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Depois da saída do lateral direito, Pikachu, o Paysandu vê seu lateral esquerdo também ir embora. O paranaense João Lucas foi o jogador que mais atuou pelo time bicolor durante a série B. Disputou 43 jogos e formou, com Pikachu, a dupla de laterais mais regular dos últimos tempos na Curuzu. João Lucas anunciou sua despedida em sua página no Instagram, na manhã desta sexta-feira. “Saio com o coração partido”, disse o jogador para mim. Carismático, o jogador conquistou os torcedores também pela sua interação nas redes sociais. Aceitava críticas dos famosos “corneteiros” no Twitter com bom humor e agradecia aos elogios.

Segundo João Lucas, ele recebeu propostas de três times da série A.  A Chapecoense, de Santa Catarina, que ficou em 14º lugar na primeirona desse ano,  chegou a anunciar sua contratação em uma rede social,  “Quero ir para o time no qual eu seja titular”, disse o lateral..

Fã declarado de Belém, João Lucas gravou um recado de despedida para a torcida do Paysandu. Ouça:

 

 

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Jogo: Manchester City 4 x 2 Borussia M’gladibach e visita guiada ao Old Trafford

 

Competição: Champions League (última rodada, fase de grupos)

 

Estádio: Etihad Stadium

 

Cidade: Manchester (Inglaterra)

 

Público: 41.828 (83% de ocupação)

 

Momento: Meu primeiro jogo na Champions League

 

Data: 8 de dezembro de 2015

 

Horário: 19h45 (horário UK)

 

Temperatura: 3 graus e rajadas de vento e chuva

 

Moeda local: Libra

 

Preço do ingresso: 45 libras (jogo) e 17 libras (tour pelo estádio)

 

Escalação:

 

MANCHESTER CITY

Joe Hart; Gael Clichy, Nicolas Otamendi, Eliaquim Mangala e Aleksandar Kolarov; Fernandinho, Fabian Delph, Yaya Toure, David Silva e Kevin De Bruyne; Raheem Sterling. Técnico Manuel Pellegrini. Wilfried Bony, Jesus Navas e Bacary Sagna entraram na segunda etapa.

 

BORUSSIA MONCHENGLADBACH

Yann Sommer; Nico Elvedi, Andreas Christensen, Havard Nordtveit e Oscar Wendt; Julian Korb, Granit Xhaka, Mahmoud Dahoud e Fabian Johnson; Raffael e Lars Stindl. Técnico: Andre Schubert.

Marvin Schulz, Josip Drmic e Thorgan Hazard entraram na segunda etapa

 

Parte 1 (chegada à Manchester e visita ao “Teatro dos Sonhos”)

 

“Assim que dei meu primeiro passo no aeroporto internacional de Manchester, após um curto e conturbado vôo de 40 minutos vindo de Dublin, cidade na qual moro, pontualmente ao meio dia, a musiquinha da Champions League não saía da minha cabeça. Mesmo dentro do trem rumo ao meu hotel, no centro da cidade, as imagens das árvores, casas e carros que passavam por mim eram embaladas por uma só nota, além da sorte por ter pago apenas 10 euros ida e volta na passagem deixar estampada a felicidade em meu rosto. A realização de uma vida inteira estava prestes a se tornar realidade e, mesmo sendo o dia 8 de dezembro um típico “dia inglês” (céu fechado, chuva, vento e frio), isso não fez diferença para mim. Senti uma espécie de ” déjà-vu”, como se já houvesse estado ali, feito as mesmas coisas no passado, talvez por ter desejado tanto este momento durante anos, vendo jogos pela tv e jogando no vídeo game.

 

Manchester é exatamente como eu imaginava, e ainda com uma surpresa agradável: o povo é, para o padrão europeu, “friendly” ao extremo. No geral, são muito simpáticos e de bem com a vida. Eu não sei como isso é possível chovendo toda hora, com ventos muito fortes, que só fazem aumentar a sensação de frio, e na maior parte do ano anoitece antes das 16h. Tem coisas que você só descobre estando no lugar, e esta foi uma delas. Assim que cheguei no meu hostel (residência estudantil), por volta das 13h, só tive tempo de guardar minha mochila, comer alguma coisa por perto (o tradicional “fish and chips” inglês) e partir para Old Trafford, estádio do Manchester United, na primeira parada do dia.

 

Tinha pouco tempo de estada na cidade e não queria gastar dinheiro, porque meu projeto é assistir aos outros jogos, e a libra estava sendo cotada a 1,38 convertido para euro, o que encarecia bastante e os preços são praticamente os mesmos da Europa, só que em pounds. Por isso, não conheci os pontos turísticos da cidade, mas pelo que vi é um lugar fantástico, com muitas atrações e visualmente muito bonita. Por coincidência, encontrei um coreano no hostel que iria fazer a mesma programação que eu (stadium tour + jogo) e, fomos juntos rumo à Trafford, bairro situado na grande Manchester.

Para quem não sabe, o famoso estádio do United não está localizado exatamente na cidade de Manchester, mas à cerca de 30 minutos de ônibus do centro da cidade. Por 4,20 libras comprei uma passagem que valia para um dia inteiro, para todos os meios de transporte disponíveis (trem, metrô de superfície e ônibus), comprovando mais uma vez que os meios de transporte na europa são caros, mas realmente funcionam, ao ponto de um carro ser um artigo de luxo, e não de necessidade como é para nós, brasileiros.

 

Acabei chegando atrasado e perdendo meu horário das 15h30, e fui realocado para às 16h30. Pode parecer pouca diferença, mas a escuridão nesse horário era total, o que tirou um pouco do brilho na visita. Com os refletores apagados e pouca iluminação, ainda assim pude ver as arquibancadas e até me imaginar num jogo ali, mas as fotos não ficaram boas. Realmente o “Teatro dos Sonhos”, como o estádio é conhecido, é muito bonito, além de conservar várias características de sua arquitetura original, datada em 1910. O segundo maior estádio da Inglaterra, com capacidade para mais de 76.000 pessoas, funciona como uma espécie de complexo, com vários restaurantes e até um hotel para congressistas diversos. A valorização dos grandes ídolos também é evidente, com a recém-lançada arquibancada com o nome do técnico mais vitorioso do clube, sir Alex Fergunson, e outros ídolos do passado, com destaques para George Best e Ryan Giggs, que possuem partes próprias no museu, e a famosa estátua de Bobby Charlton, Best e Denis Law na entrada principal do estádio.

 

Com ingressos esgotados até 2017 (!), comprovei na prática que o Manchester United é realmente um dos três maiores clubes do mundo, ao lado do Real Madrid e Barcelona. Possui tudo que um clube precisa para tal: história, torcida presente, fama mundial e muito, muito dinheiro. Saindo do stadium tour, após visitas ao vestiário, museu, troféus e outras partes internas do clube, fui bombardeado de informações com a mega store do United. Todos os modelos de camisa, short, livros, souvenirs e o que mais existir de produto licensiado dos Red Devils, fazendo qualquer fã de futebol cogitar abrir a carteira por impulso. Mas o símbolo £, da libra, me dá arrepio só de lembrar, mesmo eu possuindo euros.

 

Pulei fora dessa e continuei na minha política custo zero, mas ajudei meu símpático novo amigo coreano a fazer as comprinhas de natal para toda sua família na loja. Gastou mais de 500 £ na tranquilidade, e ainda me ofereceu uma camisa oficial dessa temporada, que eu obviamente recusei. Depois, ele disse que já tinha gastado mais de 6 mil libras em uma semana viajando pela Inglaterra atrás de jogo. E eu me sentindo mal pelo meu orçamento de 100 libras pra viagem toda.. Do lado de fora do estádio, atravessamos a rua e pegamos outro ônibus rumo ao Etihad Stadium. Troquei minha camisa rapidamente – estava com a do Rooney vermelha da Inglaterra – e pus a do Manchester City. Um engarrafamento de outro mundo nos fez pensar que não conseguiríamos chegar em tempo. Muitas “aventuras” me esperavam até eu ouvir a musiquinha da Champions de verdade, e eu não iria desistir. Não tão perto da concretização de um sonho.

 

Parte 2 (jogo Manchester City 4 x 2 Borussia M’gladbach)

 

O relógio marcava 18h e a partida começaria às 19h45. Mesmo saindo com antecedência de Old Trafford, um trânsito “à la” Brasil simplesmente paralisou os carros, que mal se moviam, e estávamos há mais de 20 minutos parados, dentro do ônibus. Meu amigo coreano estava quase chorando, por que ainda estávamos longe e ele achou que não daria tempo. Vimos outra rota no celular, e ela não parecia tão boa: encarar a chuva forte e vento frio por 30 minutos à pé até a estação de trem. E foi o que fizemos. Depois eu fiquei sabendo que estava chovendo mais do que o normal, o que alagou vários pontos da cidade e dificultou o trânsito. Claro que isso tinha que acontecer justamente no meu grande dia, só para me sacanear.

 

Depois destas provações, eu e o coreano chegamos na bendita estação de trem e, para nossa sorte, encontramos dois animados torcedores do City, que nos ajudaram com as informações e ficaram conosco até o trajeto para o estádio. No trem, enquanto conversávamos, notei que meu amigo não dizia uma só palavra e perguntei o porquê. Ele disse que não entendia nada que eles diziam! É compreensível, já que nas cidades do interior da Inglaterra o sotaque britânico dos habitantes é bastante carregado, chega a ser até um dialeto, e o coreano aprendeu inglês pelo método americano, aí eu entendi o motivo. Já eu, adaptado quanto às diferentes formas de falar por morar em Dublin, onde é ainda pior e, sabendo que entendê-los é questão de sobrevivência, pude conversar tranquilamente. Dentre os assuntos, os ingleses me explicaram que não gostam muito da champions league, preferem o campeonato inglês por valorizarem o que é deles, e falaram sobre a frustração com a falta de efetividade do time nesta temporada onde obteve chances de ser líder da Premier League, mas perdeu mais uma partida sábado passado (05/12) contra o Stoke City.Na Champions League, o City possuía condição favorável, com classificação garantida para a próxima fase, com opção de ter obtido o primeiro lugar do grupo, que possibilitaria enfrentar os segundos colocados nas oitavas de final e ainda decidiria o confronto em casa, na segunda partida. Para isso, precisava ganhar do Borussia M’gladbach e torcer para que o Sevilha ganhasse do Juventus. Não foi dessa vez.

Na chegada do Etihad Stadium, a chuva havia parado, mas o vento estava mais forte ainda, com a temperatura caindo rapidamente. Acredito que deve ter chegado à zero grau em alguns momentos, eu estava bem agasalhado, com uma camisa térmica, três camisas por cima, luva e protetor de pescoço. Achei a atmosfera fantástica, com torcedores realmente do City, e poucos turistas o que para loucos por futebol como eu, faz toda a diferença. Em outros clubes, como Chelsea e United, mesmo com ingressos esgotados, muitos compram de cambistas, e o número de turístas nestas partidas é bastante alto. Deve ser por isso também que prefiro o Everton ao Liverpool, o City ao United.

 

Clubes grandes, de muito investimento, acabam atraindo pessoas de todo o mundo, o que retira das arquibancadas parte dos torcedores “originais”, da cidade e arredores, que atualmente não vão aos jogos pela alta procura e elevação no preço dos ingressos. Prefiro o meio termo, como clubes iguais ao City. É claro que os donos árabes injetam há mais de 10 anos milhões de dólares no clube, possuindo um dos mais fortes elencos da europa, ainda assim falta muito para chegar ao nível do maior rival. Os dois ingleses que conheci no trem foram simpáticos e me deixaram na entrada correta para trocar meu ingresso, e tentaram me convencer a comprar o season card para assistir todos os jogos da temporada do campeonato inglês, e falaram o preço da brincadeira: 760 £ anuais! Ingressos da Champions e Copas Inglesas à parte. Sorri e falei que ia pensar, só para retribuir a simpatia.

 

Cheguei ao meu assento e vislumbrei o estádio mais bonito que já vi até agora, mas até do que o do United. Não possui a mesma história ou capacidade do rival, mas por ter sido construído em 2003 é mais moderno e seguramente uma das melhores arenas européias. As arquibancadas não estavam totalmente lotadas, talvez pelo patriotismo que haviam me falado, preços dos ingressos e também pelo caos que estava a cidade nesse dia, mas nada que estragasse o espetáculo. Na hora da tal musiquinha que eu tanto aguardava, me surpreendeu a vaia estrondosa nessa hora, vinda de todo o estádio, talvez um protesto contra a corrupção na FIFA e UEFA. Eu tentei me desligar disso e me concentrar nos atletas perfilados, as crianças balançando a bola gigante de pano no centro do gramado e o telão mostrando tudo isso. Aquilo era real e eu fiquei emocionado com este momento. Me fez lembrar tudo o que eu tinha feito para estar ali, e a vontade de querer mais momentos como esse. Também me dei conta que mesmo que eu tivesse todo dinheiro do mundo e conhecesse todos os estádios, jamais será a mesma coisa que estar na área da imprensa, seja no gramado ou nas cabines. Ali é o meu lugar, sempre foi e sempre será.

 

Passado o meu momento piegas, o que se passou nos 90 minutos seguidos foi um jogo de muita movimentação, com os dois times indo para cima, querendo a vitória, com o Borussia sendo superior, no primeiro tempo. Até aí, o City parecia estar em marcha lenta, como se estivesse guardando energias para o segundo tempo. O gol de David Silva, um bonito petardo do meia na pequena área, foi o único brilho dos blues e com gols de Julian Korb e Raffael, o Borussia foi para os vestiários com virtuais três pontos. Fiquei impressionado com a torcida visitante. Já observei vários torcedores alemães pelo caminho e havia lido uma matéria na revista Placar sobre a força deles, mas ao vivo parece até uma torcida sul-americana. Não param de gritar um segundo, tiram a camisa e empurram o time mesmo nos piores momentos. Na maior parte do tempo, superavam de longe os torcedores locais. Várias brigas entre eles e torcedores rivais ocorreram, fato que ainda não tinha visto aqui na europa.

É interessante citar que quase sempre acontecem várias brigas entre as torcidas, dentro e fora do estádio, em jogos da Europa League e da Champions, mas não são divulgadas pela imprensa, o que em minha opinião, deveria ser copiado pela imprensa brasileira, para não incentivar o vandalismo e tirar o brilho e encantamento das partidas. Em jogos internacionais você só consegue comprar ingresso se for sócio ou tentar a sorte com cambistas, como foi meu caso (paguei 10 libras a mais por isso), justamente para evitar encontro de torcidas dentro do estádio. Mesmo assim, vários alemães fizeram igual a mim e ficaram em lugares destinados à torcida local, mas não vi nenhuma confusão nesta área, com torcedores dos dois lados reunidos e misturados. A algazarra aconteceu mais próxima a mim, atrás de uma das traves, felizmente a polícia inglesa controlou a situação.

 

No intervalo, os bares e banheiros modernos propiciam momentos agradáveis para os torcedores, que podem saborear tranquilamente as guloseimas típicas como tortas recheadas e “fish and chips” na companhia de uma Heineken, patrocinadora oficial do evento, bem gelada. Detalhe: só é possível beber antes, no intervalo ou após a partida. Tomei uma “pint” (copo de cerveja), voltei para mais 45 minutos de partida. Com a volta da bola rolando, percebi que o City possui um grande elenco e um bom técnico, mas nada além disso. Sem a sua principal estrela, Sergio Aguero, percebi um time até certo ponto previsível e eficiente. Os citizens possuem um elenco balanceado que possibilitou a conquista de dois campeonatos ingleses e dois vice-campeonatos nos últimos quatro anos, o time sabe que para ir bem na Champions na próxima fase, contra gigantes como Bayer de Munique e Barcelona, é preciso sorte para superá-los.

O jogo prosseguia com muita correria, mas poucas chances de perigo, até Raheem Sterling resolver a parada. Com dois gols em menos de cinco minutos, o ex-Liverpool mudou o rumo da partida, que parecia perdida, com duas jogadas criadas com toques de bola rápidas pelo lado direito do campo, com o selecionável apenas arrematando para o gol. Wilfried Bony fechou o placar, e ainda deu um passo para um dos gols de Sterling. Todos esses lances aconteceram após os 35 minutos do segundo tempo, o que evidencia a força do City, mesmo sem Kun Aguero, e por pouco os blues não pagaram caro pelo freio de mão puxado na maior parte do jogo.

 

No fim da partida, uma festa animada da torcida do City nas arquibancadas, com a primeira colocação no grupo D (Sevilha havia derrotado o Juventus), e do lado dos visitantes, muita lamentação da torcida com a não-concretização da Liga Europa, conquistada pelos espanhóis com o terceiro lugar do Sevilha. Parecia até final de Copa do Mundo, gente chorando e o bravo elenco alemão se despedindo de seus fãs. Igual à nós quando vemos nosso time ser eliminado de uma grande competição! Como considerações finais sobre o City, acredito que o Joe Hart é um grande goleiro, e realmente merece a camisa número 1 inglesa. A zaga não transmite confiança e Vicent Kompany não está em seus melhores dias, falhando várias vezes nessa temporada. No meio campo, Yaya Touré, voltando de lesão, está ridiculamente acima do peso e muito lento, e David Silva é mais um grande jogador que tive a oportunidade de ver in loco. Com muita atitude, dribles rápidos e objetividade, o espanhol segura as pontas nas ausências de Aguero. O belga Kevin de Bruyne, que na temporada é o maior marcador do time e o que tem mais assistências, teve uma noite apagada, mas está em grande fase. No ataque, Sterling estava isolado a maior parte do tempo, e para mim ele e Bony são duas das muitas enganações do futebol europeu. Jogadores medianos para baixo, com algumas boas partidas e muito marketing em cima. Mas eles fizeram uma boa partida e representaram bem o time ( nessa partida ).

 

Voltando pro hostel dei o tradicional rolê ao redor do estádio, como sempre faço ao final das partidas, para me despedir de mais uma grande noite. Percebi que eles não tocaram a tradicional “blue moon”, música típica da torcida, e me disseram que só a tocam na Premier League. Como são barristas os inglesses! Me contentei com a música do Oasis no início, meio e fim do jogo. Para quem não sabe, os irmãos Gallagher são de Manchester e loucos pelo City. Acredito que um deles esteve no Etihad pra ver o jogo. Pela enésima vez tive a vontade de ter um season card ( cartão que possibilita acesso a todos os jogos ), mas a impossibilidade no momento me fez voltar à realidade. Vou acabar sendo sócio do Shamrock Roovers, time aqui de Dublin, tendo custo de 100 euros por ano, podendo ir a todos os jogos aqui. Depois de mais uma missão cumprida, o foco sempre vem já para a próxima partida.

 

Próxima jornada: cidade de Glasgow, assistir a uma partida do Rangers, pela história bonita do clube, que caiu para a quarta divisão e possui uma torcida fantástica, algo parecido com o que acontece com o Clube do Remo. Enquanto eu planejava os próximos passos na cozinha do hostel, saboreando uma gelada salada de atum que comprei no supermercado por 1,50£, refleti em como é bom existirem prazeres como o futebol na sociedade moderna. Os noticiários mostram ódio, morte, coisas ruins a toda hora, e isso parece sumir dentro de um estádio. Durante a partida, não interessa o pronunciamento do governo, nem a cotação do dólar ou o que em Londres ou Chicago ocorreu. É apenas o jogo naquele momento, por isso escolhi o jornalismo esportivo e não outros seguimentos. Eu acredito que além de informar, é preciso ter o prazer de noticiar, com paixão e entrosamento, o esporte.
E o esporte nada mais é que prazer e diversão. Propiciar isso, através da notícia, para outras pessoas é fantástico. A mídia, infelizmente, está comprada no mundo inteiro e as notícias que saem são editadas por grandes corporações, de acordo com seus interesses, e no jornalismo esportivo essa proporção é bem menor, quase inexistente. Não importa os escândalos de corrupção ou os salários altos dos jogadores, e sim que trata-se apenas de um jogo, um entretenimento, que muitas vezes serve para amenizar tanta notícia ruim que temos acompanhado ultimamente. Já no avião voltando, muita turbulência novamente e chegada em Dublin com o clima exatamente igual ao da Inglaterra, com ventomais forte. Completamente quebrado das intensas 24 horas respirando Manchester, cidade que onde não conheci nenhum ponto turístico, mas estive em dois dos maiores templos do futebol na Terra”

“Se me perguntarem o que é que se salva em mim, direi, de fronte erguida: -“A memória!”
(Nelson Rodrigues)

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Que ano maluco, meu Deus! Vai ser difícil esquecer esse 2015. Ele ainda deve viver por muitos e muitos anos, ressoando em nossas memórias. Assim, meio “1968: o ano que não terminou”, o livro de Zuenir Ventura, que contou as agruras dos anos de chumbo. Entre Marianas, Bataclans e o Planalto Central, nossos sonhos de um mundo pelo menos tolerável de se viver foram se enterrando pelo caminho. Só se viu instransigência, sede de poder, intrigas e guerras. Tenho pena de quem vai editar a retrospectiva da Globo. Acho que não houve uma semana sequer sem um escândalo, um revertério no Brasil, no mundo. Parecemos baratas tontas, com medo do apocalipse. Quando o primeiro minuto de 2016 chegar, não darei os tais 3 pulinhos, como manda a superstição.Sentarei na poltrona e direi:”Ufa, acabou!”

Mas, por outro lado, que sorte a nossa heim? Que sorte a do torcedor paraense. 2015 não será esquecido por muitos dos que amam esse tal futebol, dito ópio do povo. Sim, ele nos embriagou. Fez o torcedor bicolor sonhar com o acesso à série A em muitas rodadas, se orgulhar com o talento de Pikachu nos jogos contra Botafogo e Fluminense e ter a certeza que, pelo menos administrativamente, o clube segue de cabeça erguida! Já o torcedor azulino só teve motivos pra chorar de felicidade. Ficou com o coração do tamanho de uma ervilha, ao ver a foto mostrando a lágrima de Dadá, minutos antes do jogo no qual o volante iria fazer um dos gols mais lindos do ano, ajudando a eliminar o maior rival da Copa Verde. Mesma partida em que o destino selou o lateral Levi como herói, cobrando o pênalti da classificação azulina. O mesmo Levi que fora enxovalhado pouco tempo antes, no Parazão, ao levar um drible desconcertante do atacante bicolor Bruno Veiga. 2015 foi o ano em que o Remo eliminou o Paysandu de Parazão e Copa Verde em menos de 2 semanas e voltou a ter uma divisão.

É, amigos bicolores, não foi nada fácil. O Leão azul foi campeão na terra, na água, no ar, no coração. Mas, repito, 2015 não será esquecido. 2015 não irá terminar. Porque além das belas recordações em azul marinho, ficaram lições em azul e branco que irão reverberar na hora das decisões. Nesse ano, o torcedor bicolor aprendeu na marra a ter humildade. Na Copa Verde 2016 que se aproxima, na qual entrou de última hora, o Paysandu vai lembrar da tarde no Mangueirão em que a superação venceu a uma possível, eu disse possível, soberba. Pode ser tudo diferente. Ou não. Um título é questão de honra na Curuzu. Todos sabem disso e quem ousar contestar, está voltando a pecar.

Chega logo, 2016. O futebol paraense lhe espera, com fome de bola. Para mostrar que 2015 pode até não ser esquecido, mas que saberemos retirar o melhor dele para fazermos muitos gols. Dentro e fora de campo. Seja lá com qual for a camisa.

Hoje, meu salto alto é um Louboutin, um dos sapatos mais famosos na Europa e no mundo,  para apresentar a vocês o  Mauro Tavernard. Louco por futebol como eu, como você, ele largou um início promissor no jornalismo esportivo de Belém para realizar o sonho de conhecer os maiores estádios do mundo.Hoje, mora em Dublin, Irlanda, e de vez em quando vai aparecer aqui no blog para contar suas histórias pelas arenas européias. Os relatos são deliciosos e dão uma vontade danada de jogar uma mochila nas costas e partir por esse mundo da bola. Fala aí, Mauro!

 

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“Quando somos crianças, temos vários sonhos em mente, mesmo que não façam sentido. Uns querem ser astronautas, outros, muito ricos. Mas eu tinha uma meta bem mais modesta: conhecer todos os estádios que pudesse na Europa. Não sabia como e nem quando, mas eu tinha certeza que isso iria acontecer. A minha paixão por futebol começou bem antes de eu assistir à minha primeira partida dentro de um estádio, com a minha coleção da revista Placar, que eu tenho até hoje, guardada com carinho na minha casa de Belém. O prazer com a leitura, vendo jogos pela tv e, posteriormente, comparecendo nas arquibancadas paraenses, eram, até aquele momento, as maiores emoções que um então pré-adolescente poderia sentir.

 

Compensava até o fato de eu ser um perna-de-pau daqueles que sempre isolava bola pra casa do vizinho. Eu passei desde então vários anos indo para todos os jogos que pudesse, e mesmo sendo remista, ia igualmente para jogos do Paysandu, seja na gloriosa campanha da Libertadores ou contra o Cametá, domingo de manhã pelo Parazão. A paixão pelo ofício de jornalista esportivo sempre esteve dentro de mim, assim como a vocação para tal, mas as inseguranças em relação ao meu futuro fizeram eu optar pelo curso de Direito na faculdade. Depois de dois anos, eu simplesmente segui o caminho que sempre foi meu, larguei o mundo dos engravatados e comecei a cursar jornalismo. O curso em si era bom, fiz alguns colegas mas o meu foco mesmo era o esporte. Por isso costumo dizer que não sou jornalista, sou do ESPORTE.

 

Futebol sempre em primeiro lugar, mas também esporte amador, MMA, peteca ou qualquer coisa que seja considerada prática esportiva. Tive a sorte de mesmo não tendo contatos, começar meu primeiro estágio no caderno Bola, do Diário do Pará, e depois tive outras experiências como repórter no jornal Liberal, produtor de esportes na Tv Record e um curto período como assessor de imprensa do Clube do Remo. Os anos de 2010 e início de 2013 foram mágicos para mim, e várias pessoas legais passaram pela minha vida, principalmente editores, que sempre me apoiavam e publicavam quase tudo que eu escrevia. Mas ainda precisava resolver problemas internos e cometi vários erros fora do ambiente de trabalho que me fizeram optar por sempre mudar de um lugar para o outro, até chegar ao  ponto de não ter mais para onde ir.

 

Foram tempos difíceis para mim, mas eu tinha a certeza de uma coisa: ainda não estava pronto. Precisava achar, dentro de mim, soluções para meus problemas pessoas e,sobretudo, me qualificar. Consegui resultados em outra área (indústria de alimentos), e investi quase tudo que tinha no intercambio pela América do Sul ano passado e, desta vez, em Dublin, Irlanda, onde moro atualmente. Escolhi esse lugar pela facilidade de conseguir visto de estudante (com permanência de até três anos) e sobretudo pela proximidade com os grandes jogos do futebol europeu.

 

Este espaço foi criado para você, apaixonado por futebol, e que mesmo não sendo louco como eu, tem com o esporte uma relação intima toda semana para sorrir, chorar ou simplesmente relaxar tomando uma cerveja com os amigos. Escolhi este blog pelo grande número de leitores do nenodesaltoalto.com, assim como pelo prestígio da blogueira, que vai bem na tv e na escrita, ainda não vi nenhuma igual. Os posts podem acontecer semanalmente ou de acordo com os jogos que conseguir assistir. Espero que gostem das matérias. Enjoy!” ( por Mauro Tavernard)

 

MEU PRIMEIRO JOGO PELA PREMIER  LEAGUE ( por Mauro Tavernard)

 

Jogo: Everton 3 x 1 Chelsea
Estádio: Goodison Park

Público: 39.898 (99% de ocupação)

Cidade: Liverpool (Inglaterra)

moeda local: Libra Esterlina

Data: 12 de setembro de 2015

Temperatura: 12 graus (céu aberto)

Preço do ingresso: 42 libras

Escalação:

Everton: Howard; Coleman (Funnes Mori), Stones, Jagielka e Galloway; Mccartney, Barry, Besic (Naismith) e Barkley; Koné (Lennon) e Lukaku. Técnico:Roberto Martinez

Chelsea: Begovic; Ivanovic, Zouma, Terry e Azpilicueta; Mikel (Kenedy), Matic, Pedro (Falcao) e Fabregas (Willian); Hazard e Diego Costa.

Técnico: José Mourinho

Gols: Naismith (everton) 3; Matic (Chelsea) 1

Foram anos de espera, que só fizeram aumentar a expectativa para o grande dia: minha primeira partida,dentro de um estádio, para assistir à  Everton x Chelsea, pela primeira divisão do campeonato inglês. A Premier League é atualmente o torneio mais rentável do planeta, com cotas televisivas altas e clubes com poder de compra. Na temporada 2015-2016, os clubes menores se reforçaram melhor, e estão mais competitivos em relação aos clubes “top4”. Mas eu não pensei em nada disso quando pisei pela primeira vez no John Lennon International Airport, dois dias antes do confronto. A terra dos Beatles possui atmosfera única, com o perdão do clichê, mas parece outro país se comparado com a sisuda, barulheta e super movimentada Londres.

 

Liverpool lhe transmite uma paz instantanea e os seus simpaticos habitantes fazem você se sentir em casa, mesmo que seja apenas por alguns instantes. Minhas expectativas de uma vida inteira para meu primeiro grande jogo na Europa ficaram no modo “stand by”, e eu pude curtir, como betlemaniaco, a tarde inteira do dia 11 (um dia antes da partida) conhecendo os  pontos turísticos mais famosos, como o Cavern Club, Penny Lane e a casa do John Lennon. Tudo ótimo, mas logo que cheguei no hotel, ainda com os sons de um pub de rock anos 60 e algumas Heinekens na cabeça, veio de novo toda a ansiedade para, de fato, chegar o grande dia. Mas havia um último impecilho: faltou conhecer a casa do Paul Mccartney, e o passeio já estava pago (salgadíssimas 15 libras), com o detalhe de terminar às 12h30, e o jogo, do outro lado da cidade, começar às 12h45.

 

Mesmo assim, topei o desafio, consegui um taxi na correria, e com o relógio marcando 12h40, eu não tava nem aí para ficar adimirando a cidade e só sabia falar pro taxista “go fast, go fast”. Cheguei no imponente Goodison Park, lar dos Blues de Liverpool (Everton) com 5 minutos de atraso e, claro, nenhuma fila. Comprei meu bilhete online por 42 libras no próprio site do clube dias antes, e fui informado pelos seguranças a trocar meu e-ticket pelo ingresso original. Cheguei lá e, para minha surpresa, um senhor careca me deu um envelope lacrado com meu nome e as entradas, fato que eu nunca tinha presenciado até então.

 

Logo em seguida, procurando meu “main stand”, notei duas coisas. A primeira é sobre a acústica do estádio: do lado de fora quase não se ouvia uma voz do estádio, e nem parecia dia de jogo. A segunda é sobre a arquitetura do Goodison, um dos estádios mais antigos da Europa, mas que modernizou-se e tornou-se um dos estádios mais bonitos, com a inauguração oficial datada de 1892, mantendo algumas características do original. Chegando no meu lugar, e como já esperava, meu assento estava vazio, e não tinha outro espaço vazio até onde minha visão podia alcançar. Sentei tranquilamente, municiado com a “Pint”, como os ingleses chamam copos de cerveja de 500 ml, da patrocinadora do clube, a thailandesa Chang.

 

Depois de pagar 6 libras por uma breja e uma torta de frango – deliciosa por sinal -, eu simplesmente despluguei e parei de tentar converter esse valor em real (uma libra equivalia mais de sei reais na ocasião), ou como diabos eu voltaria para casa sem me preocupar em quanto a corrida do taxi ia sair. Por alguns minutos eu ignorei o grito da torcida, a adimiração pelo estádio ou simplesmente a felicidade de estar ali. Eu estava numa partida particular em que só haviam eu e os 22 jogadores em campo, com algumas espiadelas quando Mourinho saía do banco de suplentes. Foi o momento de simplesmente curtir a partida em si, sem se preocupar com absolutamente nada em troca. Fabregas, o badalado Hazard, John Terry, e Diego Costa tiveram uma tarde apagada.

 

De alguma forma, o campeão da temporada passada não é mais o mesmo, ainda que o elenco seja identico ao título de 2014-2015, e permanece sem rumo há poucas rodadas do fim do primeiro turno. Eu escolhi o Goodison Park em detrimento do imponente Anfield Road, casa do Liverpool FC não apenas pela diferença absurda no preço dos ingressos (só com cambista pelo lado dos reds), mas por que me identifico mais com o Everton e, sem dúvida, queria ver em ação os Blues de Londres. Mas no meu mini-transe eu reparei em vários momentos no goleiro reserva do Chelsea, o sérvio Begovic, que substituiu o lesionado Courtois. Ele não teve culpa em nenhum dos 3 gols do Everton. Talvez algum destes fosse defensável, mas nem Courtois nem Buffon na juventude pararia os “scouses” nesta tarde de sol na cidade, algo raro por lá – chove a maior parte do tempo. Se fosse para dar uma nota para a equipe londrina por atuações individuais, nenhum jogador passaria de 4 numa escala de 1 à 10.

 

Simplesmente horrorosa atuação dos comandados de Mourinho. Jogaram como equipe pequena, acovardada, com medo. Parecia até que eles queriam entregar em algumas bolas, pra fritar o técnico, mas o fato é que a tarde foi mesmo do escocês Steven Nasmith, que marcou os três gols da partida depois de ter saído do banco de reservas para substituir o lesionado Besic, aos nove do primeiro tempo. Ele fez gol de tudo que é jeito, de fora da área, de cabeça e aproveitando uma bela jogada central do craque do time Barkley. Matic descontou para o Chelsea no segundo tempo, com um belo chute de longa distância, num dos únicos lances de perigo dos campeões. Mesmo com a frustração de ver o clube da capital numa tarde pífia, com Hazard com a cabeça longe da partida e Terry passando vergonha, vi bons valores no time de Liverpool, e reconheci o bom estrategista que é o técnico Roberto Martinez.

 

Com uma postura agressiva desde os primeiros minutos, Martinez colocou o time pra frente, com o astro Barkley, número 20, sendo um verdadeiro maestro da antigas e distribuindo o jogo, com quase todas as jogadas ofensivas passando por ele. O goleiro Tim Howard, que está prestes a se aposentar, impoe respeito e é um dos grandes goleiros da Premier League. Os volantes Mccartney e Gareth Berry são muito seguros e não deixaram passar nada nesta partida. O atacante Lukaku não foi tão bem, mas é um dos valores desse time. Meu diagnóstico final é que o Everton tem bons jogadores, mas carece de um elenco superior para aguentar a série exaustiva de jogos da temporada inglesa, e o Chelsea já dava adeus à disputa do título naquela partida, e eu sinceramente não sei por que o Mourinho ainda não foi demitido.

 

Tá na cara que os jogadores não apoiam mais o “special one” e é questão de tempo essa parceria acabar, tendo em vista que o português jamais passou mais de 3 anos em qualquer clube – este já é o terceiro ano de Big Mou nos Blues. Durante o jogo, reparei em algo que se repetiu em todos os jogos que fui posteriormente e provavelmente será uma constante daqui pra frente, sobre o comportamento dos torcedores. A impressão que dá é que todos ali estão nas arquibancadas e passarem bons momentos, nada mais que isso, e o resultado não tem tanta importância quanto para nós brasileiros. Os torcedores simplesmente batem palma com bons lances, cantam uma música ou outra, quando sai gol é entoada uma música animada e só. Sempre vão existir os torcedores do “amedoim”, que passam o tempo inteiro enchendo o saco e falando alto, mas no geral são educados – até demais. O silencio em alguns lances é assustador, vocês ouve até o barulho da bola e dos jogadores. É um choque de realidade que eu já estou me acostumando, mas eu prefiro tirar as coisas boas disso, como segurança, poder beber cerva sossegado no estádio (algo que eu não fazia há dez anos pelo menos) e não ter nínguem maluco pra bloquear sua visão. Aliás, no meu ingresso constava “obstructed view”, e eu estava com receio de que ficasse de frente para uma pilastra e isso prejudicasse minha visão do jogo, mas não aconteceu nada disso. Fiquei longe dos chamados pontos cegos e não tive problemas com isso. Mas meu conselho para quem ver no ingresso algo assim é se certificar antes de comprar, por que realmente vi lugares muito ruins lá, onde você perde até 50% da visão da partida.

 

Saindo do estádio, me senti muito seguro e cogitei a ideia de andar cerca de 6km na volta para o hotel. O clima era agradável (cerca de 11 graus) e resolvi curtir um pouquinho a cidade, mas antes dei um “rolê” em volta do Goodison e pude acompanhar os típicos torcedores ingleses voltando para casa, num clima de tranquilidade e harmonia. Não há qualquer sinal dos hooligans, torcedores encrenqueiros do futebol inglês. Ao que parece, eles foram extintos dos principais clubes da Premier League e nem policial eu não vi muito policial do lado de fora.

 

Deu para curtir mais um pouquinho meus últimos momentos em Liverpool, apreciar a estátua do ex-jogador Dixie Dean, que até hoje é coroado com flores dos torcedores e a parede contendo nomes de pessoas ilustres que passaram pelo clube, seja torcedores, dirigentes e jogadores. No caminho da volta, passei pelo mítico Anfield Road, que fica muito perto do Goodison, e não vi nenhum tipo de problema. Inclusive, num parque ao lado do estádio do Everton vi pai e filho com a camisa do Liverpool jogando bola tranquilamente enquanto torcedores adversários passavam tranquilamente, sem nem notá-los. São coisas simples de serem conseguidas aparentemente, mas que demandam tempo para evoluirem, como a extinção dos arruaceiros das arenas. Na volta para Dublin, Irlanda, cidade em que resido atualmente, fiquei com uma vontade tremenda, porém irreal, de virar sócio do Everton e comprar o carnê para a temporada, para curtir essa sensação maravilhosa o ano inteiro, mas me contentei com a possibilidade de conhecer outros estádios pela Europa. E muitas outras “aventuras” serão reportadas neste blog, nesta minha parceria com a jornalista Syanne Neno. Espero encontra-los novamente neste cyber-espaço com frequência. Mas informações sobre mim no perfil (Link).

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Durante entrevista coletiva concedida à Imprensa, no final da manhã desta terça-feira, 1 de dezembro, o Presidente do Paysandu, Alberto Maia, apresentou o novo executivo de futebol do Clube, Alex Brasil, contratado junto ao Londrina-PR, anunciou a renovação de contrato do atacante Betinho, dos zagueiros Lombardi, Pablo e Gualberto entre outros jogadores, e a disposição do Clube em emprestar o meia Djalma e o atacante Leandro Carvalho para o futebol paulista. Mas o que chamou atenção de todos foi o anúncio da contratação do meia Vélber, hoje com 37 anos. O paraense Vélber começou na Tuna, foi para o Remo e chegou ao Paysandu em 2002. Neste ano, começou a ajudar a escrever os capítulos mais gloriosos da História do Paysandu Sport Club. Foi campeão paraense, Campeão da Copa Norte e Campeão dos Campeões. Esteve no landário jogo da Bombonera, quando o Papão venceu o Boca Juniors por 1 x 0. Vélber figurou, ao lado de Vânderson, Sandro, Iarley e Robgol de uma das equipes mais brilhantes do Paysandu. Em 2004, o meia foi emprestado ao São Paulo. Começou como titular, mas foi perdendo espaço no time comandado pelo então técnico Cuca e que tinha no goleiro Rogério Ceni, um suposto desafeto do meia paraense.
Depois do São Paulo, vèlber foi pra Ponte Preta. Passou ainda pelo Fortaleza e em 2009, voltou a vestir a camisa do Paysandu, porém sem repetir o sucesso dos anos de ouro. Seu último clube no futebol paraense foi o São Raimundo, em 2011. Encerrou a carreira no Rio Verde, de Goiás, no ano seguinte.
Afastado dos gramados profissionais há 3 anos, Vélber voltou a ser notícia neste ano de 2015, mas por um motivo torto. Em maio, foi preso pela Polícia após determinação judicial pelo não pagamento de 50 mil reais de pensão alimentícia.
A contratação de Vélber foi justificada pelo Presidente Alberto Maia: “Trata-se de uma valorização do ser humano, da história que ele representou e da que ele ainda pode representar”
Vélber se apresentará na Curuzu no dia 4 de janeiro, junto com os outros jogadores contratados. A volta do “Risadinha”, como era conhecido o sorridente meia, foi considerada uma grande surpresa pelos torcedores do Paysandu nas redes sociais. Mas pode ajudar a escancarar o sorriso dessa torcida de volta, depois de 2 anos de “sorriso amarelo”, vendo o título paraense ir parar nas mãos do rival.

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Quem seria “O Iluminado” no atual elenco bicolor? Aquele cara que esbugalha o olho, assim meio Jack Nicholson no filme homônimo, obra prima de terror dirigida por Stanley Kubrick, na defesa por seu time? O capitão que algumas vezes dispensa braçadeira, o líder nato, o brigador, o eficiente, o CARA?  Até o dia 18 de agosto, eu sentia falta desse jogador no Paysandu. Pikachu era o talento, Capanema era a raça. Mas era preciso mais do que isso. Era preciso nos extasiar. Foi o que Emerson começou a fazer com esta cronista que vos escreve, no jogo com o Fluminense, pela Copa do Brasil. No passe de peito de Ronaldinho Gaúcho para Fred, o Iluminado tricolor foi parado pelo reflexo do goleiro bicolor. O êxtase proporcionado pelas defesas de Emerson continuou durante toda a série B. Mais do que ‘O Iluminado’, o goleiro paulista foi se consagrando um acrobata de mármore, ágil, elástico e firme, fazendo defesas importantes contra o ABC, Sampaio, Botafogo, Atlético Goianiense, Mogi Mirim…

Na despedida do campeonato, no último  sábado, 28, contra o Oeste, em São Paulo, Emerson encerrou sua participação na série B deste ano “mitando” mais uma vez. Surpreendentemente, ele furou em um chute do atacante paulista, mas logo em seguida se recuperou incrivelmente com uma difícil defesa. Talvez Emerson tenha errado justamente para mostrar que é falível. Aliás, nada mais humano do que a posição de goleiro. Ele, que agarra a vida como todos nós. Afinal, quantas vezes precisamos nos defender das armadilhas do cotidiano e ter o reflexo necessário para evitar o pior? Mas, ufa, ainda bem que em certos jogos da vida, conseguimos evitar o pior, assim como eles. Goleiros muitas vezes interrompem o que seria o ponto final do adversário.

Goleiros recomeçam um parágrafo. E podem recontar uma história. Emerson pode ser muito mais útil para o Paysandu durante o Parazão. O primeiro jogador a renovar contrato com o clube pode se tornar uma arma nas cobranças de falta. De 2010 a 2013, o goleiro atuou pelo Guarani e cobrou 3 faltas em jogos oficiais. Fez 2 gols.Um deles contra o Atlético Paranaense. (veja vídeo abaixo)

 

Com a saída de Pikachu, o menino da lapada certeira, por que não aprimorar os treinamentos e se tornar uma opção para as cobranças de falta? Seria o que faltava para “O Iluminado” reforçar ainda mais sua estrela. Essa temporada de sucesso à frente do Paysandu bem que merece um cartaz a mais.