Hoje, meu salto alto é um Louboutin, um dos sapatos mais famosos na Europa e no mundo,  para apresentar a vocês o  Mauro Tavernard. Louco por futebol como eu, como você, ele largou um início promissor no jornalismo esportivo de Belém para realizar o sonho de conhecer os maiores estádios do mundo.Hoje, mora em Dublin, Irlanda, e de vez em quando vai aparecer aqui no blog para contar suas histórias pelas arenas européias. Os relatos são deliciosos e dão uma vontade danada de jogar uma mochila nas costas e partir por esse mundo da bola. Fala aí, Mauro!

 

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“Quando somos crianças, temos vários sonhos em mente, mesmo que não façam sentido. Uns querem ser astronautas, outros, muito ricos. Mas eu tinha uma meta bem mais modesta: conhecer todos os estádios que pudesse na Europa. Não sabia como e nem quando, mas eu tinha certeza que isso iria acontecer. A minha paixão por futebol começou bem antes de eu assistir à minha primeira partida dentro de um estádio, com a minha coleção da revista Placar, que eu tenho até hoje, guardada com carinho na minha casa de Belém. O prazer com a leitura, vendo jogos pela tv e, posteriormente, comparecendo nas arquibancadas paraenses, eram, até aquele momento, as maiores emoções que um então pré-adolescente poderia sentir.

 

Compensava até o fato de eu ser um perna-de-pau daqueles que sempre isolava bola pra casa do vizinho. Eu passei desde então vários anos indo para todos os jogos que pudesse, e mesmo sendo remista, ia igualmente para jogos do Paysandu, seja na gloriosa campanha da Libertadores ou contra o Cametá, domingo de manhã pelo Parazão. A paixão pelo ofício de jornalista esportivo sempre esteve dentro de mim, assim como a vocação para tal, mas as inseguranças em relação ao meu futuro fizeram eu optar pelo curso de Direito na faculdade. Depois de dois anos, eu simplesmente segui o caminho que sempre foi meu, larguei o mundo dos engravatados e comecei a cursar jornalismo. O curso em si era bom, fiz alguns colegas mas o meu foco mesmo era o esporte. Por isso costumo dizer que não sou jornalista, sou do ESPORTE.

 

Futebol sempre em primeiro lugar, mas também esporte amador, MMA, peteca ou qualquer coisa que seja considerada prática esportiva. Tive a sorte de mesmo não tendo contatos, começar meu primeiro estágio no caderno Bola, do Diário do Pará, e depois tive outras experiências como repórter no jornal Liberal, produtor de esportes na Tv Record e um curto período como assessor de imprensa do Clube do Remo. Os anos de 2010 e início de 2013 foram mágicos para mim, e várias pessoas legais passaram pela minha vida, principalmente editores, que sempre me apoiavam e publicavam quase tudo que eu escrevia. Mas ainda precisava resolver problemas internos e cometi vários erros fora do ambiente de trabalho que me fizeram optar por sempre mudar de um lugar para o outro, até chegar ao  ponto de não ter mais para onde ir.

 

Foram tempos difíceis para mim, mas eu tinha a certeza de uma coisa: ainda não estava pronto. Precisava achar, dentro de mim, soluções para meus problemas pessoas e,sobretudo, me qualificar. Consegui resultados em outra área (indústria de alimentos), e investi quase tudo que tinha no intercambio pela América do Sul ano passado e, desta vez, em Dublin, Irlanda, onde moro atualmente. Escolhi esse lugar pela facilidade de conseguir visto de estudante (com permanência de até três anos) e sobretudo pela proximidade com os grandes jogos do futebol europeu.

 

Este espaço foi criado para você, apaixonado por futebol, e que mesmo não sendo louco como eu, tem com o esporte uma relação intima toda semana para sorrir, chorar ou simplesmente relaxar tomando uma cerveja com os amigos. Escolhi este blog pelo grande número de leitores do nenodesaltoalto.com, assim como pelo prestígio da blogueira, que vai bem na tv e na escrita, ainda não vi nenhuma igual. Os posts podem acontecer semanalmente ou de acordo com os jogos que conseguir assistir. Espero que gostem das matérias. Enjoy!” ( por Mauro Tavernard)

 

MEU PRIMEIRO JOGO PELA PREMIER  LEAGUE ( por Mauro Tavernard)

 

Jogo: Everton 3 x 1 Chelsea
Estádio: Goodison Park

Público: 39.898 (99% de ocupação)

Cidade: Liverpool (Inglaterra)

moeda local: Libra Esterlina

Data: 12 de setembro de 2015

Temperatura: 12 graus (céu aberto)

Preço do ingresso: 42 libras

Escalação:

Everton: Howard; Coleman (Funnes Mori), Stones, Jagielka e Galloway; Mccartney, Barry, Besic (Naismith) e Barkley; Koné (Lennon) e Lukaku. Técnico:Roberto Martinez

Chelsea: Begovic; Ivanovic, Zouma, Terry e Azpilicueta; Mikel (Kenedy), Matic, Pedro (Falcao) e Fabregas (Willian); Hazard e Diego Costa.

Técnico: José Mourinho

Gols: Naismith (everton) 3; Matic (Chelsea) 1

Foram anos de espera, que só fizeram aumentar a expectativa para o grande dia: minha primeira partida,dentro de um estádio, para assistir à  Everton x Chelsea, pela primeira divisão do campeonato inglês. A Premier League é atualmente o torneio mais rentável do planeta, com cotas televisivas altas e clubes com poder de compra. Na temporada 2015-2016, os clubes menores se reforçaram melhor, e estão mais competitivos em relação aos clubes “top4”. Mas eu não pensei em nada disso quando pisei pela primeira vez no John Lennon International Airport, dois dias antes do confronto. A terra dos Beatles possui atmosfera única, com o perdão do clichê, mas parece outro país se comparado com a sisuda, barulheta e super movimentada Londres.

 

Liverpool lhe transmite uma paz instantanea e os seus simpaticos habitantes fazem você se sentir em casa, mesmo que seja apenas por alguns instantes. Minhas expectativas de uma vida inteira para meu primeiro grande jogo na Europa ficaram no modo “stand by”, e eu pude curtir, como betlemaniaco, a tarde inteira do dia 11 (um dia antes da partida) conhecendo os  pontos turísticos mais famosos, como o Cavern Club, Penny Lane e a casa do John Lennon. Tudo ótimo, mas logo que cheguei no hotel, ainda com os sons de um pub de rock anos 60 e algumas Heinekens na cabeça, veio de novo toda a ansiedade para, de fato, chegar o grande dia. Mas havia um último impecilho: faltou conhecer a casa do Paul Mccartney, e o passeio já estava pago (salgadíssimas 15 libras), com o detalhe de terminar às 12h30, e o jogo, do outro lado da cidade, começar às 12h45.

 

Mesmo assim, topei o desafio, consegui um taxi na correria, e com o relógio marcando 12h40, eu não tava nem aí para ficar adimirando a cidade e só sabia falar pro taxista “go fast, go fast”. Cheguei no imponente Goodison Park, lar dos Blues de Liverpool (Everton) com 5 minutos de atraso e, claro, nenhuma fila. Comprei meu bilhete online por 42 libras no próprio site do clube dias antes, e fui informado pelos seguranças a trocar meu e-ticket pelo ingresso original. Cheguei lá e, para minha surpresa, um senhor careca me deu um envelope lacrado com meu nome e as entradas, fato que eu nunca tinha presenciado até então.

 

Logo em seguida, procurando meu “main stand”, notei duas coisas. A primeira é sobre a acústica do estádio: do lado de fora quase não se ouvia uma voz do estádio, e nem parecia dia de jogo. A segunda é sobre a arquitetura do Goodison, um dos estádios mais antigos da Europa, mas que modernizou-se e tornou-se um dos estádios mais bonitos, com a inauguração oficial datada de 1892, mantendo algumas características do original. Chegando no meu lugar, e como já esperava, meu assento estava vazio, e não tinha outro espaço vazio até onde minha visão podia alcançar. Sentei tranquilamente, municiado com a “Pint”, como os ingleses chamam copos de cerveja de 500 ml, da patrocinadora do clube, a thailandesa Chang.

 

Depois de pagar 6 libras por uma breja e uma torta de frango – deliciosa por sinal -, eu simplesmente despluguei e parei de tentar converter esse valor em real (uma libra equivalia mais de sei reais na ocasião), ou como diabos eu voltaria para casa sem me preocupar em quanto a corrida do taxi ia sair. Por alguns minutos eu ignorei o grito da torcida, a adimiração pelo estádio ou simplesmente a felicidade de estar ali. Eu estava numa partida particular em que só haviam eu e os 22 jogadores em campo, com algumas espiadelas quando Mourinho saía do banco de suplentes. Foi o momento de simplesmente curtir a partida em si, sem se preocupar com absolutamente nada em troca. Fabregas, o badalado Hazard, John Terry, e Diego Costa tiveram uma tarde apagada.

 

De alguma forma, o campeão da temporada passada não é mais o mesmo, ainda que o elenco seja identico ao título de 2014-2015, e permanece sem rumo há poucas rodadas do fim do primeiro turno. Eu escolhi o Goodison Park em detrimento do imponente Anfield Road, casa do Liverpool FC não apenas pela diferença absurda no preço dos ingressos (só com cambista pelo lado dos reds), mas por que me identifico mais com o Everton e, sem dúvida, queria ver em ação os Blues de Londres. Mas no meu mini-transe eu reparei em vários momentos no goleiro reserva do Chelsea, o sérvio Begovic, que substituiu o lesionado Courtois. Ele não teve culpa em nenhum dos 3 gols do Everton. Talvez algum destes fosse defensável, mas nem Courtois nem Buffon na juventude pararia os “scouses” nesta tarde de sol na cidade, algo raro por lá – chove a maior parte do tempo. Se fosse para dar uma nota para a equipe londrina por atuações individuais, nenhum jogador passaria de 4 numa escala de 1 à 10.

 

Simplesmente horrorosa atuação dos comandados de Mourinho. Jogaram como equipe pequena, acovardada, com medo. Parecia até que eles queriam entregar em algumas bolas, pra fritar o técnico, mas o fato é que a tarde foi mesmo do escocês Steven Nasmith, que marcou os três gols da partida depois de ter saído do banco de reservas para substituir o lesionado Besic, aos nove do primeiro tempo. Ele fez gol de tudo que é jeito, de fora da área, de cabeça e aproveitando uma bela jogada central do craque do time Barkley. Matic descontou para o Chelsea no segundo tempo, com um belo chute de longa distância, num dos únicos lances de perigo dos campeões. Mesmo com a frustração de ver o clube da capital numa tarde pífia, com Hazard com a cabeça longe da partida e Terry passando vergonha, vi bons valores no time de Liverpool, e reconheci o bom estrategista que é o técnico Roberto Martinez.

 

Com uma postura agressiva desde os primeiros minutos, Martinez colocou o time pra frente, com o astro Barkley, número 20, sendo um verdadeiro maestro da antigas e distribuindo o jogo, com quase todas as jogadas ofensivas passando por ele. O goleiro Tim Howard, que está prestes a se aposentar, impoe respeito e é um dos grandes goleiros da Premier League. Os volantes Mccartney e Gareth Berry são muito seguros e não deixaram passar nada nesta partida. O atacante Lukaku não foi tão bem, mas é um dos valores desse time. Meu diagnóstico final é que o Everton tem bons jogadores, mas carece de um elenco superior para aguentar a série exaustiva de jogos da temporada inglesa, e o Chelsea já dava adeus à disputa do título naquela partida, e eu sinceramente não sei por que o Mourinho ainda não foi demitido.

 

Tá na cara que os jogadores não apoiam mais o “special one” e é questão de tempo essa parceria acabar, tendo em vista que o português jamais passou mais de 3 anos em qualquer clube – este já é o terceiro ano de Big Mou nos Blues. Durante o jogo, reparei em algo que se repetiu em todos os jogos que fui posteriormente e provavelmente será uma constante daqui pra frente, sobre o comportamento dos torcedores. A impressão que dá é que todos ali estão nas arquibancadas e passarem bons momentos, nada mais que isso, e o resultado não tem tanta importância quanto para nós brasileiros. Os torcedores simplesmente batem palma com bons lances, cantam uma música ou outra, quando sai gol é entoada uma música animada e só. Sempre vão existir os torcedores do “amedoim”, que passam o tempo inteiro enchendo o saco e falando alto, mas no geral são educados – até demais. O silencio em alguns lances é assustador, vocês ouve até o barulho da bola e dos jogadores. É um choque de realidade que eu já estou me acostumando, mas eu prefiro tirar as coisas boas disso, como segurança, poder beber cerva sossegado no estádio (algo que eu não fazia há dez anos pelo menos) e não ter nínguem maluco pra bloquear sua visão. Aliás, no meu ingresso constava “obstructed view”, e eu estava com receio de que ficasse de frente para uma pilastra e isso prejudicasse minha visão do jogo, mas não aconteceu nada disso. Fiquei longe dos chamados pontos cegos e não tive problemas com isso. Mas meu conselho para quem ver no ingresso algo assim é se certificar antes de comprar, por que realmente vi lugares muito ruins lá, onde você perde até 50% da visão da partida.

 

Saindo do estádio, me senti muito seguro e cogitei a ideia de andar cerca de 6km na volta para o hotel. O clima era agradável (cerca de 11 graus) e resolvi curtir um pouquinho a cidade, mas antes dei um “rolê” em volta do Goodison e pude acompanhar os típicos torcedores ingleses voltando para casa, num clima de tranquilidade e harmonia. Não há qualquer sinal dos hooligans, torcedores encrenqueiros do futebol inglês. Ao que parece, eles foram extintos dos principais clubes da Premier League e nem policial eu não vi muito policial do lado de fora.

 

Deu para curtir mais um pouquinho meus últimos momentos em Liverpool, apreciar a estátua do ex-jogador Dixie Dean, que até hoje é coroado com flores dos torcedores e a parede contendo nomes de pessoas ilustres que passaram pelo clube, seja torcedores, dirigentes e jogadores. No caminho da volta, passei pelo mítico Anfield Road, que fica muito perto do Goodison, e não vi nenhum tipo de problema. Inclusive, num parque ao lado do estádio do Everton vi pai e filho com a camisa do Liverpool jogando bola tranquilamente enquanto torcedores adversários passavam tranquilamente, sem nem notá-los. São coisas simples de serem conseguidas aparentemente, mas que demandam tempo para evoluirem, como a extinção dos arruaceiros das arenas. Na volta para Dublin, Irlanda, cidade em que resido atualmente, fiquei com uma vontade tremenda, porém irreal, de virar sócio do Everton e comprar o carnê para a temporada, para curtir essa sensação maravilhosa o ano inteiro, mas me contentei com a possibilidade de conhecer outros estádios pela Europa. E muitas outras “aventuras” serão reportadas neste blog, nesta minha parceria com a jornalista Syanne Neno. Espero encontra-los novamente neste cyber-espaço com frequência. Mas informações sobre mim no perfil (Link).

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Durante entrevista coletiva concedida à Imprensa, no final da manhã desta terça-feira, 1 de dezembro, o Presidente do Paysandu, Alberto Maia, apresentou o novo executivo de futebol do Clube, Alex Brasil, contratado junto ao Londrina-PR, anunciou a renovação de contrato do atacante Betinho, dos zagueiros Lombardi, Pablo e Gualberto entre outros jogadores, e a disposição do Clube em emprestar o meia Djalma e o atacante Leandro Carvalho para o futebol paulista. Mas o que chamou atenção de todos foi o anúncio da contratação do meia Vélber, hoje com 37 anos. O paraense Vélber começou na Tuna, foi para o Remo e chegou ao Paysandu em 2002. Neste ano, começou a ajudar a escrever os capítulos mais gloriosos da História do Paysandu Sport Club. Foi campeão paraense, Campeão da Copa Norte e Campeão dos Campeões. Esteve no landário jogo da Bombonera, quando o Papão venceu o Boca Juniors por 1 x 0. Vélber figurou, ao lado de Vânderson, Sandro, Iarley e Robgol de uma das equipes mais brilhantes do Paysandu. Em 2004, o meia foi emprestado ao São Paulo. Começou como titular, mas foi perdendo espaço no time comandado pelo então técnico Cuca e que tinha no goleiro Rogério Ceni, um suposto desafeto do meia paraense.
Depois do São Paulo, vèlber foi pra Ponte Preta. Passou ainda pelo Fortaleza e em 2009, voltou a vestir a camisa do Paysandu, porém sem repetir o sucesso dos anos de ouro. Seu último clube no futebol paraense foi o São Raimundo, em 2011. Encerrou a carreira no Rio Verde, de Goiás, no ano seguinte.
Afastado dos gramados profissionais há 3 anos, Vélber voltou a ser notícia neste ano de 2015, mas por um motivo torto. Em maio, foi preso pela Polícia após determinação judicial pelo não pagamento de 50 mil reais de pensão alimentícia.
A contratação de Vélber foi justificada pelo Presidente Alberto Maia: “Trata-se de uma valorização do ser humano, da história que ele representou e da que ele ainda pode representar”
Vélber se apresentará na Curuzu no dia 4 de janeiro, junto com os outros jogadores contratados. A volta do “Risadinha”, como era conhecido o sorridente meia, foi considerada uma grande surpresa pelos torcedores do Paysandu nas redes sociais. Mas pode ajudar a escancarar o sorriso dessa torcida de volta, depois de 2 anos de “sorriso amarelo”, vendo o título paraense ir parar nas mãos do rival.

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Quem seria “O Iluminado” no atual elenco bicolor? Aquele cara que esbugalha o olho, assim meio Jack Nicholson no filme homônimo, obra prima de terror dirigida por Stanley Kubrick, na defesa por seu time? O capitão que algumas vezes dispensa braçadeira, o líder nato, o brigador, o eficiente, o CARA?  Até o dia 18 de agosto, eu sentia falta desse jogador no Paysandu. Pikachu era o talento, Capanema era a raça. Mas era preciso mais do que isso. Era preciso nos extasiar. Foi o que Emerson começou a fazer com esta cronista que vos escreve, no jogo com o Fluminense, pela Copa do Brasil. No passe de peito de Ronaldinho Gaúcho para Fred, o Iluminado tricolor foi parado pelo reflexo do goleiro bicolor. O êxtase proporcionado pelas defesas de Emerson continuou durante toda a série B. Mais do que ‘O Iluminado’, o goleiro paulista foi se consagrando um acrobata de mármore, ágil, elástico e firme, fazendo defesas importantes contra o ABC, Sampaio, Botafogo, Atlético Goianiense, Mogi Mirim…

Na despedida do campeonato, no último  sábado, 28, contra o Oeste, em São Paulo, Emerson encerrou sua participação na série B deste ano “mitando” mais uma vez. Surpreendentemente, ele furou em um chute do atacante paulista, mas logo em seguida se recuperou incrivelmente com uma difícil defesa. Talvez Emerson tenha errado justamente para mostrar que é falível. Aliás, nada mais humano do que a posição de goleiro. Ele, que agarra a vida como todos nós. Afinal, quantas vezes precisamos nos defender das armadilhas do cotidiano e ter o reflexo necessário para evitar o pior? Mas, ufa, ainda bem que em certos jogos da vida, conseguimos evitar o pior, assim como eles. Goleiros muitas vezes interrompem o que seria o ponto final do adversário.

Goleiros recomeçam um parágrafo. E podem recontar uma história. Emerson pode ser muito mais útil para o Paysandu durante o Parazão. O primeiro jogador a renovar contrato com o clube pode se tornar uma arma nas cobranças de falta. De 2010 a 2013, o goleiro atuou pelo Guarani e cobrou 3 faltas em jogos oficiais. Fez 2 gols.Um deles contra o Atlético Paranaense. (veja vídeo abaixo)

 

Com a saída de Pikachu, o menino da lapada certeira, por que não aprimorar os treinamentos e se tornar uma opção para as cobranças de falta? Seria o que faltava para “O Iluminado” reforçar ainda mais sua estrela. Essa temporada de sucesso à frente do Paysandu bem que merece um cartaz a mais.

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Aletheia: A futura Mestra, que quer virar jornalista esportiva, pra falar de amor.

Aletheia Vieira: A futura Mestra em Brasília quer ir além da vida acadêmica para escrever sobre o amor pelo futebol

 

 

O texto que vou transcrever hoje poderia ter sido meu. Aletheia Vieira  enxerga  o futebol com olhos “rodrigueanos” Eu, ela e nosso Mestre Nelson Rodrigues sabemos que o pior cego é aquele que só vê a bola.Futebol é o maior palco das emoções e idiossincrasias humanas, é o falsete, é a vida real. Morando há 6 anos em Brasília, onde faz Mestrado na UnB,  Aletheia sonha em atuar na crônica esportiva paraense, naquele mesmo rame rame do qual alguns cegos, idiotas da objetividade tanto reclamam: o dia a dia dos times e jogadores, com seus dramas cotidianos,histórias de vida escondidas pelo sucesso, entorses e dança das substituições. A futura Mestra tem o mundo acadêmico a seus pés. Mas ano que vem, realiza seu principal sonho: lança seu blog sobre futebol. É lá que vai dissertar suas teses diárias de amor à esse príncipe chamado futebol. Na prática, ela talvez descubra que ele não passa de um sapo. Mas o que seria da vida sem as surpresas que lembram as  dos contos de fadas?

Sobe logo nesse cavalo, mana, e vem descobrir!

 

Futebol, meu primeiro príncipe encantado ( por Aletheia Vieira)

“Sou frequentadora de estádio, acompanho as rodadas nacionais e internacionais. Mas confesso, tenho dificuldades em identificar impedimentos, esquemas táticos e decorar nomes de jogadores.

Eu optei em ver o futebol de forma poética, romântica e dramática. A falta de racionalidade me custou muitas desilusões, lágrimas, noites mal dormidas.

E todos os dias eu me perguntava: quando vou me libertar deste fardo? Não me libertei. Tive oportunidades. Tentei me interessar por vôlei, basquete, handball. Mas nada daquilo fazia sentido. Parafraseando a frase de João Grilo, em “O Alto da Compadecida”, de Ariano Suassuna: o futebol se tornou um “mal irremediável”.

Mas até eu sentar na frente do computador e escrever meus textos, tive que lutar.

Quando eu era criança, nas reuniões de família, sentava no chão para ver os jogos nos fins de semana, porque os tios e primos ocupavam o sofá. Até aí, tudo bem. Mas havia algo que me doía o coração e dói um pouco até hoje: ver os moleques jogando na rua, sem poder fazer nada, com as mãos agarradas nas grades do portão. Eu era menina.

No fundo, gostava muito mais daquele futebol sem regras, sem locutor, sem árbitro. Não precisava torcer por ninguém. Eu ficava só olhando e sentia prazer quando um carro passava e atrapalhava a jogada de um deles. A rua, onde minha tia mora até hoje, não era asfaltada. E quando chovia, algo comum e rotineiro em Belém do Pará, minha terra natal, os meninos insistiam em correr, caíam, escorregavam na lama e desistiam. E era incrível vê-los entrar, um por um, e escutar o ruído daquele portão batendo.

Em meio as Eliminatórias da Copa do Mundo em 93, naquela empolgação de ver a Seleção Brasileira se superar e garantir a vaga, meu pai aceitou que a filha era apaixonada por futebol e estava largando as Barbies pelo Paysandu e pelo Palmeiras. Ele então me liberou para jogar num time improvisado das meninas no colégio.

Éramos um desastre completo. Eu (dizem) fui lateral e meio de campo, mas na hora de armar as jogadas, fazer alguma coisa acontecer, eu paralisava. Todas corriam e se amontoavam na minha frente para reverter. Eu não conseguia jogar.

Quando finalmente consegui o que tanto desejava, um lugar naquele futebol sem regras, que eu via por trás das grades, me sentia incapaz. Claro, o futebol era fantasioso pra mim, um fetiche, um motivo para me impor no mundo, que norteava meus sonhos. O futebol foi o meu primeiro príncipe encantado.

Superado o trauma, após anunciar minha aposentadoria dos gramados de várzea, eu vivi intensamente a Copa de 94. Aquilo foi uma alegria sem fim. Pela primeira vez, vi as mulheres da família se mobilizarem pelo futebol. Cada uma exercia sua função no esquema tático: a que fazia o almoço, a sobremesa, a que providenciava as bandeirinhas e balões verde e amarelos, além daquela que vigiava o abre e fecha da geladeira e a reposição das bebidas.

A cada jogo, a quantidade de cerveja aumentava. Na final, a administração da geladeira ficou impraticável. Compraram uma caixa de isopor gigantesca e uma tonelada de gelo pra reforçar o time.

Quando chegamos, minha avó estava quieta, num canto da sala, dando nós em um barbante.

“O que ela está fazendo?”, perguntei.

“Amarrando os jogadores”, respondeu a minha prima.
“Quais?”
“Os da Itália”.

Então, fui até a geladeira pra beber água. É claro que precisava de algo mais forte, mas não podia.

“O que esse monte de papel tá fazendo aqui, tia?”

“Tua avó pediu para escrever o nome dos jogadores da Itália e colocar no congelador”.

“Até os reservas?”

Tinham 22 papeizinhos dobrados, lado a lado, no congelador poupado pelo técnico, com a entrada da caixa de isopor no jogo. Cenas fortes.

Agora vocês entendem porque Roberto perdeu aquele pênalti e fomos campeões, né? A dona Luiza, quase uma Xamã da Amazônia. Devemos a ela.

Enquanto o Galvão Bueno gritava atracado no Pelé, vi meu pai chorar pela primeira vez. Um dos meus pequenos mundos desabou. Eu não tinha noção do que era ficar 24 anos esperando um título, depois de ver a Seleção de 70 ganhar o tri e a de 82 ser eliminada.

Meu pai parecia ser mais um desencantado pelo futebol. No âmbito de tentar me proteger, provavelmente não queria ver a filha triste e decepcionada. Queria que ela se apegasse a outras coisas.

Mas foi ele quem me deu a notícia, naquele maldito 12 de julho de 98.

“Perdemos, o Brasil perdeu. Agora só daqui há quatro anos”.

Após o segundo gol da França, eu havia saído da sala, já chorando e sem entender o por quê. Quem eram aqueles Zidane e Petit, que levaram de mim toda a felicidade?

Eu não tinha mais a minha avó, a mandingueira. Ela morreu dois anos antes. A tia que administrava a geladeira também. Faleceu após um trágico acidente de carro em abril de 98. Na rua, já asfaltada, onde os meninos jogavam, pairava o pior dos silêncios. O silêncio sem chances, nem para os mais insignificantes ruídos do portão.

Diante da minha primeira grande derrota, da primeira traição do meu príncipe, eu não conseguia aceitar, admitir, que aquilo era apenas um jogo.

E não consigo até hoje. No final, eu sempre acho que futebol vai me salvar e seremos felizes para sempre.

Fim”

                       

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               Carlos Drummond de Andrade teria muitos “Josés” nas arquibancadas do Mangueirão (arte por @futebolzueiroPA)

E agora, Josés?
A festa acabou, só temos um jogo, a cumprir tabela.
A luz apagou, até a luz do fim do túnel que levaria ao acesso bicolor.
O povo sumiu, nem a torcida costuma mais ir aos treinos de Remo e Paysandu
A noite esfriou, cadê o aconchego proporcionado pelas vitórias?
E agora, Josés?
E agora, vocês?
Você que é sem nome, mas virou Rei vendo seu jogador virar notícia nacional.
Que zomba dos outros, a cada derrota do rival
Você que faz versos, lembrando aquele feito mundial
Que ama, protesta pelo Camisa 10 que não veio, protesta em áudios que viralizam mágoa pelo amor não correspondido?
E agora, Josés?

Está sem Presidente
Está sem estádio

Está sem técnico
Está sem carinho de um Fenômeno azul, até o início do Parazão.
Já não pode beber nos estádios
Já não pode fumar, é boleiramente incorreto
A noite esfriou,
A tarde de jogo não existe mais,
O bonde pro Mangueirão não é mais preciso,
O riso não veio,
Não veio a utopia
E tudo acabou
E tudo fugiu
E tudo mofou,
E agora, José?

A poesia ganhou um hiato. Começam as especulações no futebol paraense. Quem merece ficar? Quem pode ser o “José ” salvador da pátria de Remo e Paysandu? Os bicolores perderam o seu jogador mais eficiente da década. Pikachu se foi deixando um vazio, que dificilmente será preenchido. Vencer o Parazão vai ser questão de honra para a torcida. Afinal, o rival está ali, no cangote, a um título de acabar com essa graça de “mais títulos estaduais, mesmo sendo mais novo”

O Remo quer fazer de 2016 um recomeço. Reestabeleceu  a auto estima depois do acesso. Respeitem o Leão, ele agora tem posto. Quer fugir da jaula para fazer barulho também fora das arquibancadas. Chegou a hora de o  Remo começar a mostrar que não é só um time de futebol, com uma torcida fenomenal, mas pode voltar a ser um Clube, com gestão competente, moderna e sagaz. Na qual os egos impávidos sejam cremados, sem dó nem piedade, em meio à fogueira de vaidades. 2016 tá batendo na porta. E agora, Josés, para onde vão os nossos sonhos?

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“O  tempo voa, rapaz. Pegue seu sonho, rapaz. A melhor hora e momento, é você quem faz.. (Pensamento- Cidade Negra)”

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A hora de Pikachu chegou. Neste sábado, 21, contra o Criciúma, no Mangueirão, o menino Yago Lisboa estará fazendo seu último jogo com a camisa do Paysandu, em Belém. No outro sábado, 28, o time bicolor encerra a participação na série B deste ano, contra o Oeste, em São Paulo. Mas é amanhã, que o menino de ouro da Curuzu se despede do torcedor paraense. Alguns desses torcedores destilaram ingratidão nos últimos meses. Ora, vão catar coquinhos. Acusar Pikachu de corpo mole, simplesmente, sem relativizar as circunstâncias, é até leviano. Se coloquem no lugar do rapaz, que, muito possivelmente, está com pré contrato assinado com algum clube ainda não conhecido oficialmente.

Pikachu esperou 2 anos por essa chance de criar asas. Ama o Paysandu mais do que muitos torcedores, que assistem aos jogos do bicola do sofá de casa. Sim, respeita de verdade o clube. E com certeza, jogando bem ou não nessa reta final do brasileiro, ele é a cara do Paysandu pelo Brasil. E foi o melhor lateral direito do Papão, em se tratando de números, nos últimos anos. A mesma lateral onde já brilharam Aldo, que depois foi pro Fluminense, Marcelo Silva, Boiadeiro, Luis Fernando… Nem mesmo Aldo, que jogou no Flu,  conseguiu ser o embaixador do futebol paraense lá fora, como foi e é o Pikachu. Em quatro temporadas vestindo a camisa do time que o revelou para o futebol, Yago marcou 62 gols em 218 jogos. Contra números no futebol, não há argumentos.

A questão é: o que será do Paysandu sem Pikachu? Quem será a nova referência do time no Parazão, cuja conquista vai ser obrigatória para a maioria da torcida, depois da perda do título de forma, digamos, desastrada, para o maior rival? O consolo poderá vir através de uma cota de 1 milhão de reais, que deve ser adiantada pela TV Globo, depois da renovação de contrato da emissora, que detêm os direitos de transmissão do campeonato, por mais 5 temporadas com os clubes participantes. Não se sabe quem será o novo camisa 2 contratado, mas ele certamente não terá a identificação com o clube que possui o menino Pikachu. Yago começou no futsal da Tuna, mas foi no Paysandu que começou a jogar o futebol de campo. Conhece todos os antigos buracos e atalhos mágicos daquele gramado. Não foi só um lateral incrivelmente eficiente no apoio, foi também exemplo de profissional.  O menino é avesso às farras, foge à regra de alguns jogadores que priorizam as aparências. Pikachu é Pikachu e ponto final. Se todos fossem iguais a você, garoto, que maravilha seria torcer…A lapada certeira vai fazer muita falta. Mas eis que chegou a roda viva e carregou, finalmente, o destino de Yago Pikachu pra lá…

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