Londres, a capital do futebol

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3 jogos, 1 dia: o dia de Forest Gump, o estádio no meio do parque ao lado do Rio Tamisa e show de Sérgio Aguero na despedida de Upton Park, em mais de sete horas de muita correria na capital do futebol

Quando ainda era pré-adolescente, cheio de espinhas na cara e nem sonhando em ser jornalista, eu folheava as matérias da revista Placar sobre a quantidade de clubes de futebol em Londres, e como cada agremiação, por menor que fosse, tinha seu significado dentro do bairro, sua importância e torcida. Não importa a divisão ou o momento, sempre os torcedores vão estar lá, e eu achava isso fantástico. Tive uma ótima experiência em Buenos Aires e pude acompanhar de perto esse amor que as pessoas da cidade, de uma maneira geral, nutrem pelo clube, se sentindo realmente representados por eles, como uma espécie de identidade.

Em Londres encontrei um cenário parecido, até mais forte. A megalópole inglesa é, sem dúvida, a capital do futebol. Por isso, nos meus tempos de puberdade, em que meu maior “feito” era ter assistido alguns RexPa no Mangueirão, ir para a Grã Bretanha parecia um sonho distante, praticamente impossível. Mas eu me visualizava dentro dessas arenas, e nos meus sonhos eu sempre assistia várias partidas em um dia. Mais de 15 anos depois, consegui por em prática este “desafio”. Porém a missão foi complicada, árdua, e teve momentos em que pensei em desistir, mas às 19h30, horário em que West Ham 2 x 2 Manchester City terminou, pude contemplar tudo o que tinha acontecido em 23 de janeiro de 2016, o dia mais corrido da minha vida até aqui, literalmente.
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A aventura começou por volta do meio-dia, horário em que cheguei no meu Hostel situado próximo à estação de metro Fulham Broadway, que fica à duas quadras de Stamford Bridge, casa do Chelsea FC. Cheguei à acomodação correndo, só joguei minha mochila na cama e parti para o primeiro jogo do dia, Queens Park Rangers x Wolverhampton, em Loftus Road, pela Championship inglesa (segunda divisão). Tinha credencial de jornalista, por isso não podia atrasar tanto. E foi aí que começou meu dia de Forest Gump, de muita correria pelas ruas londrinas. Depois de descer em uma estação, que esqueci o nome, e perguntar para um transeunte qual a direção do estádio, comecei minha peregrinação, com um preparo físico que nem eu sabia que tinha, influenciado pela adrenalina do momento.

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No meio do caminho, passei por um bairro de pessoas com alto poder aquisitivo, mas logo em seguida me deparei com um bairro mulçumano, bem pobre, tipo a favela de lá. Nas áreas pobres europeias não existe ruas sem pavimentação, falta de saneamento e outras falhas governamentais que vemos no Brasil, mas é nítida a diferença entre um bairro e outro. Claro que por um momento fiquei receoso, principalmente com as notícias de terrorismo na cidade, e a cara fechada dos habitantes desse bairro só aumentaram meu temor inicial, mas logo tudo acabou bem, e eu já tinha avistado Loftus Road. A entrada do estádio é meio confusa, ele fica dentro de um bairro residencial, e tive que rodar ele para achar o setor de jornalistas. Assim que achei, peguei a credencial e pude curtir uma agradável partida, com um pouco de sol que ainda restava do dia.

O estádio é acanhado, pequeno mesmo, mal cabem 20 mil pessoas, mas muito confortável, com uma ótima visão de jogo em qualquer ponto das arquibancadas. Construído no século XIX, ele é um dos poucos estádios que ainda não foram modernizados no futebol inglês. A torcida estava presente, praticamente lotando todos os setores, mesmo a equipe ocupando apenas a 17° posição na tabela e correndo sério risco de ser rebaixado. Em todos esses meus anos acompanhando futebol, nunca presenciei um estádio tão “família”, com tantos filhos, sobrinhos, mulheres, netos, tataranetos etc na companhia de seus respectivos parentes, e ainda por cima torcendo ativamente pelo clube. Com 1 a 1 no placar, os fãs do QPR estavam loucos com o juiz, que segundo um torcedor me falou, “estava roubando o time na cara de pau”. Eu não vi nenhuma irregularidade do arbitro, mas concordei com ele para ser educado.

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“We are QPR”. Quando a equipe estava na primeira divisão, há uns anos atrás, sempre lia esses dizeres nas placas das arquibancadas centrais, e pensava até que este seria um clube emergente, pelos investimentos que eram feitos entre os anos de 2008-2013. Mas foi mais um caso de um time que teve grana vinda de investidores do oriente médio, que logo em seguida abandonaram o clube, em situação semelhante à do Malága da Espanha. Sem dinheiro, o elenco não possui nenhuma estrela, tem como treinador o lendário Jimmy Floyd Hasselbaink (ex-jogador Chelsea) e o atleta mais conhecido é o volante Sandro, que foi dispensado pelo Totteham. Comparado ao rival, estava bem atrás em níveis técnicos que o Wolverhampton, time cujo elenco era superior, e não à toa brigava por uma vaga nos playoffs de acesso. Mas os Wolves não estavam em tarde inspirada, não conseguindo furar a retranca dos mandantes, e o empate não foi bom para os dois.
 

Mesmo assim, a torcida aplaudiu o time, reconhecendo que os jogadores deram seu melhor. Percebo esse reconhecimento pelo esforço dos atletas pela torcida em quase todos os jogos que fui até agora. Não importa o resultado ruim, e sim o comprometimento de quem veste a camisa do clube dentro de campo. Atleta cachaceiro, que vive na balada e não se doa nos 90 minutos não tem vez aqui, não importa o tamanho do time. O comprometimento às vezes é mais valorizado até que a parte técnica, e é difícil ver jogadores com aquela barriguinha de chope. Foi aí que eu percebi o quanto somos mal representados pelos jogadores dos clubes do Brasil. A maioria não tem comprometimento e o mínimo de respeito pela torcida, que no final das contas é a que paga seu salário. É por isso também que muitos brasileiros não dão certo em clubes europeus, por conta do alto grau de exigência, não apenas dos dirigentes, mas também dos fãs.

Saí de Loftus Road carregado de boas vibrações, que veio desde o porteiro que abriu o portão para mim, passando pelos jornalistas da assessoria de imprensa, dos outros funcionários do clube e torcedores, de um clube pequeno no tamanho, mas enorme no coração dessas pessoas. E ainda eram 14h20! Tinha 40 minutos para chegar à Craven Cottage para assistir a Fulham x Hull City, também pela Championship, e presumi que teria um percurso tranquilo, considerando que desceria novamente em Fulham Broadway, e o estádio seria próximo à estação. Ledo engano. Ao descer em FB, segui o caminho que me disseram, para percorrer a rua Fulham Road, mas ela parecia não ter fim! Faltando 10 minutos para começar o jogo, ainda estava na bendita rua, e nada do estádio chegar. No caminho, “encontrei” Stamford Bridge e aproveitei para tirar uma foto. E nada do estádio aparecer. Andei, corri, esperneei.. e nada!
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Já estava atrasado 15 minutos e nem sinal da arena. Pensei em desistir. Perguntava e nínguem mais sabia aonde era a bendita Craven Cottage. Eu já estava sem esperanças quando avistei um senhor de idade, que me deu uma luz. Disse para eu entrar em um parque (!?) e no final encontraria o estádio. Achei estranho, mais acatei a dica. E toma-te mais 15 minutos correndo no meio do parque (Bishops), muito sombrio e meio bizarro. Parecia cenário de filme de terror. Até que achei a Craven Cottage, e apesar de ter perdido o primeiro tempo, admirei  a linda vista do rio Tamisa do lado leste das arquibancadas. Que estádio fantástico!
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Avistei o por do sol avermelhado enquanto confortavelmente sentava no meu assento, admirando aquela atmosfera única. Apesar de só possuir títulos de divisões inferiores, o Fulham é um dos clubes mais tradicionais da Inglaterra, possuindo rica história e uma grande rivalidade com o Chelsea FC. Os “supporters” também são muito atuantes, e pouco importava se o time estava brigando para não cair: não paravam de cantar um minuto! A paisagem linda do estádio, história marcante e os fãs fazem do Fulham uma potência, mesmo que decadente em termos de resultados. Com muita bravura, Scott Parker e cia empatavam com o líder da Championship, Hull City, e ameaçaram várias vezes o gol adversário, com investidas de McComark, artilheiro da equipe, e Dembelé.
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Mas a poucos minutos do fim, Hernandez anotou de penalti o tento dos laranjas de Hull,, decretando a derrota dos donos da casa por 1 a 0. A saída do estádio foi uma das mais engenhosas que já vi. Como não sabia com precisão voltar por aquele parque, segui o fluxo dos torcedores, que depois de longo percurso no rio Tamisa, entraram em várias ruas estreitas, e imaginei quantas brigas entre hooligans já aconteceram ali no passado, entre aquelas casas bonitas e chiques. Não estava com tanta paciência para admirar mais, pois às 17h30 tinha o grande jogo da noite, entre West Ham x Manchester City, numa das últimas apresentações em Upton Park. Depois de finalmente chegar na estação, esperei por mais de 30 minutos o metro chegar no outro lado da cidade, e desci na longínqua estação Upton Park, também nome do estádio dos Hammers.
Esse foi o único ingresso que paguei para entrar, e por (muito) pouco não fiquei no lado de fora. Com apenas 20 minutos (!?) de atraso, entrei em dois portões e fui barrado. Estarrecido, questionei que ainda era o primeiro tempo, mas um dos funcionários me avisou que só abriam o portão “até 15 minutos de jogo”. Fiquei insistindo, falando que era brasileiro, que esse jogo era muito importante para mim blablabla, e o porteiro estava irredutível. Mas eu tive uma inesperada sorte. Uma mega confusão, daquelas de filme, aconteceu bem na hora em que eu falava com o segurança, e no meio do porradal generalizado entre fãs do City e Hammers, acabei entrando, num setor errado ainda por cima. Acabei vendo a partida do lado dos Citizens, atrás de um dos gols, o que foi bom para mim como experiência. Pude ver como se comportam torcedores adversários numa arena inglesa, e também como são hostilizados, principalmente em Upton Park, conhecida por vários episódios de hooligans e palco de vários documentários e películas sobre este assunto.
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Na minha direção, por sorte não aconteceu nada, mas ao redor, principalmente do lado da torcida local, vi muita, muita confusão. Porrada mesmo, das antigas, igual ao filme “Hooligans”, de 2005, com Ellijah Wood. Os torcedores do Hammers ao lado provocavam muito, parecem que só estão lá para brigar, mas a polícia agiu rápido e conteve os arruaceiros. Tudo com várias bolhas, ou “bubles”, no ar, característica da torcida em jogos no Upton Park. A música “im forever blowing bubbles” é entoada a plenos pulmões no início e fim das partidas, mas no meio do jogo é comum vários torcedores ainda assoprarem bolhas pelo estádio, num espetáculo bonito, marca registrada do time. Mesmo estando no meio de tudo isso, no pior lugar do estádio (torcida adversária), em nenhum momento me senti inseguro, de verdade. A polícia agia tão rápido que nem dava para bater foto das brigas direito, tamanha eficiência.
 

O cansaço da maratona começou a bater, mas estava vidrado em mais um grande jogo de futebol. Os dois times procurando gol, torcida do West Ham cantando a toda hora para empurrar o time, e show de Sérgio Aguero. Enner Valencia marcou os dois tentos dos mandantes, e o endiabrado argentino mais uma vez teve atuação de gala: marcou um gol de penalti, e praticamente sozinho, após trocas de passe com os companheiros de frente, achou espaço para marcar um lindo gol, na raça, sem chance para Adrian, empatando o jogo em 2 x 2. Ver esse gol a poucos metros do lance compensou todos contratempos que tive para estar, de forma equivocada, neste setor.
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Fim de jogo, fim de mais um dia “full” de futebol. Com tantos afazeres em Dublin, sabia que para assistir outro jogo daquele iria demorar pelo menos mais dois meses, então, depois de um suspiro de despedida, admirei Upton Park. Seria minha última vez ali, pois a equipe jogará em outro estádio, no moderno Olimpic Stadium, a partir de agosto deste ano. Mesmo com os problemas, se morasse em Londres seguramente escolheria o West Ham para torcer, por sua torcida, história e pela moderna arena que vem por aí. Time como os Hammers são mais reais. Times como Arsenal e Chelsea são megapotências, milhões de investimentos e muitos turistas. Isso muda completamente a atmosfera dos jogos em minha opinião.

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Depois de bater um papo com os torcedores do City, sobre o por quê da equipe está jogando tão mal, e apenas Kun Aguero jogar bem regularmente, todos foram unânimes em dizer que é tudo culpa das especulações sobre Pep Guardiola ir para o clube na próxima temporada. Eles disseram que está tudo praticamente sacramentado, mas que desistiram de 2015-2016. No meio da conversa, mais um quebra-pau, dessa vez sério e próximo de mim. Foi a deixa para voltar pro hostel. Na volta, uma longa fila para pegar o trem, mas tudo muito organizado. Não teve nenhum indício de confusão no trajeto. Chegando em Fulham, tive apenas forças para comer um sanduiche velho que tinha em minha mochila e tomar um banho. No dia seguinte, Arsenal x Chelsea jogariam pela Premier League, mas o ingresso de cambista estava 200 libras, com antecedência (!) e o credenciamento tem que ser solicitado um mês antes do jogo. Preferi deixar o Emirates para uma próxima oportunidade, com mais calma. Depois de três jogos em um dia, fui passear um pouco pela cidade inglesa, ver alguns pontos turísticos e me preparar para o voo de volta. Londres, capital do futebol, espero vê-la em breve, com calma. Seus encantos atiçaram meus sentidos. Suas possibilidades me deixaram com gosto de quero mais.

 

 

Com 800 unidades vendidas de forma antecipada, o Paysandu apresentou na noite desta quarta-feira, 27, seu uniforme para a temporada 2016. Mais de 800 pessoas estiveram presentes no evento, que abriu um novo capítulo na história do clube, que passa a ser o primeiro do Brasil a ter uma marca própria de material esportivo.

A nova camisa do Paysandu foi confeccionada pela Bomache, empresa que comercializa produtos licenciados do clube, em dois tecidos diferentes, tendo a tecnologia “All Dry”. Outra novidade são as estrelas, referentes ao três títulos nacionas conquistados pelo clube, que atendem ao padrão da CBF. Além disso, o clube cria a marca “Lobo”, presente no lado direito do escudo, que vem em forma de patch e é bordado em tecido fino. “Esse ano nós queríamos homenagear os dois tons de azul do Paysandu, o azul celeste e o azul royal”, disse o diretor de marketing do clube, Renato Costa.

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Para ter uma marca própria de material esportivo, a diretoria do Paysandu recusou algumas propostas de grandes fornecedoras do ramo. Segundo o presidente do clube, Alberto Maia, a ideia vinha sendo trabalhada desde o ínicio do ano passado. “Sabemos o quão exigente é o nosso torcedor. Sabíamos que era preciso encontrar um parceiro que entendesse que nós precisavámos oferecer no mercado um material de qualidade, um produto de qualidade. Contratamos uma empresa que se dispos a trabalhar com esse material de qualidade, e o importante é dizer que hoje o Paysandu pode usar qualquer empresa no Brasil e no mundo, porque a marca é nossa, pertence ao Paysandu”, disse o mandatário do clube.

Ainda de acordo com o presidente do clube, a questão financeira não foi a única preocupação da diretoria no projeto de criação de uma marca prórpia. “Nós nos preocupamos não só com o valor monetário que será auferido pelo Paysandu. Nós nos preocupamos com a possibilidade de lançar nossa marca própria porque a gente sabe que o torcedor do Paysandu compra camisa do Paysandu, e o mais importante pra gente é poder oferecer ao nosso torcedor uma camisa de última geração, uma camisa de qualidade”.

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Entre os presentes no evento, o analista de sistemas Rodrigo Silva, 30 anos, aprovou a nova camisa do Paysandu. “A nova camisa é linda, as cores resgatando o azul celeste mesmo é o que eu mais gosto (na nova camisa). E esse tom de degradê deu um charme especial pra ela. Eu acho incrível como o Paysandu evolui a cada ano. Lançar uma marca própria é dá vários passos a frente na história, e arrecadar muito mais dinheiro, pois a torcida é apaixonada, louca pela marca. Independente do que vem a torcida compra, a torcida banca o time, a torcida ame esse clube. Então é importante ter o Paysandu, essa marca do Papão”, disse Rodrigo.

Quem também prestigiou o lançamento do material esportivo do Paysandu, foi o ex-jogador, e um dos maiores ídolos do clube, Beto. Orgulhoso, o ex-meio-campista bicolor destacou o trabalho feito pela diretoria do clube como fundamental para o atual momento do clube. “Eu já participo desse clube há mais de 50 anos e vejo as mudanças acontecerem porque nós temos que acompanhar sim a evolução do tempo, e o Paysandu está caminhando para isso. Só tenho que parabenizar esse grande momento do clube, parabenizar todos que comandam o Paysandu através do senhor presidente Alberto Maia, do conselho, senhor presidente Ricardo Gluck Paul. Pra mim é um motivo de alegria.”

*Com a colaboração de Junior Cunha

** Fotos Fernando Torres/ASCOM Paysandu

 

 

 

   Por: Felipe Barros, blogueiro carioca do virandoojogo.com

 

 

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Presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello virou símbolo das administrações responsáveis

 

 

“Depois de muitos anos de amadorismo, alguns clubes do futebol brasileiro começaram a adotar uma política de contenção de gastos, com o objetivo de equacionar as dívidas milionárias e, no futuro, conseguir montar times fortes com responsabilidade. A pergunta é: será que esse futuro já está chegando para algum clube?

 

Um exemplo claro sempre lembrado pela mídia e pelos torcedores é o Flamengo. Desde 2013, com a vitória de Eduardo Bandeira de Mello nas eleições presidenciais, o rubro-negro abandonou a política do “devo e não nego, pago quando puder” e passou a gastar somente o que cabia dentro de seu orçamento, mesmo que isso se refletisse em um período de elencos medianos e ausências de títulos.

 

E, de fato, clube carioca montou elencos sem pompa. Os títulos até vieram: em 2013, o Flamengo venceu a Copa do Brasil e, em 2014, o Campeonato Carioca.  Ainda assim, parte da torcida rubro-negra questionava se a nova política estaria dando certo. Afinal, um clube como o Flamengo tem que entrar em todos os campeonatos para ser campeão, certo? Nem tanto…

 

Depois de dois anos sem grandes times e com campanhas fracas no Brasileirão, o ano de 2015 tinha tudo para ser o primeiro no qual o Flamengo colheria, dentro de campo, os frutos de seu planejamento financeiro. Mais uma vez, porém, o rubro-negro não passou de figurante na competição, aumentando ainda mais as críticas e renovando a promessa para 2016. O grande problema é que, ao mesmo tempo em que Bandeira de Mello e sua turma entendem de finanças, ainda lhes faltam um bom conhecimento do campo e da bola.

 

Com cerca de R$ 2 milhões para incrementar a folha salarial a partir de maio do ano passado, a turma da Gávea poderia ter trazido bons jogadores para as posições mais carentes do elenco. Porém, praticamente todo o capital foi investido em três atletas de frente: Guerrero, Emerson Sheik e Ederson. O primeiro era um bom nome, mas não a altura do salário de R$ 900 mil reais. O segundo já não era mais nenhum menino, mas veio com status de grande craque. Já o terceiro foi claramente um equívoco: entre 2012 e 2015, Ederson havia feito apenas 50 jogos. Faltou uma boa avaliação para usar melhor o dinheiro conquistado a duras penas.

 

Para 2016, com o aumento das cotas de TV, a cobrança será ainda maior. Mais uma vez, dinheiro não é problema: por enquanto, o rubro-negro não contratou nenhum grande craque, mas trouxe bons jogadores para as posições mais necessitadas. O trabalho está sendo feito, resta saber se será convertido em taças.

 

 

Após um aumento de R$ 120 milhões na sua dívida em 2014, o Corinthians passou quase todo o ano de 2015 sofrendo com salários atrasados e problemas financeiros.  Em meados do ano passado, o Timão colocou o elenco à venda e acabou perdendo alguns jogadores importantes como Guerrero, Sheik, Fabio Santos e Petros. Por sorte e insistência de Tite, nomes como Jadson, Elias e Renato Augusto permaneceram. O treinador corintiano, por sua vez, tornou-se o grande responsável pelo título brasileiro, trabalhando de maneira brilhante com um elenco enxuto após o desmanche.

 

A maior campanha da história do Brasileirão não representou alívio financeiro para o Timão: o clube fechou o ano no vermelho, com déficit de R$ 50 milhões. A solução encontrada foi, mais uma vez, se desfazer do elenco. O mercado chinês veio com tudo para cima do Corinthians, que não pôde fazer nada para impedir: Jadson, Renato Augusto, Ralf,e Gil saíram com destino à Ásia. Fora Vagner Love, que foi vendido para o Mônaco. Foram necessárias as vendas de cinco titulares para começar a saldar o rombo de 2015.

O que vale mais a pena, afinal? Na mente passional de um torcedor, pode ser que o modelo corintiano seja melhor, afinal, o clube vem de uma sequência de grandes títulos. Ao pensar lógica e eticamente, porém, não há dúvidas: trabalhar com responsabilidade financeira é o caminho ideal – e o mais honesto, se é que alguém ainda se importa com isso no futebol brasileiro…”

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Neste sábado, 23 de janeiro, na Sede Social do Clube do Remo, acontece a eleição para escolher o novo Presidente azulino, que vai assumir o clube por um período de 10 meses. 10.043 sócios estão aptos a votar. A eleição vai acontecer das 8 da manhã às 5 da tarde. Temos 4 chapas concorrendo ao pleito. Os candidatos à Presidente são Miléo Junior, Zeca Pirão, Alcebíades Maroja e André Cavalcante.
Confira o que cada um dos candidatos pensa sobre assuntos pontuais na atual realidade azulina.

1 – Por que você decidiu concorrer à presidência do  Remo?

Alcebíades Maroja:

Acredito que temos excelentes profissionais ao nosso lado. O Remo precisa, em primeiro lugar, de transparência, colocar profissionalismo na sua gestão, não exclusivamente no futebol, mas como um todo. Na parte financeira, contábil, no marketing, no Nação Azul… Nós nos reunimos e formamos uma equipe com ideias, propostas e projetos de gestão. Por amor, não havia condições, falo por mim, de uma dedicação ao Remo em tempo integral por causa do meu trabalho, então pedi a minha aposentadoria. Hoje eu posso me dedicar exclusivamente ao Remo.

André Cavalcante:

Minha candidatura surgiu de maneira natural. Surgiu pelo trabalho e comprometimento em prol do Clube, tanto no CONDEL, quanto no programa sócio torcedor (Nação Azul) e mais recentemente na Diretoria de Futebol. As pessoas viram isso e a partir da grande adesão, aceitamos ser candidato ao cargo de Presidente.

Miléo Junior:

Ser presidente, acredito ser o sonho de qualquer remista!
Minha decisão veio do apoio e respaldo à minha candidatura de grandes remistas e por me sentir preparado para enfrentar esta honrosa missão e assim ter oportunidade de iniciar um processo transformador em nosso clube.

Zeca Pirão:

Pelo amor e respeito que sinto e, porque ainda tenho muito a colaborar. Infelizmente, não consegui me eleger na eleição passada, pois se isso tivesse acontecido, muita fatos não teriam ocorrido. Tenho um compromisso moral com meus torcedores, além de um time forte: A conclusão do Baenão.

2 – Quais as medidas para equacionar as dívidas do clube?

Alcebíades Maroja:

O que acontece não vem de hoje, existe uma inviabilidade de gestão. Queremos colocar o Remo em uma situação de equilíbrio econômico para que ele possa, pelo menos, concluir uma temporada com equilíbrio nas suas contas. Mas o Remo não tem balancete desde o início de 2000, não se sabe hoje quem é o passivo, quem é o ativo nas contas. O primeiro passo é fazer uma auditoria. O segundo é identificar as falhas, elas precisam ser apuradas. Não existe caça às bruxas, ate porque todos que passaram aqui, isso é um pensamento meu, deram seu sangue, sua vida por amor ao Remo, mas se houve erros, eles têm que ser apurados. Nós faremos algumas sindicâncias, eu falo do estádio, dos R$ 423 mil reais (que foram levados no assalto à sede), do que não foi depositado de INSS, FGTS, que se tornou um crime federal.
A informação que nós temos é que o Remo pagou a metade do salário de setembro ao elenco de futebol. Nós não temos informações concretas sobre absolutamente nada. Inclusive eu deixo aqui que ocorreu uma reunião com os pré-candidatos e o Manuel Ribeiro, que se colocou aberto para qualquer informação, mas nós estamos tendo extrema dificuldade de conseguir isso. A situação financeira e econômica está difícil. Peço que a diretoria interina se empenhe, e entregue e preste conta da receita, que faça um balanço da gestão. O problema financeiro existe em parte pelo descontrole. O Remo não tem um balanço, não sabem quanto se arrecada e gasta. Não existe prestação de contas.

André Cavalcante:

Investir no que está dando certo, como o Sócio Torcedor e as Lojas franqueadas; buscar novas fontes de renda, como novas parcerias e lançamentos de novos produtos; além do incremento das fontes tradicionais, como a bilheteria dos jogos, a partir a formação de um time forte e vencedor.

Miléo Junior:

Profissionalização da gestão com transparência, cumprindo contratos gerando credibilidade e estabelecendo uma responsabilidade com as finanças do clube, só gastando o que efetivamente se arrecada.

Zeca Pirão:

Já estamos com equipe que irá confeccionar um estudo detalhado das dividas do Clube do Remo. Nossa primeira providência à respeito, será reunir com os setores Juridico, Administrativo e Financeiro do Clube do Remo, e, literalmente, tomar conhecimento de todos os débitos que o nosso clube possui. Após esse procedimento, não envidaremos esforços para equalizar essa situação.

3 – Como evitar as penhoras?

Alcebíades Maroja:

Se nós conseguirmos, dentro da receita líquida do Remo, tirando os bloqueios de renda e pagamento de impostos, reservar 10% de toda essa arrecadação com aluguel, bilheteria, sócio torcedor, proprietário, enfim, montaríamos um fundo de reserva financeiro para viabilizar esse período em que o Remo estará sem competições, o pagamento dos funcionários que fazem o Remo funcionar e dos jogadores que vão continuar no plantel. Mas pra isso tem que ter uma disciplina fora do comum e isso, posso garantir, eu tenho. Vamos criar um escritório ligado ao marketing para captar recursos e criar projetos, buscando parceiros não só na esfera publica, como também na privada e corporativa, viabilizando a estrutura financeira do clube

André Cavalcante:

Pagar os débitos e honrar acordos, em especial na Justiça Trabalhista.

Miléo Junior:

Com gestão do nosso departamento jurídico junto a Justiça do Trabalho, Justiça Federal e Justiça Comum. Cumprindo os acordos firmados. Aliado com a organização administrativa, visando sanear o Clube.

Zeca Pirão:

Com responsabilidade. Assumindo e honrando os compromissos. Para que isso ocorra, esses compromissos tem que ser equânimes com a realidade do Clube do Remo. Não podemos disponibilizar toda a Receita para as dividas já assumidas. Teremos inúmeras familias sob nossa proteção, que são os funcionários. Se trabalham, merecem e tem que receber, para poder produzir mais e, levar o sustento para os seus.

4 – Como você vê o programa de sócio-torcedor? Existem projetos para o fomentar? 

Alcebíades Maroja:

No mundo inteiro tem se valorizado o sócio torcedor, e nossa gestão valorizará mais ainda o sócio. Vamos valorizar aquele que comprou um título de sócio-proprietário. Hoje, o Clube do Remo não retribui nenhum serviço cobrado. E também valorizar o sócio torcedor, pois se eles foram motivados, o que for arrecado deles, conseguimos pagar algumas dívidas e o dinheiro da bilheteria seria direcionado para outras áreas.

André Cavalcante:

Como Diretor do Nação Azul e, portanto, conhecedor das suas enormes possibilidades, só posso vê-lo como a mais promissora e imediata fonte de recursos para o Clube, já que em um curto espaço de tempo podemos chegar a patamares capazes de garantir a folha da folha salarial do clube. Para fomentar o aumento da arrecadação, teremos em 2016 novidades como o lançamento do programa de pontuação, clube de vantagens, convênio com o  Cartão Mais Saúde, loja itinerante e muito mais.

Miléo Junior:

É um programa de suma importância para qualquer clube de massa. Contudo a implementação efetiva requer ajustes pontuais visando combater a inadimplência e evitando que se torne um concorrente da bilheteria do clube. Fomentá-lo sugere a adoção de medidas que efetivamente atraia o torcedor sem contudo cause prejuízo a receita do clube. Diversificar as categorias de ST e escaloná-lo poderá ser uma das alternativas que iremos avaliar.

Zeca Pirão:

O programa sócio torcedor é uma realidade em todos os clubes de futebol, sua receita alavanca e ajuda na resolução de dividas, contratações e na vida cotidiana de um Clube.

Claro que temos projetos para fomentar ainda mais, para atrair o torcedor para nosso seio. No momento certo esses procedimentos serão apresentados à nação azulina.

5 – Em caso de vitória, pensa em aglutinar forças com alguém das chapas concorrentes?

Alcebíades Maroja:

Sim. Há a possibilidade de juntar forças com chapas concorrentes, porque todos aqui temos- praticamente- os mesmos interesses, que é buscar melhorarias em todas as áreas do Clube do Remo.

André Cavalcante:

O Remo tem que estar acima de tudo. Vencendo, vamos estar de braços abertos para receber ajuda de todos aqueles que amam o Remo.

Miléo Junior:

Com nossa vitória todos os remistas serão convidados a nos ajudar independente de chapas ou grupos. Afinal, é o bem do clube que todos queremos e este momento pode ser uma oportunidade impar para iniciarmos um projeto transformador e perene para a nossa e as futuras administrações do clube.

Zeca Pirão:

Evidente que sim, não somos inimigos e sim adversários em uma luta em prol do Clube do Remo. Seria muito salutar que não tivesse essa disputa, para este mandato tampão. Procuramos todas as chapas, levando essa proposta. Infelizmente, eles já tinham assumido compromisso com seus correligionários, e, não puderam assim proceder.

6 – Quais os planos para o Baenão e a modernização da sede social?

Alcebíades Maroja:

Em 10 meses é impossível dizer que vou levantar tudo. Existem algumas pessoas que estão dizendo que tem R$ 3 milhões para colocar lá. Vai ser feita uma perícia técnica para se calcular o prejuízo ocasionado pela derrubada que fizeram no estádio. Vai ser verificado, dentro de uma sindicância, quanto foi arrecadado com a venda de cadeiras e camarotes. Vamos fazer essa sindicância e ajuizar uma ação para que o responsável devolva o patrimônio derrubado. Vamos buscar parceiros, mostrar a visibilidade que o Baenão oferece para quem aceitar reconstruir o estádio. Temos parceiros em mentes, mas não podemos divulgar ainda.

André Cavalcante:

Antes que qualquer intervenção no Baenão, precisamos fazer um estudo sério de viabilidade do estádio. A partir das respostas deste estudo, poderemos mensurar se teremos ou não condições de investir no modelo definido. Precisamos ter responsabilidade com as finanças do Clube.

Em relação a sede, desenvolveremos o plano diretor da área. Vamos promover a padronização arquitetônica e, assim, a criação de novas áreas de lazer para atender nossos associados.

Miléo Junior:

Estamos propondo a criação de uma diretoria exclusiva para trabalhar os projetos estratégicos para o clube, o retorno a nossa casa, o Baenão, será uma prioridade e a modernização de nossa sede também, para oferecer opções reais de uso e com serviços de qualidade aos nossos sócios. Partindo do diagnóstico de cada realidade e do planejamento, iremos iniciar a prospecção de parceiros que possam vir nos ajudar a tornar todos os espaços do clube autosustentáveis.

Zeca Pirão:

BAENÃO – Na segunda feira, dia 25 de Janeiro de 2016, convido você a visitar o Baenão. Verá o verdadeiro campo de trabalho que ali estará sendo montado.

Nosso projeto e compromisso é dia 15 de Agosto, quando o Baenão completa 99 anos de existência, entregarmos para a torcida em sua totalidade (camarotes, cadeiras, arquibancadas). Tem muito a ser feito, mas vamos conseguir, com a graça de Deus.

7 –  Na sua possível gestão, o Clube do Remo vai aderir ao Profut?

Alcebíades Maroja:

Sim, claro. Aderir o Profut e colocar em prática e assim retirar o Clube do Remo do cadastro de devedores e recuperar a credibilidade.

André Cavalcante:

Sem dúvida nenhuma. O PROFUT é a grande chance do Clube controlar sua dívida tributária, com enormes vantagens, além de possibilitar que o clube passe a deter a Certidão Positiva com efeitos de Negativa, o que fará com que possamos captar recursos de órgãos estatais, assim como de algumas empresas privadas que exigem a prova da saúde financeira dos patrocinados.

Miléo Junior:

É um dos principais objetivos de nossa administração, caso nossos sócios nos dêem esta oportunidade. Criaremos uma Comissão composta de advogados, administradores e contadores, que irão analisar, ajustar, e aderir o PROFUT.

Zeca Pirão:

O PROFUT é uma realidade, não pode ser deixado de lado, é a maior responsabilidade do dirigente, a transparência, o respeito para o torcedor, aquela pessoa simples que por vezes tira de seu próprio sustento para ir ao estádio para ajudar seu clube.

 

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            Foto: Diego Beckman

Pelo oitavo ano seguido, a TV Cultura do Pará vai transmitir os jogos do Parazão. O Programa “Meio de Campo” começará uma hora antes dos jogos que serão transmitidos e terá a participação de jornalistas, ex jogadores e convidados debatendo a rodada. Quase 6 milhões de telespectadores em 116 municípios do Estado receberão o sinal da TV Cultura com a transmissão dos jogos. Além de uma nova dupla de apresentadores (assistam para descobrir quem são ;)) , o programa vai ter outro cenário, abertura e ganhará mais 20 minutos depois dos jogos, com uma mesa redonda debatendo as partidas pela internet (Portal Cultura) e pela televisão, aos domingos.

A Funtelpa repassa quase três milhões à FPF, além de Banpará e SEEL, que também entram na cota do Governo do Estado.

O investimento é de mais de 500 mil reais a cada campeonato, com pagamento de diárias, contratação de equipe, transporte e logística para garantir em média a transmissão de 40 jogos.

Este ano, com a volta do São Raimundo e Tapajós à disputa, 1/3 do Pararão vai acontecer em Santarém, o que exige ainda mais investimentos para garantir as transmissões.

O Parazão atrai olhares dos paraenses espalhados no mundo inteiro, é o maior evento esportivo do Estado, recebe investimento público e está alinhado com a missão da emissora, além é claro de ser uma ótima oportunidade para que novos telespectadores sintonizem a TV e descubram outros produtos da emissora”, destacou Adelaide Oliveira, Presidente da Funtelpa.

E atenção, o time do programa Meio de Campo já entra em campo no jogo de estréia do Parazão 2016, às 16 horas (horário de Belém) do dia 30 de janeiro, na preliminar de Tapajós x São Raimundo, em Santarém.

Por Mauro Tavernard

 

Jogo: Everton 2 x 1 Manchester City

Competição: Copa da Liga Inglesa (semifinal)

Estádio: Goodison Park

Cidade: Liverpool (Inglaterra)

Público: 38.978 (95% de ocupação)

Momento: Meu primeiro jogo na Copa da Liga Inglesa

Data: 6 de janeiro de 2016

Horário: 20h00 (horário UK)

Temperatura: 2 graus

Moeda local: Libra

Preço do ingresso: 15 libras (jogo)

Melhor jogador: Ramiro Funes Mori (desarmou Yaya Toure em lance perigoso, salvou quase gol do City e ainda marcou o tento dos Tofees)

Escalação:

Everton:

Joel Robles; Seamus Coleman, Ramiro Funes Mori, John Stones e Leighton Baines; Muhamed Besic, Gareth Barry, Ross Barkley, Gerard Deulofeu e Tom Cleverley; Romelu Lukaku. Técnico: Roberto Martinez.

Leon Osman, Kevin Mirallas e Arouna Kone entraram no segundo tempo.

MANCHESTER CITY

Willy Caballero; Gael Clichy, Nicolas Otamendi, Eliaquim Mangala e Sagna; Fernandinho, Fabian Delph, Yaya Toure, David Silva e Kevin De Bruyne; Sergio Aguero. Técnico Manuel Pellegrini.

Fernando, Jesus Navas e Martin Demichelis entraram na segunda etapa.

 

O melhor jogo do Everton na temporada (e o meu também) Godison Park, o estádio do Everton FC, situado na cidade de Liverpool, possui uma das maiores atmosferas de estádio de futebol que já presenciei na vida. A torcida, as comidinhas, o clima pré-jogo… Vários são os ingredientes que me fizeram optar por novamente ir para a casa dos Blues, ao invés de ir para outros jogos, como por exemplo Anfield Road, estádio do badalado Liverpool FC. Eu sei, o Liverpool é um dos maiores times do mundo blá, blá, blá, mas eu acabei pegando uma antipatia

involuntária desse clube desde o momento em que pisei em Dublin. Explico: por ser muito próxima à Liverpool (cerca de 45 minutos de vôo), e não possuir futebol local forte, muitos irlandeses escolhem times como Manchester United (30 minutos de carro saindo de Liverpool) e os Reds para torcerem. O resultado é um festival de camisas vermelhas, principalmente do Liverpool, e esse monopólio todo me lembra o Flamengo, e como bom vascaíno, só entro em Anfield para ver o Derby no lado dos Blues.

Voltando ao jogo, resolvi escolher esta partida, que não estava nos meus planos ou orçamentos, por conta do preço das passagens (20 euros ida e volta), ingresso (25 euros) e hostel (inacreditáveis 8 euros). Isso é menos que o ingresso que paguei no jogo dos Citizens pela Champions League mês passado. Ocorreu um erro do sistema da minha escola e acabei liberado das aulas essa semana, por isso aproveitei a chance. Para mim, a pequena e pacata cidade inglesa ainda reluzia em minhas memórias ensolarada, cheia de gente e alegre, como vi em setembro, na minha última visita. Mas desta vez o que vi foi um lugar cinzento, sujo, ruas desertas, frio e aspecto triste. Até ameaça de bomba teve na última sexta-feira, dois dias após o jogo (assim como em Paris, saí um dia antes da confusão).

Isso tudo só me fez perceber o quanto eu me identifico com a Inglaterra, sobretudo com as cidades afastadas de Londres, lugar em que as pessoas são realmente esnobes, “like” os parisienses. Em Liverpool ou Manchester, você ainda vai levar muita resposta torta, muita gente estúpida pode aparecer, como em toda europa, mais com bem menos frequência. No geral, as pessoas são simpáticas e super prestativas, lhe ajudam mesmo. Lugar ótimo para fazer amizades e curtir bons momentos, mesmo no penoso inverno inglês. Assim como Dublin, o sol é raro nesse período, e confesso que nem vi resquícios de luz.

Neste dia dark, cheguei no hostel por volta das 12hrs, e não tinha ninguém no meu quarto de seis camas. Antes havia passado no Tesco, maior rede de supermercados de UK, para comprar coisas para comer. Com tantos jogos em mente, o máximo de economia sempre é necessário, e nada melhor que ir num supermercado comprar comida semi-pronta, sanduíches e um suco. Fiz meu frango com arroz e curry no micro-ondas do hostel e, após a soneca, fui a caminho de Anfield Road, que fica a apenas 5 minutos à pé de Goodison Park (separados apenas pelo parque Stanley).

Não penso em ir em jogos do Liverpool FC, mas queria aproveitar a oportunidade para dar uma espiadela no mítico estádio. Brian Epsten, empresário dos Beatles e de família rica, morou em Anfield quando criança, e eu já sabia o que ia encontrar: um dos bairros com pessoas de alto poder aquisitivo. Verdadeiras mansões em volta, não apenas na rua citada, mas nas ruas menores próximas, e bem ao lado do estádio casas luxuosas sem grades ou muros altos. Em dias de jogos deve ser uma cena bizarra, principalmente com hooligans de times menores, mas lá tem cameras por todos os cantos, e poucos se atrevem a passar da linha, pois a punição é muito rigorosa.

Ainda eram 5pm, e a noite já havia chegado de fato. Fiquei admirando o estádio e seus arredores, avistei uma enorme construção ao lado, que faz parte da ampliação do estádio. Assim como em Old Trafford, reconheci o valor da Arena, a história do clube, mas não bateu a “liga”, e achei pequeno demais também. Para mim é muita badalação para um time que vive do passado, não ganha a premier leagua a mais de 25 anos e conquistou a Champions League de 2005 por pura sorte e incompetência do Milan na final. O time atual treinado por Jurgen Klopp é muito ruim, contratações caríssimas e jogadores mequetrefes que se acham estrelas, como Roberto Firmino. Desse time, só dá para salvar o goleiro Mignolet e Coutinho.

Atravessei o Stanley, que estava muito soturno, para tentar encontrar com os jogadores antes de chegar na cancha dos Blues. Havia combinado horas antes com um jornalista da Sky Sports chamado Mark, mas eles já estavam dentro do vestiário e ele estava ocupado, mas me apresentou rápido o lutador Tony Bellew, torcedor fanático do clube, que sempre aparece no ringue com o calção do time. Ele é campeão mundial de boxe dos meio-pesados e acaba de estrelar o filme “Creed”, de Silvester Stallone. Deu tempo de tirar uma foto antes dele ir para as cadeiras especiais assistir o jogo.

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Em todos as partidas que fui até agora, sempre chegava no jogo em cima da hora para aproveitar melhor a cidade, e perdia o pré-jogo nos arredores das partidas, mas dessa vez, com duas horas de antecedência, pude curtir a “fan zone” do Everton, que geralmente os clubes fazem pouco antes de Derbys ou jogos importantes como esse, semifinal da liga inglesa. Pude até dar uma passada na Everton One, loja oficial do clube, e os descontos são de arrasar neste início de ano. Camisas de 50 libras por 15, vi muita coisa boa, mas achei melhor guardar dinheiro pensando em jogos futuros.

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Na Fan Zone, situada no estacionamento do Goodison, no setor da estátua do jogador Dixie Dean (maior artilheiro da história do clube), clima família, muitas crianças com seus pais, bandas de rock tocando no palco, fish and chips e cerveja Chang (patrocinadora do clube) à venda. Tudo muito organizado, nenhuma confusão, mesmo havendo torcedores dos Citizens no meio da galera, e os habitantes de Liverpool terem uma richa com o pessoal de Manchester por motivos históricos.

Conversei com vários torcedores sobre a situação do time, e eles ficaram surpresos quando falei que morava em Dublin e escolhi o Everton para torcer. O que senti é uma frustração de anos deles pelo time não ganhar nada desde da FA Cup de 1995, e a Premier League na década de 80, fazendo o time perder o prestígio de outrora. Já li o Daily Miror afirmar categoricamente que o time não figura mais entre os top da Inglaterra.

A perda de prestígio acarreta poucos investimentos e menor visibilidade, atraindo menos torcedores estrangeiros, que preferem o rival Liverpool, ocasionando elencos medianos para baixo nos últimos anos, mas para esta temporada foram feitas boas contratações, e a boa fase de Ross Barkley, Gareth Barry e Romelo Lukaku, as estrelas do time, fazem os torcedores acreditarem no título da Copa da Liga Inglesa este ano, que credencia o campeão à uma vaga na Liga Europa. Na PL desta temporada o Everton não faz boa campanha, ocupando apenas o 11° lugar na tabela, mas tem feito bons jogos, e o técnico Roberto Martinez possui prestígio na imprensa. Depois de duas Chang pint’s e um fish and chips, dei uma volta no estádio para admirar aquela paz que o momento me propiciava. Me senti realmente em casa ali, como se estivesse no Baenão (Clube do Remo) nos meus primeiros jogos. Simpatizei com os Tofee’s, e já considero ele um dos meus times preferidos, já que vou nos jogos em Goodison Park, acompanho pela TV e leio diariamente as notícias do clube.

Ainda não me acostumei com a organização dos jogos europeus. É inacreditável como um contigente enorme de pessoas pode ser tão “disciplinado”e pacífico. Na minha opnião isso é possível pelas leis rigorosas quanto a baderna em arenas de futebol, lembrando o passado violento dos hooligans ingleses. Chegando ao meu assento no estádio, fiquei impressionado com a vista do meu assento.

Por 15 libras, acabei nem checando aonde ficava o “family enclosure”, pensava que ficava no último nível no estádio, e não no primeiro. Fiquei perto de um dos gols, na parte central, e pela primeira vez assistia uma partida nas primeiras fileiras de um estádio europeu. O preço é menor pelo fato de ser Cup, torneio não incluso nos season cards, e a intenção dos dirigentes era lotar o estádio, considerando a importância deste título.

Mesmo nos estádios mais modernos, aonde qualquer lugar pode te dar uma ótima visão da partida, de perto a sensação é completamente diferente. Parece que basta você levantar um pouco o braço que toca em algum jogador, tamanha a proximidade com os atletas. Reparei que não haviam quase turistas, apenas apreensivos torcedores dos Tofees, e num raio de cem metros só tinham ingleses branquelos, e alguns me olhavam como se fosse alguém de outro planeta. Não senti preconceito, mas apenas um estranhamento por parte deles, pelas minhas características e traços latinos, como o a criança sentada ao meu lado, que me olhava como se fosse um ET.

Com a entrada dos times, reparei que Aguero iria entrar de titular dos Citizens, já recuperado de uma lesão, e desde esse momento já tinha certeza que seria um grande jogo, o que realmente aconteceu.

No primeiro tempo, as equipes ainda estavam se respeitando muito, e no começo notei a enorme superioridade do City, com seu elenco estelar. O Everton estava acuado, com medo de partir para cima, e cheguei a cogitar que seriam nulas as chances de vitória, tudo isso com apenas cinco minutos de jogo! Após alguns lances tímidos de ataques do Manchester City, Romelu Lukaku marcou um gol em posição de impedimento marcado pelo juiz (também marcaria outro gol irregular na segunda etapa). Com o decorrer da partida, os Blues mudaram o jogo à seu favor, e passaram a dominar os visitantes, num nó tático muito bem montado pelo treinador Roberto Martinez, anulando os principais jogadores do City, como Yaya Touré, Kevin de Bruyne e Sergio Aguero.

A segurança do Everton, a boa troca de passe e o entrosamento da equipe resultaram no gol do argentino ex- River Plate Ramiro Funes Mori, aproveitando o rebote do meia Barkley. Mais tarde Manuel Pellegrini reclamaria de um possível impedimento, motivado pela participação de Romelu Lukaku no lance, e ainda de um pênalti em Jesus Navas. Discordo sobre o penalti, e sobre o impedimento no primeiro gol acho realmente que existiu, mas Lukaku teve pelo menos um dos dois gols anulados incorretamente, o que não afetaria o resultado da partida. Funes Mori foi o melhor jogador da partida, um verdadeiro coração de leão como citaram os jornais do dia seguinte. Jogoumuito, com raça, salvou um chute perigoso que por pouco não resultou em gols do Citizen, desarmou Yaya Toure quase livre para marcar e o gol coroou o nome do jogo.

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O goleiro Joe Robles, com pelo menos duas ótimas defesas, também foi muito bem substituindo Tim Howard. No segundo tempo as entradas de Jesus Navas e Demichelis tornaram o City mais agressivo e ofensivo, com gol do espanhol aos 33 min, após ótimo passe de Kun Aguero. Ele não marcava a mais de um ano pelo clube, e o gol foi bastante comemorado pelos companheiros. Ver Sergio Aguero em ação de uma visão privilegiada é um deleite, mesmo com marcação forte em cima e numa noite sem tanto brilho, mas com várias chances criadas. Artilheiro da PL na temporada passada, o jogador é um dos melhores centroavantes da atualidade, e para mim disparado o melhor jogador do futebol inglês. Aquele jogo pegado, emocionante, me fez mais uma vez lamentar o estágio do futebol brasileiro.

Antes de vir para cá, tive a oportunidade de ver, aproveitando viagens a trabalho e da lua de mel, jogos de Internacional, Corinthians, São Paulo e Vasco, dentro dos estádios, e me espantei com o desempenho bisonho de todos esses times. Anos luz atrás de equipes até da segunda, terceira divisões da Inglaterra. A crise na Seleção não é à toa e vem de vários anos, culpa principalmente da CBF, da badalação que os clubes dão para jogadores da base e, também pela falta de profissionalismo dos jogadores brasileiros, que se preocupam mais com o extra campo do que jogar bola. Aqui os caras ganham milhões por mês mas se cuidam, valorizam seu trabalho e a torcida. No Brasil, cansei de ver nos meus tempos de repórter atletas na balada dias antes dos jogos ou cheio de cachaça nos treinos. Muita coisa deve mudar ainda para alterar esse quadro, ou então o Brasil vai permanecer sendo apenas uma seleção forte, e não o super esquadrão de craques do passado

pentacampeão.Não deu nem para respirar, e após a minha rápida reflexão, que compartilhei com um torcedor ao lado, Gareth Barry, com um cruzamento magistral para a pequena área, encontrou Lukaku sozinho para marcar, desta vez em posição legal, o gol da vitória. Muita festa no Goodison Park. Os torcedores pareciam não acreditar que finalmente o time estava engrenando, sendo superior ao fortíssimo City, e com chance real de ir para a final em Wembley, em fevereiro, podendo enfrentar seu maior rival Liverpool, e ganhar o primeiro troféu em mais de 20 anos. Aquele grito da garganta me lembrou os torcedores do Clube do Remo nos momentos difíceis que o time passou, e que após as recentes conquistas tiraram um peso enorme das costas, extraindo da alma a felicidade com as vitórias.

Foi uma grande partida dos Blues realmente, eles foram superiores, e se continuarem assim podem ser campeões e mudar o panorama na Premier League. Com o apito final e a festa da galera, fiquei com a frase de Roberto Martinez dias atrás, de que o time estava no caminho certo e iria engrenar.

Não pensava que o Everton chegaria a esse nível de jogo, que não chegou a ser espetacular, mas já é o suficiente para almejar grandes feitos num futuro próximo. Na volta para o hostel, mais uma admirada no Goodison Park, mais uma grande noite e uma volta tranquila para casa, sem afobação como no Brasil. Desci no centro da cidade e no caminho a pé reparei que Liverpool não é tão segura como Dublin, e é preciso tomar cuidado em certos pontos e horários, pois lá existem gangues e a máfia chinesa é muito forte também. Não deu para ver pontos turísticos dos Beatles dessa vez, apenas tirei uma foto da estátua de Eleonor Rugby que encontrei na rua. Então, até o próximo jogo!

Abaixo a diferença entre a verdadeira Penny Lane e a da música dos Beatles. Paul Mccartney, assim como em Eleonor Rigby, usou o nome apenas por conta da sonoridade, já que a verdadeira Penny Lane fica a cerca de dez min de caminhada de Smithdown Road, local de várias cenas do video clipe da banda. A Penny Lane real não tem muita coisa, é apenas uma pequena rua com poucas casas e parques ao redor, e a maior utilidade é servir de sessão de fotos para fãs dos Beatles.