo acesso. O treinador me recebou na manhã desta sexta-feira, 30, no hotel onde está hospedado, junto com a delegação do time alagoano. No bate papo, Mazola foi mais Mazola do que nunca. Cutucou o ex rival Clube do Remo, disse que o Paysandu hoje ainda não tem estrutura para estar na série A e que o fato de não aceitar pressão de dirigentes para escalar jogadores de empresários, o faz um técnico diferente.

Mazola elogiou a evolução na estrutura do clube, a chegada do novo ônibus, mas acha que o time ainda não está pronto para subir. Confira a entrevista.

Há exatamente um ano, você era um ídolo no Paysandu, que tinha acabado de conseguir o acesso à série B. Como é voltar hoje a Belém tendo o Paysandu como adversário e podendo ser o “responsável” pelo não acesso do time à série A, em caso de um tropeço do time em casa?

Mazola: Essa é boa… (risos) Vão botar na minha conta se isso acontecer também, é? Normal, profissionalismo acima de tudo. De falta de profissionalismo, nunca ninguém pode me acusar.

É uma situação diferente vir aqui hoje para enfrentar o Paysandu, que foi um clube que me marcou muito e eu tenho uma simbiose inacreditável com a torcida. Mas futebol é interessante, porque tem essa dinâmica toda. Uma hora você tá aqui, na outra está lá. Só que hoje eu estou  do outro lado e  muito feliz. O CRB também é um clube grande, que está  investindo no futuro. Ano que vem, vai ganhar um dos melhores centros de treinamento do país, tem um presidente muito forte, que teve uma empatia muito grande comigo. Eu espero  fazer um grande jogo em Belém, até porque a gente tem ainda objetivos no campeonato.

O CRB está em 11º lugar, praticamente sem riscos de rebaixamento e sem chances de brigar pelo acesso. Qual a motivação de vocês para esse jogo e para as  5  partidas restantes?

Mazola: Eu discordo de você. Ainda existe, sim, chance de acesso e existe, sim, chance de rebaixamento. Principalmente com o crescimento do Ceará. Mas, penso que o grande objetivo do CRB era permanecer na série B e isso, vamos conseguir. Sabemos que o acesso é muito difícil, mas a gente tem esperança de acabar o campeonato muito bem. A maioria dos jogadores vai ter o contrato encerrado agora em novembro e tá todo mundo querendo fazer bonito., buscando espaço, ou no CRB ou em outro clube.

Eu estou  muito feliz no CRB. No últimos 9 jogos, perdemos apenas um. No segundo turno, o time vem muito bem e por coincidência, consegui estabilizar a equipe  a partir daquela vitória contra o Paysandu, por 3 x 0, ainda no primeiro turno. Até então, tava muito difícil. Eu cheguei na sétima rodada e o time tava mal. A ansiedade é muito grande para esse jogo, até porque eu tenho muito carinho pela torcida bicolor e vai ser meu reencontro com ela.

Você tem acompanhado os jogos do Paysandu? O que está achando do time?

Mazola: Procurei assistir aos  últimos 4, 5 jogos e também me informei sobre a equipe. Penso que o Paysandu tá dentro do seu objetivo, fazendo um campeonato muito bom. É difícil pra uma equipe que acaba de subir, almejar alguma coisa a mais. Acho que o campeonato do Paysandu tá feito e eles vão ter mais um ano para aprimorar as condições de trabalho. Para que, aí sim, se consolide em uma condição de subir para a série A, que é o lugar onde o Paysandu merece estar.Mas subir, com consistência e não subir pra cair.

Em relação ao time, ele é muito bem treinado pelo Dado. Tem 2 laterais fortíssimos na parte ofensiva, um goleiro muito bom, que inclusive foi indicação minha ao Paysandu. Ele já era pra ter vindo no ano passado comigo, trabalhamos juntos no Cuiabá.

Você acha que o Paysandu se acomodou em campo depois que conseguiu garantir a permanência na série B?

Mazola:  É muito difícil para quem está longe, como eu, detectar algum problema interno. Mas ainda dá tempo de uma reviravolta e de um final feliz. Tem jogadores muito experientes no grupo para isso.

A sua saída do Paysandu, no ano passado, foi marcada por informações desencontradas sobre os valores envolvendo a sua possível renovação de contrato. Alguns torcedores chegaram a lhe acusar de mercenário por você ter pedido um salário maior do que a diretoria queria pagar. Como você lidou com isso?

Mazola: Essa é a minha grande mágoa. A minha não permanência no Paysandu, onde eu tinha todo um projeto para o clube nessa série B não foi tão sentida quanto eu ter passado por isso, por esse tipo de julgamento. A forma como as coisas foram colocadas, como denegriram a minha imagem, me deixou muito chateado. Tenho certeza que o torcedor consciente entendeu tudo o que aconteceu. Eu queria a valorização do meu trabalho e da minha comissão técnica. Não houve um acordo financeiro e eu não senti  apoio, por parte da diretoria de futebol, para que eu continuasse com a saída do Vandick. Então foi simples o que aconteceu, O que acontece em qualquer clube, dentro de uma relação profissional. Da forma como justificaram a minha não permanência, me magoou bastante. Por tudo o que eu fiz no Paysandu. Por tudo o que nós fizemos, eu e minha comissão técnica. Mas, vida que segue. Eu tô muito feliz em Maceió, minha família toda tá lá, até meu cachorro está. As condições são muito boas e eu tenho um salário muito parecido com o que eu mereço. Ao contrário do que muita gente andou falando, um monte de bobagens, um monte de inverdades.

Tudo passa. Assim como sou explosivo, não guardo mágoa de ninguém. O mais importante hoje é que eu e o Paysandu estamos na série B e fazendo um campeonato muito bom.

Você aceitaria um possível convite para treinar um  outro clube do Pará?

Mazola: Difícil, viu, muito difícil. Treinar “o outro lado da avenida” (risos) é muito difícil. Não me vejo lá. Até o nosso treinamento de hoje a tarde, eu pedi para que não fosse no Remo. É um lugar onde eu tenho certeza que não vou me sentir bem.

A sua passagem pelo Paysandu, além do acesso, foi marcada também por declarações polêmicas. Você se arrepende de algo que falou?

Mazola: De nada. Fui autêntico, falei o que eu sentia. Sempre fui assim, falo o que penso, eu não penso pra falar.

Tenho um comportamento diferente da linha de conduta da maioria dos técnicos no Brasil. Então, quando você se posiciona de maneira contrária ao poder, todo mundo acha que é polêmica. Não é polêmica, eu nunca falei nenhuma mentira.

O mercado de trabalho hoje no futebol recebe uma influência muito grande dos grupos de investimentos e isso não tá errado, a lei permite isso. Só que eles acabam tomando conta dos clubes. Existe uma pressão muito grande para escalar jogadores. Mas ainda bem que, felizmente, no Paysandu e no CRB agora, não tive esse problema.

Os jogadores gostam muito de mim por isso. Não existe influência externa nenhuma para que eu escale jogador A ou jogador B.Comigo é dentro de campo que as coisas se resolvem.

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Poderia escrever sobre muitas coisas nessa nova fase do blog, com mais um patrocinador. Queria falar sobre Eduardo Ramos e a polêmica questão: mito ou não? Por que afinal a torcida bicolor não aceita que ele faz a diferença? Porque, simplesmente, a ausência de um camisa 10 de respeito faz atualmente a maioria da torcida do Paysandu sofrer com o tal “complexo de vira latas”, enquanto do outro lado Eduardo Ramos carrega o acesso azulino nas costas, com o mesmo número 10 na camisa. A importância de ER10 do outro lado, portanto, faz muita ferida na corte alvi-azul. Por mais que doa muito admitir. Mas não, não, não me joguem pedras, torcida bicolor! Quero falar de coisa boa. Portanto, vou deixar o assunto Eduardo Ramos para outra oportunidade, quando as duas torcidas estiverem de bem com a vida. Quem sabe quando o Remo for campeão e o Paysandu conseguir o acesso (sim, eu ainda acredito)

Quero falar sobre um tema mais pertinente do que nunca: a violência contra a mulher. Foi tema de redação no Enem, depois de uma semana em que o machismo da sociedade brasileira gritou mais alto do que uma torcida reclamando pênati em uma decisão. Uma menina de 13 anos, participante de um programa de culinária na TV, foi vítima de pedofilia asquerosa nas redes sociais e o Congresso Nacional (sempre ele) acha que pode legitimar uma mulher a ter um filho de um estuprador. O tema da redação não tem partido. É uma questão de cabeças pensantes.  Mas, infelizmente, revelou um Brasil doente de ideias. Muita gente esperneou. Muita gente achou que discutir a questão é ideologia. Esses, não devem respeitar nem a mãe.

Em meio a esse terreno movediço, levanto a mão e digo: alto lá, ainda temos o que comemorar e o que é melhor, nos estádios! Como invasora oficial do Clube do  Bolinha do futebol paraense, primeira mulher a ir aos estádios para trabalhar na cobertura do futebol, eu vos digo: os ogros estão virando minoria no futebol. Quando comecei na crônica esportiva, qualquer mulher vista nos estádios era recebida com o repugnante coro de “bu….”

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Não era fácil, amigos! Mas aos poucos, as luluzinhas foram ocupando seus espaços nas arquibancadas e nas redações de TV, jornal e até rádio esportivas. A macharada foi se acostumando com a presença cada vez maior das mulheres no mundo do fuebol e hoje, os gracejos continuam, mas agora em frequência bem menor. Viramos parceiras na Draft do lado de fora do estádio e cúmplices nos comentários sobre o jogo, lá dentro.

E às mulheres que ainda se sentem incomodadas com o assédio nos estádios, eu aconselho a vestir a camisa do seu time e ir! O Paysandu precisa de você no sábado. O Remo, idem, no domingo. Vá ao Mangueirão, sem preocupação. E volte a ler este blog, sem moderação! Quanto à polêmica sobre a qualidade de Eduardo Ramos, a gente abre uma cerveja Gold qualquer dia desses para conversar. Tim tim!

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cacaio

O Remo hoje é a antítese de uma célebre frase de Nelson Rodrigues. O maior cronista esportivo de todos os tempos dizia que “não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos”. Que me desculpe o Mestre, mas ele partiu antes de conhecer um homem chamado João Carlos dos Santos Amaral. João é o técnico Cacaio. O comandante que é puro coração, pura intuição. O grande nome do acesso azulino à série C. Aquele que transformou um time desacreditado, com salários atrasados, em uma cooperativa de bravos revolucionários.

Desde a dupla classificação, pelo Parazão e Copa Verde, em cima do maior rival, o Remo de Cacaio parte pra cima da bola como quem vai atrás de um prato de comida. Depois da vitória de 3 x 1 em cima do Operário, o Mangueirão virou uma selva de mais de 33 mil leões ensandecidos comemorando o acesso. Enquanto isso, o técnico declarava, docemente, aos microfones, que iria doar seu salário em cestas básicas a quem precisa, como pagamento da promessa que fez pelo acesso conquistado. Nada mais Cacaio do que esse gesto.

Nada mais Cacaio, também, do que a transformação de Eduardo Ramos e Levy nesses últimos jogos. Exemplos de superação. Eduardo Ramos, aquele mesmo que foi ridicularizado enquanto vestia a mítica camisa 33 e que hoje virou um mito real, carregando nas costas a clássica camisa 10. Levy, o lateral que foi entortado pelo driblador rival, em uma partida do Parazão, e que no jogo decisivo desse domingo incorporou um touro em fúria. Até sair expulso, por abusar das provocações. Faz parte da catarse.

A humildade, a eficiência, a estrela, o carisma de Cacaio, o transformaram em unanimidade. É, Nelson Rodrigues, mais uma vez vou discordar de você. No futebol paraense, a unanimidade não tem nada de burra e atende pelo nome de Cacaio.

Me coloco no lugar do torcedor bicolor que hoje, no mínimo, respeita o técnico azulino. Cacaio desperta no torcedor do Paysandu uma overdose de sentimentos. O técnico que hoje carrega a honra de herói remista foi o maior símbolo do primeiro título nacional do Paysandu, em 1991.

Quem o viu trotar, aos vinte e poucos anos de idade, treinando com a camisa alviazul, na Curuzu, não esquece. Cacaio era uma força da natureza, um puro sangue majestoso. Era mais forte e veloz do que qualquer mocinho de cowboy, a encarnação de Umbabaraúma, ponta de lança africano, cantado por Jorge Benjor.

Carregava a bola em velocidade, se desmarcava com facilidade, lia o jogo e previa onde a bola estaria. Arrisco dizer que ele antecipou em alguns anos o estilo de atacante moderno que Ronaldo Fenômeno patentearia na Espanha.

Em campos pesados, no calor amazônico, Cacaio conheceu o céu e o inferno. De herói bicolor, em 1991, virou anti-herói com a transferência polêmica para o arquirrival, em 92. Aprendeu a amar e ser amado pelas duas maiores torcidas do Estado. E pra vencer na dupla Re x Pa é preciso ter caráter. Um Napoleão Bonaparte talvez não aguentasse a pressão de jornalistas, torcida, diretoria e – o que é pior – a desvantagem financeira de fazer milagres com a grana curta, trabalhar com o que se tem e, ainda assim, multiplicar o moral da equipe.

Cacaio é hoje o maior vencedor da dupla Re x Pa

Por mais que a torcida bicolor não engula, tripudie, morda os lábios com a ira dos ressentidos, o acesso do Remo vai fazer bem ao futebol paraense. Quanto mais degraus separarem os dois rivais, maior poderá ser o tombo do derrotado. Quanto mais o outro crescer, menores serão as chances de o Paysandu ser contagiado pela soberba que cega e paralisa.

E a vida segue, agora bem mais fácil para o torcedor azulino. Segue aqui em baixo, do jeito que o Mudinho sonhou antes de partir. Segue lá em cima, com ele convencendo o time celestial, com seus gestos frenéticos, que o Remo tem um trunfo decisivo para ser o campeão da série D. Na negociação com a cúpula divina, o funcionário azulino, surdo-mudo de nascença e que faleceu mês passado, lembra a eles, com as mãos, a inicial do nome do trunfo. Faz o C de Cacaio.

O C de coração da série C.

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Amigos, o domingo foi de festa no céu. Escondidinho entre as nuvens, Nelson Rodrigues, o cronista que me ensinou a começar textos com a saudação “amigos”, comemora 103 anos de vida. Sim, porque gênios não morrem. Se eternizam em suas obras e, no caso de Nelson, especialmente em suas frases. Pois então amigos, me agarro despudoradamente à uma frase de Nelson Rodrigues, para afirmar: Quem não foi ao Engenhão, para ver o Botafogo x Paysandu, não viveu! Tudo bem, não foi preciso estar lá. Bastou assistir pela TV, para uma cronista moribunda como eu nos últimos tempos, ressuscitar a vontade de escrever.

O Botafogo x Paysandu deste domingo foi um dos melhores jogos dessa série B. Talvez porque o alvi negro carioca e o bicolor paraense se assemelhem em espírito. Dois clubes com a vocação da passionalidade e da calamidade. Durante muito tempo, carreguei comigo uma certeza: tem coisas que só acontecem ao Paysandu. Dramática como uma viúva italiana, acreditava que o papão era sempre uma vítima do destino e não dos seus próprios erros. Armando Nogueira também dizia o mesmo de seu Botafogo. ”Tem coisas que só acontecem com o Botafogo…” E o encontro desses dois times, portanto, nunca será uma partida comum, lógica. Vejamos. O Botafogo começou melhor, perdeu varias chances de gol, algumas por conta da excelente fase do goleiro Emerson. Mas nas duas únicas vezes em que o Paysandu foi pro ataque, marcou dois gols e terminou o primeiro tempo com a certeza de que “jogar bem” é só um detalhe. Coisas que só acontecem com o Botafogo? Não, amigos. Coisas que só acontecem com o Paysandu. Coisas que só o futebol nos proporciona. No primeiro jogo entre os dois times, na estréia da série B, em Belém, O Paysandu teve um gol legítimo anulado pelo árbitro. Dessa vez, foi o Botafogo a vítima de um erro do apito, em um lance já nos acréscimos. A vida como ela é!

Queria ser uma mosquinha celestial para ouvir o papo lá em cima entre o tricolor Nelson Rodrigues e o botafoguense Armando Nogueira sobre esse jogo. Armando, certamente, iria coroar o menino Pikachu como o novo “Rei do Rio” O menino da lapada certeira com os pés já fez gol no Macaé, Botafogo e Fluminense. Esse último, em uma cobrança de falta que parecia ajeitada com as mãos, como o Maracanã merece. Nelson usaria mais uma de suas frases para explicar a bravura do time paraense: O Paysandu soltou os “cães de sua ira” contra o Botafogo. Durante a semana que antecedeu ao jogo, alguns abutres das redes sociais, esses seres que esbravejam tolices sem medir as consequências, chamaram o Paysandu de “time de índios”, em declarações escancaradamente xenofóbicas.

Sim, o Paysandu é um time com alguns índios. Paraenses com a ascendência indígena, com a alma de guerreiros Kayapós. E o Paysandu tem hoje, principalmente, um jovem índio que encanta o Brasil. Um curumim, como se chamam os índios crianças, que tem um futuro lindo pela frente. Em breve, muito breve, Yago Pikachu, vai deixar de ser apenas o Rei do Rio para conquistar outras tribos por esse Brasil. Com a alma em festa por Nelson Rodrigues, por uma partida inesquecível e pelo talento do paraense Pikachu, eu invoco Caetano para anunciar : “um índio descerá de uma estrela colorida, brilhante. De uma estrela que virá  numa velocidade estonteante…”

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Por Bruno Guedes/Carta Capital

 

“Você gosta de futebol? É apaixonado pelo seu time? Então, certamente já se pegou praguejando contra um comentarista esportivo, não é? A cada crítica ou elogio ao rival, a maioria dos torcedores decreta que existe uma perseguição, ou então que ele odeia o clube que você ama – provavelmente, por se tratar de um seguidor do maior rival. Calma, torcedor, não é bem assim.

As redes sociais deram voz a milhares de insatisfeitos, que já se queixavam de jornalistas que atuavam em rádios e emissoras de TV, mas que tinham mais dificuldades para se manifestar. De uns tempos para cá, a queixa sequer precisa passar por empresas, são dirigidas direto ao alvo da vez. Há quem já tenha sido acusado de torcer para todas as equipes ou odiar todas. Às vezes, tudo isso no mesmo dia.

Particularmente, tenho vivido um pouco dessa experiência como blogueiro do ESPN FC. Escrevo sobre o Vasco e fui escolhido para esta missão justamente por ser cruz-maltino declarado. Em meio à divisão política que vive o clube, qualquer crítica que faço recebe como resposta que eu não sou vascaíno, ou que odeio o clube. Enquanto isso, para outros torcedores, não posso falar de equipe que não seja o de São Januário, por falta de “conhecimento de causa”, ou algo parecido.

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Entendo que o torcedor seja movido pela paixão, e que isso faz ele esperar que seu time de coração esteja sempre no Olimpo, acima de qualquer crítica, a não ser a dele, é claro. O comentarista, no entanto, sempre buscará jogar com a razão e, por isso, muitas vezes preferirá apontar as coisas erradas, aquelas em que acredita poder contribuir para melhorar.

Não é preciso odiar um jornalista, mesmo que ele afirme que o clube que você torce irá perder, que diga que o presidente por você admirado é um incompetente, ou que o maior rival tem mais chances de ser campeão. A visão dele é só mais uma de muitas girando em torno do futebol, e é preciso respeitá-la. Não, o profissional não odeia seu time, esqueça a mania de perseguição e curta sua paixão, enquanto ele curte a dele, que é falar do esporte pelo qual vocês dois são apaixonados.”

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Não se ofenda com a imagem acima. Nem com a atrevida hipérbole no título. Não se trata de um desrespeito a um símbolo nacional, que é o escudo do Brasil. Muito menos afirmei que o Paysandu é a pátria de chuteiras paraense. Atentem para o “páytria” com Y, denominando a PaYxão de quem é PaYsandu. Um sentimento que vem embriagando metade da população paraense que curte futebol no Pará. Usei a imagem e o título para traduzir o sentimento do torcedor do Paysandu, vice líder da série B, neste momento. No mesmo instante em que o time do técnico Dunga entrava no gramado em Concépcion, no último sábado, a torcida do Paysandu estava mesmo era ligada em dois jogos fundamentais para a pontuação do time na tabela. Mas deu tudo certo para o time paraense. Em Macaé, a equipe da casa quebrou as pernas do último invicto do campeonato. O Botafogo caiu por 4 x 2 e deixou o caminho livre para o Paysandu alcançar a liderança da série B nessa terça-feira, 30, na abertura da décima rodada, contra o Atlético Goianiense, no Mangueirão. No outro jogo, que dividiu a atenção do torcedor bicolor, ABC x Náutico empataram em 3 x 3. O time potiguar continua sem vencer dentro de casa, mas impediu o Náutico de passar a rasteira no Paysandu e ficar com a vice liderança.

Enquanto o time do anão orelhudo da Branca de Neve sofria perrengues durante o jogo com o Paraguai, muita gente vestida de azul e branco  urrava de felicidade nas mídias sociais. Na empolgação delirante do torcedor do Paysandu, que não sabe o que é derrota há 8  jogos ( incluindo um, pela Copa do Brasil) o Pikachu já merecia uma chance com a amarelinha e o meia Carlinhos, que marcou o gol da vitória no último jogo do Paysandu, contra o Vitória, aos 51 minutos do segundo tempo, seria o jogador canhoto que, ao contrário de Douglas Costa e Éverton Ribeiro, estaria com a pata esquerda calibrada na cobrança de pênaltis.

O bom trabalho do técnico pernambucano Dado Cavalcanti já começa a chamar atenção. Goiás e Chapecoense namoram o treinador, mas Dado quer ficar no Paysandu. Os salários dele e do time estão sendo pagos em dia e o plantel ainda conta com a motivação de uma premiação por metas de pontos conquistados. Com dinheiro e amor, de uma torcida apayxonada e feliz, quem precisa de mais?

O maior adversário do Paysandu no jogo que pode lhe dar a liderança da série B nessa terça-feira é a própria empolgação. Até esse domingo, quase 20 mil ingressos já haviam sido vendidos. O otimismo desenfreado pode levar à soberba ou, como diria o cronista Nelson Rodrigues, “antecede às grandes derrotas” Mas longe, muito longe de querer vuduzar as pretensões bicolores, arrisco dizendo que a liderança do Paysandu é questão de horas. E mais uma vez citando Nelson Rodrigues, eu vos digo que, se os fatos desmentirem essa profecia, pior para os fatos!

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