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Eis uma unanimidade que não tem nada de burra. Celsinho e Ciro, ou Ciro e Celsinho, sem ordem de importância,fundamentais para suas equipes, na mesma proporção,  vêm sendo os destaques desse Parazão.  O meia do Paysandu e o atacante do Remo têm em comum uma carreira que começou promissora, viveu altos e baixos e tem agora no Parazão a chance do recomeço. Embalados por duas torcidas que fabricam xodós com a rapidez de um drible desconcertante, Celsinho e Ciro, ou Ciro e Celsinho vêm mostrando a cada jogo que nossos ídolos não são os mesmos, mas como diz a música de Belchior, “as aparências não enganam, não”

O paulista Celsinho, 27 anos, chegou a Belém como o sósia de Ronaldinho Gaúcho. A comparação vem desde os tempos de Portuguesa, onde o meia despontou como grande revelação entre 2004 e 2005 . A habilidade também lembra a do sósia gaúcho. Foi com ela, motorizada pelas arrancadas e boa visão de jogo que Celsinho foi vendido ao Lokomitiv, da Rússia, por R$ 7,5 milhões. Sem conseguir engrenar no clube russo, o meia passou por equipes de Portugal, retornou à Lusa e disputou competições na Romênia. Em 2012, Celsinho acertou com o Londrina e, desde então, além de atuar pelo Tubarão, foi emprestado para o Fortaleza e Figueirense, mas em nenhum dos clubes conseguiu embalar a carreira. Mas logo em sua estréia no Paysandu, Celsinho mostrou que poderia ser o tal camisa 10 que a torcida bicolor tanto esperava desde a saída do controvertido Eduardo Ramos. Em cinco jogos, marcou três gols,mas o que chama mesmo atenção no meia é a capacidade de criação em suas cobranças de faltas e lançamentos precisos.

Do outro lado, o Leão tem um atacante que vem merecendo o status de matador. Pernambucano, de 26 anos, Ciro é o artilheiro do Parazão, com 5 gols em quatro jogos. O cara que selou a classificação do Remo em primeiro lugar, contra o Cametá, deve ter sido abençoado pelos deuses da bola, porque recusou propostas do futebol internacional e times da série B do Brasileiro para vir cair nas graças da exigente torcida azulina. Ciro começou nas categorias de base do Salgueiro. Aos 16 anos, foi  para o Sport, onde ficou de 2008 a 2011 e marcou 51 gols. Nesse período, chegou a ser convocado  para a  seleção brasileira sub 20. O jogador ainda passou por Fluminense, Bahia, Atlético-PR, Figueirense e no ano passado jogou pelo Luverdense e marcou oito gols. Ciro chuta com os dois pés e ainda cabeceia, com uma eficiência inquestionável para balançar as redes.

Não me recordo de um Parazão que em apenas 4 jogos tenha produzido destaques tão contundentes tanto em Remo, quanto no Paysandu. Às vésperas das semifinais, Ciro e Celsinho, ou Celsinho e Ciro têm o desafio  de mostrar que entre destaques e ídolos há uma grande diferença. Esses últimos brilham nos jogos decisivos e eles começam no sábado. Mas para virarem , de fato, os xodós da torcida, Ciro e Celsinho vão ter que fazer a diferença no Re x Pa. Se o clássico vai acontecer pela final do primeiro turno, dia 6 de março ou pelo segundo turno, dia 3 de abril, não importa. Se um dos dois  arregar na hora H, a torcida não vai perdoar.Com a mesma velocidade que ela embala jogadores, ela os condena ao purgatório da bola.

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Por Mauro Tavernard

 

A imensa torcida azulina, uma das maiores do Norte-Nordeste do país, espera ansiosa por novos horizontes em 2016. Com o bom ano de 2015 e a vaga assegurada na Série C, não faltam motivos para acreditar. Comparado ao calvário que o clube passou em temporadas anteriores, em que chegou a ficar sem disputar Campeonatos Brasileiros em determinados anos, pode-se dizer que os remistas iniciaram um processo de reconquista do prestígio de outrora. Na Grã Bretanha, outro time azul e vencedor também passou por percalços recentes. Fui para a gélida e nevada Glasgow, na Escócia, conhecer a história do também centenário Rangers Football Club, um dos maiores clubes de futebol da Grã-Bretanha. Separados por quase dez mil km, Baenão e Ibrox Park têm muita história para contar: títulos, craques do passado, e um futuro (ainda) incerto. Cidade, cultura e campeonatos disputados podem até ser diferentes, mas os torcedores de ambas as equipes também possuem muitas semelhanças, que vão além do escudo parecido com cinco estrelas.

Remo e Rangers passaram, nos últimos anos, verdadeiros perrengues financeiros e o clube do país da Rainha chegou a declarar falência em 2012, caindo para a quarta divisão e até mudou de nome, tirando o “Glasgow” da grafia oficial. Atualmente é conhecido apenas como Rangers Football Club. Sua predominância no futebol local diminuiu nos últimos anos e acompanhou por meio de uma lupa seu principal rival, Celtic, disputar torneios importantes, tendo maior visibilidade internacional, retardando anos de trabalho duro que os Gears, ainda hoje, o clube com mais campeonatos locais conquistados no mundo (54, número confirmado pelo Guiness Book), realizaram com mais de 143 anos de história. O Leão Azul de Antônio Baena, por puro capricho – ou falta de rigor da jurisdição brasileira em punir os clubes – não entrou em situação parecida, mas fora ameaçado várias vezes de perder seus principais patrimônios, também disputou a quarta divisão, viu de longe seu maior rival, Paysandu, também ter realizado feitos importantes e, de quebra, perdeu a hegemonia local de campeonatos paraenses para os bicolores.

Mas não são apenas aspectos negativos que unem esses clubes ou o fato de dois dos principais ídolos de cada um, Alcino e Paul Gascoigne, terem problemas com bebida. Essas agremiações vêm galgando pequenos passos rumo ao retorno da fama e da autoestima perdida, causada principalmente por péssimas administrações e dirigentes irresponsáveis. Nesta temporada, o (Glasgow) Rangers disputa a Scottish Championship, equivalente à segunda divisão escocesa e, domina com folga o torneio, com cinco pontos de vantagem para o segundo colocado, além de dois acessos seguidos. Os azulinos, por sua vez, tiveram um ótimo ano em 2015 – problemas financeiros e administrativos à parte – e dentro de campo conquistaram o título paraense pela segunda vez consecutiva, chegaram à final da Copa Verde e finalmente deixarão de disputar a última divisão do futebol nacional este ano, com o acesso para a Série C em novembro passado.

Ibrox Park, o Baenão Escocês

Sábado passado, o time europeu ganhou em casa do Livingston, por 4 x 1, em mais uma vitória tranquila na segundona. Estive no Ibrox Park e arredores neste dia para falar com torcedores, dirigentes e jogadores sobre o clube, numa tarde com fortes rajadas de neve na cidade, fato inesperado até para os próprios moradores locais. Com início marcado para as 15h, a reportagem foi para o estádio por meio de transporte público (ônibus), saindo do centro da cidade, com duas horas de antecedência. O percurso demorou pouco mais de 20 minutos, e da janela do coletivo foi possível observar os primeiros sinais de neve, ainda de maneira tímida. Até então nenhum indício da nevasca que seguiria, o que quase culminou com o cancelamento da partida e com várias ruas interditadas.

Com a camisa do Clube do Remo em mãos, fomos apresentar o time paraense para os torcedores locais, que concordaram com as semelhanças dos escudos. “Realmente são muito parecidos. Ambos têm CR na estampa e cinco estrelas em cima. Camisas bonitas!”, disse Danny Macain, ambulante, que há mais de 20 anos vende cachecóis, camisas e adereços do Rangers ao lado do Ibrox Park. Para Danny, os “piores anos da sua vida”, como ele afirmou com olhar nostálgico, foram o período em que os Gears declararam falência (2012), e chegaram a jogar com times semiprofissionais. “Foi horrível, não só por eu ser torcedor, mas as vendas caíram também. O engraçado é que havíamos ganhado a primeira divisão no ano anterior. Foi um baque muito grande”, lamenta o escocês, que ainda não havia vendido um pence (centavo britânico) naquela tarde.

Inaugurado em 1899, o imponente Ibrox Park pode ser até três vezes maior, em capacidade total, se comparado ao Baenão, mas a atmosfera dos arredores lembra muito a João Paulo II, Almirante Barroso ou Antônio Baena, que cruzam o estádio remista. Com um frio de -4c e nevando forte, à uma hora da partida a torcida começava a se aglomerar próximo da Arena, e o semblante confiante, até mesmo aliviado, dos “suporters” (torcedores em inglês) se assemelha com o dos azulinos, que semana que vem voltarão a acompanhar o time no Campeonato Paraense. “Estamos muito felizes, pois agora estamos disputando a segunda divisão, com praticamente vaga assegurada na primeirona ano que vem. Somos o melhor time da escócia, merecemos isso”, acredita o advogado Ryan McLingus, que estava com um grupo de amigos e parentes em frente à fachada do estádio. Todos estavam curiosos com a camisa remista, que eles chamaram de “diferente”, pela tonalidade da cor azul. “Muito bonita a camisa, o escudo é parecido mesmo. Pelo que você me falou, a história recente também é. Os da ‘Amazon’ sabem pelo que passamos também”, afirmou o simpático Roy, patriarca da família McLingus. Incentivado pela reportagem, pegou a vestimenta paraense e falou, em bom “gringuês”,”Remo é o Rei da Amazônia”. O vídeo foi gravado e viralizou nas redes sociais (https://www.youtube.com/watch?v=qKIxP0HcgyQ

).

Com as recentes conquistas e acessos, os torcedores do Clube do Remo podem também sonhar com dias melhores, assim como os aficionados de Glasgow. Pela primeira vez desde que foram rebaixados da Série C em 2008, os remistas vão ter um calendário garantido para os dois semestres, sem precisar ter que conquistar os primeiros lugares do Parazão como nos últimos anos. “Não tenho nem palavras para dizer o quanto este ano será importante para nós. Sempre começávamos a temporada com aflição, sem nada garantido para o segundo semestre, mas agora a confiança voltou, e vamos voltar a disputar grandes jogos”, afirmou por e-mail o estudante Caio Mappes, que assim como os integrantes da família McLingus, também tem motivos para acreditar que 2016 será um grande ano para o clube paraense. “Todos (remistas) estamos ansiosos para o jogo contra o Águia. Sabemos que temos muitos problemas ainda, mas acredito que passamos pelo pior”, disse. Visando um início promissor, o treinador Leston Jr. afirma que o clube aproveitou bem o período de pré-temporada, e que “o tempo não é nosso aliado, mas vamos ter o time completo até o dia 31”. Já Fred Gomes, executivo de futebol do clube, já traçou as metas para 2016. “Nosso intuito é fazer um grupo forte e buscar os títulos, nosso principal objetivo nesse começo de temporada”.

Pouco antes do início da partida, a reportagem conversou com o treinador Mark Warburton, sobre as semelhanças das histórias recentes dos clubes. “O Rangers também paga o preço por administrações ruins do passado, e já saldamos o valor, com juros (risos)”, diz, sobre a punição imposta pela federação escocesa, com o rebaixamento para a quarta divisão, obrigando o clube a mudar de nome e ser gerido por um grupo de acionistas, para fugir das dívidas, que ultrapassavam o montante de 20 milhões de libras. “Foi um período difícil, mas o lado bom disso tudo foi que, apesar de perdermos parte do prestígio internacional nesse período, fortalecemos ainda mais nossa torcida. Assim como aconteceu com o Remo, a torcida abraçou o time, mesmo nos piores momentos”, relembra o comandante, afirmando ainda que hoje o clube praticamente zerou as dívidas, e possui um projeto ambicioso de voltar a ser um dos melhores clubes da europa em poucos anos. “A partir da temporada 2016-2017, voltaremos de fato aos grandes jogos e torneios, e com maior poderio financeiro”, constata o membro da direção do clube, John Gilligan.

Já de dentro das arquibancadas do Ibrox Park, fomos ao lado oposto da cabine de imprensa do clube, na “Sandy Jardine Stand”, e falamos com John Dover, economista, que aguardava o início do jogo com seus dois filhos pequenos. “Não é fácil você ser campeão num ano e no outro ser rebaixado para a última divisão. O clube faliu, perdemos tudo, e foi muito difícil no começo”, afirmou. Quanto ao maior desejo para o futuro, John não titubeou. “Enfrentar novamente o Celtic na primeira divisão é o maior desejo de todos nós. Queremos voltar a jogar no mesmo nível deles de novo, e sermos superiores na colocação final, como sempre fomos”, suspira o torcedor. Sem enfrentar o maior rival Paysandu há quase dez anos em competições nacionais (a última foi na Série B de 2006), os azulinos também podem vislumbrar um confronto já no próximo ano, caso o PSC permaneça na Série B e o Remo consiga o acesso.

Com um público de quase 50 mil pessoas (média de quase todos os jogos, mesmo nas divisões inferiores), a casa dos Gears, apesar do frio, estava calorosa, com a torcida fazendo a festa nas arquibancadas. Logo aos 8 minutos de jogo, o zagueiro Danny Wilson marcou de cabeça e abriu o placar, contra o modesto Livingston. O artilheiro do time, Martyn Waghnom, ainda marcaria duas vezes, e Kenny Miler anotaria outro, encobrindo o goleiro. No intervalo já constava 4 a 0 para o Rangers, mas nem a enorme superioridade entre as equipes, toante em qualquer jogo dos Gears na Championship, tirava o animo da torcida, que vibrava muito a cada gol, com uma animada música nos alto falantes após cada bola na rede (nanana..), como se cada tento fosse menos uma pedra no caminho do time rumo às grandes conquistas novamente. Buchanan ainda marcaria aos 11 minutos do segundo tempo para os visitantes, mas isso em nada interferiu na animação da galera.

No final do jogo, na coletiva de imprensa, ainda tivemos a oportunidade de falar com o zagueiro Danny Wilson, que desejou boa sorte ao Clube do Remo. “Este ano de 2016 vai ser um grande ano para o Rangers, e espero que para o Remo também. Time com torcida forte merece estar sempre no topo. Então, boa sorte para nós!”, disse o jogador, que também gravou um vídeo dizendo que o “Remo, o rei da Amazônia”. https://www.youtube.com/watch?v=PNx_2fi2iFo

Ao apagar das luzes, o Ibrox Park, coberto de neve, é o reflexo de um clube que assumiu seus erros do passado, e acredita num projeto de médio-longo prazo para o futuro. Mas ficou claro que os grandes incentivadores dessa nova mudança não foram dirigentes ou acionistas, e sim os próprios torcedores do Rangers. Ingressos esgotados mesmo em jogos sem muita relevância, doações e a continuação da paixão de pai para filho, perpetuando o sentimento de amor pelo clube através de gerações, não foi interrompida, pelo contrário. O “sofrimento” só fez aumentar o fanatismo dos aficionados.

Para os padrões de público do futebol brasileiro, a presença da torcida azulina dentre de casa é realmente um fenômeno, chegando a colocar mais de 30 mil pessoas em jogos da Série D. E a maior ligação entre os dois clubes é exatamente essa, o poder de seus maiores apoiadores, que não medem esforços para ajudar seu clube do coração – ao invés de perder torcedores, como acontece com alguns clubes que passam por períodos difíceis após bons momentos. Pode ser nas temperaturas negativas em Glasgow, ou no calor abafado de Belém. Não importa o resultado, ou as trapalhadas dos dirigentes, eles sempre estarão lá, faça chuva ou faça neve. Não adianta o melhor filósofo ou psicólogo tentar descobrir o real motivo de todo esse amor, pois só quem sabe e sente isso são os próprios torcedores. São eles que sofrem a cada bola fora, os campeonatos perdidos, a zoação dos rivais, pagam preços cada vez mais altos dos ingressos. Não importa se forem 30 pounds ou 30 reais, esse dinheiro sempre vai fazer falta para a maioria. E se o velho clichê “depois da tempestade, vem a bonança” estiver realmente certo, então o futuro dessas equipes está garantido, por que não há nada abaixo da última divisão. O Rangers já está com seu projeto em curso, com vaga praticamente assegurada na primeira divisão do ano que vem, com o objetivo de voltar a disputar a Champions League o quanto antes.

No lado de Antônio Baena, o acesso ano passado e o contínuo apoio da torcida demostram que os próximos passos serão mais longos, a começar pelo calendário completo em 2016, que logo de cara aumentará o número de sócio-torcedores, chave para o sucesso de qualquer grande clube. A confiança também será mais elevada, refletindo diretamente nos jogadores, que poderão disputar o Parazão, por exemplo, sem a obrigação de ser campeão para disputar o campeonato brasileiro, e na Série C terem maior tempo de preparação na primeira fase. Especulações à parte, o fato é que os azulinos tem o seu melhor início de ano em muito tempo, e um bom início no Parazão será o primeiro passo rumo à reconstrução da identidade remista, dando razão à alcunha “Filho da Glória e do Triunfo”, parcialmente deteriorada nas últimas temporadas.

 

Infográficos:

– Ficha do clube

#Nome: Rangers Football Club

Data de fundação: 1872

Cidade: Glasgow (Escócia)

Apelidos: Gears, The Teddy Bears.

Estádio: Ibrox Park (capacidade máxima de 50 mil espectadores) foto

Competições em 2015-2016: disputa atualmente a Scottish Championship (segunda divisão) e Copa da Escócia.

Jogo: Rangers FC 4 x 1 Livingston (16 de janeiro de 2016)

Temperatura na hora da partida: -4c

Colocação na segunda divisão tabela: 1°

 

#

Nome: Clube do Remo

Data de fundação: 1905

Cidade: Belém (Pará-Brasil)

Apelidos: Filho da Glória e do Triunfo, Leão Azul e Cçube de Periçá .

Estádio: Baenão (capacidade aproximada de15 mil pessoas)

Competições em 2016: Disputará o Campeonato Paraense, a Copa do Brasil, Copa Verde e Série C.

 

 

– 5 principais semelhanças entre os times:

Escudo: O emblema oficial do clube (foto) possui um urso vermelho ao centro, mas o escudo usado nas camisas de jogo dos jogadores possui, assim como o dos azulinos, as letras CR (contidas em Ranger Football Club) e cinco estrelas. O Clube do Remo possui elas e ostenta até hoje o pentacampeonato paraense conquistado na década de 90, ao passo no caso dos Gears, cada estrela representa dez campeonatos locais vencidos pelo clube.

Passado glorioso: Com 54 títulos nacionais da primeira divisão (maior detentor de torneios locais do mundo, reconhecido pelo Guiness Book), 33 Copas da Escócia, 27 Copas da liga e uma Liga Europa (1972), o Rangers FC domina amplamente o cenário local de Glasgow. Atual bicampeão paraense, o Clube do Remo possui 44 títulos paraenses, 3 Copas Norte, uma Copa Norte-Nordeste e grandes participações em torneios nacionais, como a sétima colocação no Campeonato Brasileiro de 93 e a semifinal da Copa do Brasil de 91 – ambas melhores participações de equipes da região Norte até hoje. O esquadrão remista dos anos 70, com Dico, Dutra, Darinta, Bira e Alcino também é bastante lembrado pelos torcedores.

Queda e reconstrução: Depois de bater na trave na Série B, com dois acessos por pouco não concretizados (2000 e 2003), e boas participações na Copa do Brasil, o início dos anos 2000 dava pintas de que o clube de Antônio Baena retornaria às grandes conquistas. Mas as péssimas administrações continuaram, levando o clube ao colapso financeiro, sucessivas ameaças de perda de patrimônios penhorados e, a partir do rebaixamento da segundona de 2007, o time entrou em queda livre, chegando a ficar duas temporadas (2009 e 2011) sem participar de qualquer competição no segundo semestre, por estar fora da Série D. A maré de azar começou a mudar apenas sete anos depois, em 2014, com a conquista do Parazão, e no ano seguinte, com o bicampeonato, vice da Copa Verde e acesso para a Série C, devolvendo a confiança perdida para a torcida remista. Em situação pior estavam os escoceses, que por dívidas não pagas faliram, trocaram de nome e foram obrigados a disputar a quarta divisão nacional, em 2012, no pior momento da agremiação em quase 150 anos de história. A volta por cima veio com as contas em dia, apoio da torcida, e dois acessos seguidos. Ganhando vários jogos por goleada nesta temporada, o retorno à elite está praticamente assegurado este ano.

Idolos temperamentais (Paul Gascoine x Alcino):

#Paul Gascoine: Com quase 60 jogos como capitão da Seleção Inglesa, e participações importantes em times como Everton, Newcastle e Midlesbrough, o ex-meia Paul Gascoine foi uma lenda dentro de campo, mas fora dele sua vida pessoal seguiu rumos opostos. A sua passagem pelo Rangers, entre 95 e 98, foi marcada por belos gols e títulos, mas também por trapalhadas extra-campo. Seus problemas com drogas e alcool faziam o jogador faltar a treinos e até partidas, e seu estilo temperamental atrapalhava a equipe em muitos compromissos. Quase morreu de overdose em 2008, já aposentado, e recentemente pediu ajuda financeira para a federação inglesa, alegando ser sem-teto, e atualmente, aos 48 anos, entra e sai de clínicas de reabilitação com frequência.

# Alcino: Nascido no Rio de Janeiro, o carioca Alcino Neves, também conhecido como “Negão Motora”, é até hoje celebrado nas arquibancadas do Baenão e Mangueirão com sua foto em bandeiras da torcida, sendo considerado talvez o maior ídolo da história do Clube do Remo. Fez parte do grande esquadrão azulino da década de 70, tendo ao seu lado o centroavante Bira, conquistando o tricampeonato paraense de 1973, 1974 e 1975, sendo o goleador máximo dessas edições. Com 158 gols marcados, é o segundo maior artilheiro da história do clube. Amado e celebrado dentro das quatro linhas, também ficou conhecido por ter problemas com bebida. Ex-jogadores da época afirmaram em entrevistas que cansaram de ver Alcino chegar ao treino com cheiro de bebida, após farras constantes na noite paraense da época. Uma das histórias mais folclóricas do jogador remete a um Re-Pa, em que nas vésperas do confronto o atleta não havia comparecido para a apresentação do elenco, pois havia curtido até altas horas na noite anterior. Foi necessário um dirigente ir até sua casa buscá-lo, ajudá-lo a tomar banho e levar ele ao jogo, que já estava em andamento. O Negão Motora entrou em campo e ainda marcou o gol da vitória remista. Alcino morreu com dificuldades financeiras em 2006, vítima de câncer.

 

 

Torcida atuante: com maior poder aquisitivo, historicamente equipes de ponta da Escócia e Inglaterra, ambas do Reino Unido, possuem médias de público superiores ao resto do mundo, e a torcida do Rangers, mesmo nas divisões inferiores, apoiou o clube com médias superiores a 40 mil expectadores nas últimas temporadas, sendo considerada uma das torcidas mais fortes da europa. Os azulinos possuem números expressivos no cenário nacional, lotando Baenão e Mangueirão, principalmente em grande jogos. Em 2005, o Fenômeno Azul, como ficou conhecida nacionalmente a torcida remista, bateu recordes de público na Série C, com média de mais de 30 mil pagantes por jogo, a maior entre todas as divisões daquele ano – considerando que o clube disputava a Terceirona pela primeira vez na sua história, e ainda por cima no ano de seu centenário. Ano passado a massa não fez feio, com média de 15 mil na Série D.

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 Foto: Fernando Torres ( Assessoria de Imprensa do Paysandu)

 

 

Na véspera de aniversário do Paysandu Sport Club, o vovô de 102 anos pegou 12 mil netos, bisnetos e tataranetos no colo em plena Curuzu. De vez em quando, ele afagava a cabeça de cada um dos torcedores, que matava a saudade de 7 meses sem jogos no velho  “vovô da cidade”. Arrumado pra festa de aniversário do velhinho, o estádio ganhou pinta high tech, com placas de publicidade em LED, tudo na bossa. Durante a partida, a torcida ganhou afagos que há muito tempo não sentia. Viu uma dupla de criação inspirada, formada por Celsinho e Raphael Luz. Qualidade no passe, assistências, gol. É, parece que o vovô  curou sua impotência no meio de campo do ano passado,  tomou uma azulzinha (e branca) e partiu pra cima. E o vovô anda tão pra frente, que nem seus apagões caducas na zaga de ontem tiraram o bom humor de seus convidados em sua festa de aniversário.

A vitória de 3 x 0 em cima do Paragominas esteve longe de ser brilhante, mas fez a torcida bicolor sair da Curuzu com orgulho renovado, tanto quanto o seu  centenário patriarca. O vovô ganhou outra cara em campo, não tem mais Pikachu e João Lucas correndo  pelas alas, mas colocou os pezinhos de seu escudo alado no coração de todo time que se preza: o meio-campo. E hoje, dia seguinte ao jogo, o vovô sai do berço todo prosa.  As peripécias vão além de uma boa estréia dentro do gramado. Danadinho esse vovô. Aprendeu que dinheiro não se guarda mais debaixo do colchão, mas se investe em uma política racional de contratações pé no chão. E mais do que isso, o velhinho de 102 anos aprendeu a se olhar no espelho com o respeito que merece  e enxergar a força de sua imagem. Foi ousado, criou marca própria de uniforme, colocou as garras de Lobo pra fora e em menos de 20 dias de vendas dessas novas camisas, o valor arrecadado já superou o recebido pelas vendas na última temporada.

O vovô vanguarda se modernizou, mas precisa também trazer  a maturidade e sabedoria dos mais velhos. Saber que os resultados em campo nem sempre correspondem a essa vitalidade. Por isso, esse aniversariante de 102 anos precisa também às vezes calçar as sandálias da humildade daquele outro velhinho, o franciscano. Esse é o caminho  que a torcida espera, para que o vovô  não perca o embalo no final do campeonato. Aí sim, o velhinho de tantas histórias gloriosas pra contar, vai subir em uma cadeira na calçada e tufar o peito pra dizer: sou campeão!

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Londres, a capital do futebol

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3 jogos, 1 dia: o dia de Forest Gump, o estádio no meio do parque ao lado do Rio Tamisa e show de Sérgio Aguero na despedida de Upton Park, em mais de sete horas de muita correria na capital do futebol

Quando ainda era pré-adolescente, cheio de espinhas na cara e nem sonhando em ser jornalista, eu folheava as matérias da revista Placar sobre a quantidade de clubes de futebol em Londres, e como cada agremiação, por menor que fosse, tinha seu significado dentro do bairro, sua importância e torcida. Não importa a divisão ou o momento, sempre os torcedores vão estar lá, e eu achava isso fantástico. Tive uma ótima experiência em Buenos Aires e pude acompanhar de perto esse amor que as pessoas da cidade, de uma maneira geral, nutrem pelo clube, se sentindo realmente representados por eles, como uma espécie de identidade.

Em Londres encontrei um cenário parecido, até mais forte. A megalópole inglesa é, sem dúvida, a capital do futebol. Por isso, nos meus tempos de puberdade, em que meu maior “feito” era ter assistido alguns RexPa no Mangueirão, ir para a Grã Bretanha parecia um sonho distante, praticamente impossível. Mas eu me visualizava dentro dessas arenas, e nos meus sonhos eu sempre assistia várias partidas em um dia. Mais de 15 anos depois, consegui por em prática este “desafio”. Porém a missão foi complicada, árdua, e teve momentos em que pensei em desistir, mas às 19h30, horário em que West Ham 2 x 2 Manchester City terminou, pude contemplar tudo o que tinha acontecido em 23 de janeiro de 2016, o dia mais corrido da minha vida até aqui, literalmente.
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A aventura começou por volta do meio-dia, horário em que cheguei no meu Hostel situado próximo à estação de metro Fulham Broadway, que fica à duas quadras de Stamford Bridge, casa do Chelsea FC. Cheguei à acomodação correndo, só joguei minha mochila na cama e parti para o primeiro jogo do dia, Queens Park Rangers x Wolverhampton, em Loftus Road, pela Championship inglesa (segunda divisão). Tinha credencial de jornalista, por isso não podia atrasar tanto. E foi aí que começou meu dia de Forest Gump, de muita correria pelas ruas londrinas. Depois de descer em uma estação, que esqueci o nome, e perguntar para um transeunte qual a direção do estádio, comecei minha peregrinação, com um preparo físico que nem eu sabia que tinha, influenciado pela adrenalina do momento.

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No meio do caminho, passei por um bairro de pessoas com alto poder aquisitivo, mas logo em seguida me deparei com um bairro mulçumano, bem pobre, tipo a favela de lá. Nas áreas pobres europeias não existe ruas sem pavimentação, falta de saneamento e outras falhas governamentais que vemos no Brasil, mas é nítida a diferença entre um bairro e outro. Claro que por um momento fiquei receoso, principalmente com as notícias de terrorismo na cidade, e a cara fechada dos habitantes desse bairro só aumentaram meu temor inicial, mas logo tudo acabou bem, e eu já tinha avistado Loftus Road. A entrada do estádio é meio confusa, ele fica dentro de um bairro residencial, e tive que rodar ele para achar o setor de jornalistas. Assim que achei, peguei a credencial e pude curtir uma agradável partida, com um pouco de sol que ainda restava do dia.

O estádio é acanhado, pequeno mesmo, mal cabem 20 mil pessoas, mas muito confortável, com uma ótima visão de jogo em qualquer ponto das arquibancadas. Construído no século XIX, ele é um dos poucos estádios que ainda não foram modernizados no futebol inglês. A torcida estava presente, praticamente lotando todos os setores, mesmo a equipe ocupando apenas a 17° posição na tabela e correndo sério risco de ser rebaixado. Em todos esses meus anos acompanhando futebol, nunca presenciei um estádio tão “família”, com tantos filhos, sobrinhos, mulheres, netos, tataranetos etc na companhia de seus respectivos parentes, e ainda por cima torcendo ativamente pelo clube. Com 1 a 1 no placar, os fãs do QPR estavam loucos com o juiz, que segundo um torcedor me falou, “estava roubando o time na cara de pau”. Eu não vi nenhuma irregularidade do arbitro, mas concordei com ele para ser educado.

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“We are QPR”. Quando a equipe estava na primeira divisão, há uns anos atrás, sempre lia esses dizeres nas placas das arquibancadas centrais, e pensava até que este seria um clube emergente, pelos investimentos que eram feitos entre os anos de 2008-2013. Mas foi mais um caso de um time que teve grana vinda de investidores do oriente médio, que logo em seguida abandonaram o clube, em situação semelhante à do Malága da Espanha. Sem dinheiro, o elenco não possui nenhuma estrela, tem como treinador o lendário Jimmy Floyd Hasselbaink (ex-jogador Chelsea) e o atleta mais conhecido é o volante Sandro, que foi dispensado pelo Totteham. Comparado ao rival, estava bem atrás em níveis técnicos que o Wolverhampton, time cujo elenco era superior, e não à toa brigava por uma vaga nos playoffs de acesso. Mas os Wolves não estavam em tarde inspirada, não conseguindo furar a retranca dos mandantes, e o empate não foi bom para os dois.
 

Mesmo assim, a torcida aplaudiu o time, reconhecendo que os jogadores deram seu melhor. Percebo esse reconhecimento pelo esforço dos atletas pela torcida em quase todos os jogos que fui até agora. Não importa o resultado ruim, e sim o comprometimento de quem veste a camisa do clube dentro de campo. Atleta cachaceiro, que vive na balada e não se doa nos 90 minutos não tem vez aqui, não importa o tamanho do time. O comprometimento às vezes é mais valorizado até que a parte técnica, e é difícil ver jogadores com aquela barriguinha de chope. Foi aí que eu percebi o quanto somos mal representados pelos jogadores dos clubes do Brasil. A maioria não tem comprometimento e o mínimo de respeito pela torcida, que no final das contas é a que paga seu salário. É por isso também que muitos brasileiros não dão certo em clubes europeus, por conta do alto grau de exigência, não apenas dos dirigentes, mas também dos fãs.

Saí de Loftus Road carregado de boas vibrações, que veio desde o porteiro que abriu o portão para mim, passando pelos jornalistas da assessoria de imprensa, dos outros funcionários do clube e torcedores, de um clube pequeno no tamanho, mas enorme no coração dessas pessoas. E ainda eram 14h20! Tinha 40 minutos para chegar à Craven Cottage para assistir a Fulham x Hull City, também pela Championship, e presumi que teria um percurso tranquilo, considerando que desceria novamente em Fulham Broadway, e o estádio seria próximo à estação. Ledo engano. Ao descer em FB, segui o caminho que me disseram, para percorrer a rua Fulham Road, mas ela parecia não ter fim! Faltando 10 minutos para começar o jogo, ainda estava na bendita rua, e nada do estádio chegar. No caminho, “encontrei” Stamford Bridge e aproveitei para tirar uma foto. E nada do estádio aparecer. Andei, corri, esperneei.. e nada!
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Já estava atrasado 15 minutos e nem sinal da arena. Pensei em desistir. Perguntava e nínguem mais sabia aonde era a bendita Craven Cottage. Eu já estava sem esperanças quando avistei um senhor de idade, que me deu uma luz. Disse para eu entrar em um parque (!?) e no final encontraria o estádio. Achei estranho, mais acatei a dica. E toma-te mais 15 minutos correndo no meio do parque (Bishops), muito sombrio e meio bizarro. Parecia cenário de filme de terror. Até que achei a Craven Cottage, e apesar de ter perdido o primeiro tempo, admirei  a linda vista do rio Tamisa do lado leste das arquibancadas. Que estádio fantástico!
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Avistei o por do sol avermelhado enquanto confortavelmente sentava no meu assento, admirando aquela atmosfera única. Apesar de só possuir títulos de divisões inferiores, o Fulham é um dos clubes mais tradicionais da Inglaterra, possuindo rica história e uma grande rivalidade com o Chelsea FC. Os “supporters” também são muito atuantes, e pouco importava se o time estava brigando para não cair: não paravam de cantar um minuto! A paisagem linda do estádio, história marcante e os fãs fazem do Fulham uma potência, mesmo que decadente em termos de resultados. Com muita bravura, Scott Parker e cia empatavam com o líder da Championship, Hull City, e ameaçaram várias vezes o gol adversário, com investidas de McComark, artilheiro da equipe, e Dembelé.
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Mas a poucos minutos do fim, Hernandez anotou de penalti o tento dos laranjas de Hull,, decretando a derrota dos donos da casa por 1 a 0. A saída do estádio foi uma das mais engenhosas que já vi. Como não sabia com precisão voltar por aquele parque, segui o fluxo dos torcedores, que depois de longo percurso no rio Tamisa, entraram em várias ruas estreitas, e imaginei quantas brigas entre hooligans já aconteceram ali no passado, entre aquelas casas bonitas e chiques. Não estava com tanta paciência para admirar mais, pois às 17h30 tinha o grande jogo da noite, entre West Ham x Manchester City, numa das últimas apresentações em Upton Park. Depois de finalmente chegar na estação, esperei por mais de 30 minutos o metro chegar no outro lado da cidade, e desci na longínqua estação Upton Park, também nome do estádio dos Hammers.
Esse foi o único ingresso que paguei para entrar, e por (muito) pouco não fiquei no lado de fora. Com apenas 20 minutos (!?) de atraso, entrei em dois portões e fui barrado. Estarrecido, questionei que ainda era o primeiro tempo, mas um dos funcionários me avisou que só abriam o portão “até 15 minutos de jogo”. Fiquei insistindo, falando que era brasileiro, que esse jogo era muito importante para mim blablabla, e o porteiro estava irredutível. Mas eu tive uma inesperada sorte. Uma mega confusão, daquelas de filme, aconteceu bem na hora em que eu falava com o segurança, e no meio do porradal generalizado entre fãs do City e Hammers, acabei entrando, num setor errado ainda por cima. Acabei vendo a partida do lado dos Citizens, atrás de um dos gols, o que foi bom para mim como experiência. Pude ver como se comportam torcedores adversários numa arena inglesa, e também como são hostilizados, principalmente em Upton Park, conhecida por vários episódios de hooligans e palco de vários documentários e películas sobre este assunto.
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Na minha direção, por sorte não aconteceu nada, mas ao redor, principalmente do lado da torcida local, vi muita, muita confusão. Porrada mesmo, das antigas, igual ao filme “Hooligans”, de 2005, com Ellijah Wood. Os torcedores do Hammers ao lado provocavam muito, parecem que só estão lá para brigar, mas a polícia agiu rápido e conteve os arruaceiros. Tudo com várias bolhas, ou “bubles”, no ar, característica da torcida em jogos no Upton Park. A música “im forever blowing bubbles” é entoada a plenos pulmões no início e fim das partidas, mas no meio do jogo é comum vários torcedores ainda assoprarem bolhas pelo estádio, num espetáculo bonito, marca registrada do time. Mesmo estando no meio de tudo isso, no pior lugar do estádio (torcida adversária), em nenhum momento me senti inseguro, de verdade. A polícia agia tão rápido que nem dava para bater foto das brigas direito, tamanha eficiência.
 

O cansaço da maratona começou a bater, mas estava vidrado em mais um grande jogo de futebol. Os dois times procurando gol, torcida do West Ham cantando a toda hora para empurrar o time, e show de Sérgio Aguero. Enner Valencia marcou os dois tentos dos mandantes, e o endiabrado argentino mais uma vez teve atuação de gala: marcou um gol de penalti, e praticamente sozinho, após trocas de passe com os companheiros de frente, achou espaço para marcar um lindo gol, na raça, sem chance para Adrian, empatando o jogo em 2 x 2. Ver esse gol a poucos metros do lance compensou todos contratempos que tive para estar, de forma equivocada, neste setor.
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Fim de jogo, fim de mais um dia “full” de futebol. Com tantos afazeres em Dublin, sabia que para assistir outro jogo daquele iria demorar pelo menos mais dois meses, então, depois de um suspiro de despedida, admirei Upton Park. Seria minha última vez ali, pois a equipe jogará em outro estádio, no moderno Olimpic Stadium, a partir de agosto deste ano. Mesmo com os problemas, se morasse em Londres seguramente escolheria o West Ham para torcer, por sua torcida, história e pela moderna arena que vem por aí. Time como os Hammers são mais reais. Times como Arsenal e Chelsea são megapotências, milhões de investimentos e muitos turistas. Isso muda completamente a atmosfera dos jogos em minha opinião.

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Depois de bater um papo com os torcedores do City, sobre o por quê da equipe está jogando tão mal, e apenas Kun Aguero jogar bem regularmente, todos foram unânimes em dizer que é tudo culpa das especulações sobre Pep Guardiola ir para o clube na próxima temporada. Eles disseram que está tudo praticamente sacramentado, mas que desistiram de 2015-2016. No meio da conversa, mais um quebra-pau, dessa vez sério e próximo de mim. Foi a deixa para voltar pro hostel. Na volta, uma longa fila para pegar o trem, mas tudo muito organizado. Não teve nenhum indício de confusão no trajeto. Chegando em Fulham, tive apenas forças para comer um sanduiche velho que tinha em minha mochila e tomar um banho. No dia seguinte, Arsenal x Chelsea jogariam pela Premier League, mas o ingresso de cambista estava 200 libras, com antecedência (!) e o credenciamento tem que ser solicitado um mês antes do jogo. Preferi deixar o Emirates para uma próxima oportunidade, com mais calma. Depois de três jogos em um dia, fui passear um pouco pela cidade inglesa, ver alguns pontos turísticos e me preparar para o voo de volta. Londres, capital do futebol, espero vê-la em breve, com calma. Seus encantos atiçaram meus sentidos. Suas possibilidades me deixaram com gosto de quero mais.

 

 

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Com 800 unidades vendidas de forma antecipada, o Paysandu apresentou na noite desta quarta-feira, 27, seu uniforme para a temporada 2016. Mais de 800 pessoas estiveram presentes no evento, que abriu um novo capítulo na história do clube, que passa a ser o primeiro do Brasil a ter uma marca própria de material esportivo.

A nova camisa do Paysandu foi confeccionada pela Bomache, empresa que comercializa produtos licenciados do clube, em dois tecidos diferentes, tendo a tecnologia “All Dry”. Outra novidade são as estrelas, referentes ao três títulos nacionas conquistados pelo clube, que atendem ao padrão da CBF. Além disso, o clube cria a marca “Lobo”, presente no lado direito do escudo, que vem em forma de patch e é bordado em tecido fino. “Esse ano nós queríamos homenagear os dois tons de azul do Paysandu, o azul celeste e o azul royal”, disse o diretor de marketing do clube, Renato Costa.

Divulgação

Para ter uma marca própria de material esportivo, a diretoria do Paysandu recusou algumas propostas de grandes fornecedoras do ramo. Segundo o presidente do clube, Alberto Maia, a ideia vinha sendo trabalhada desde o ínicio do ano passado. “Sabemos o quão exigente é o nosso torcedor. Sabíamos que era preciso encontrar um parceiro que entendesse que nós precisavámos oferecer no mercado um material de qualidade, um produto de qualidade. Contratamos uma empresa que se dispos a trabalhar com esse material de qualidade, e o importante é dizer que hoje o Paysandu pode usar qualquer empresa no Brasil e no mundo, porque a marca é nossa, pertence ao Paysandu”, disse o mandatário do clube.

Ainda de acordo com o presidente do clube, a questão financeira não foi a única preocupação da diretoria no projeto de criação de uma marca prórpia. “Nós nos preocupamos não só com o valor monetário que será auferido pelo Paysandu. Nós nos preocupamos com a possibilidade de lançar nossa marca própria porque a gente sabe que o torcedor do Paysandu compra camisa do Paysandu, e o mais importante pra gente é poder oferecer ao nosso torcedor uma camisa de última geração, uma camisa de qualidade”.

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Entre os presentes no evento, o analista de sistemas Rodrigo Silva, 30 anos, aprovou a nova camisa do Paysandu. “A nova camisa é linda, as cores resgatando o azul celeste mesmo é o que eu mais gosto (na nova camisa). E esse tom de degradê deu um charme especial pra ela. Eu acho incrível como o Paysandu evolui a cada ano. Lançar uma marca própria é dá vários passos a frente na história, e arrecadar muito mais dinheiro, pois a torcida é apaixonada, louca pela marca. Independente do que vem a torcida compra, a torcida banca o time, a torcida ame esse clube. Então é importante ter o Paysandu, essa marca do Papão”, disse Rodrigo.

Quem também prestigiou o lançamento do material esportivo do Paysandu, foi o ex-jogador, e um dos maiores ídolos do clube, Beto. Orgulhoso, o ex-meio-campista bicolor destacou o trabalho feito pela diretoria do clube como fundamental para o atual momento do clube. “Eu já participo desse clube há mais de 50 anos e vejo as mudanças acontecerem porque nós temos que acompanhar sim a evolução do tempo, e o Paysandu está caminhando para isso. Só tenho que parabenizar esse grande momento do clube, parabenizar todos que comandam o Paysandu através do senhor presidente Alberto Maia, do conselho, senhor presidente Ricardo Gluck Paul. Pra mim é um motivo de alegria.”

*Com a colaboração de Junior Cunha

** Fotos Fernando Torres/ASCOM Paysandu

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   Por: Felipe Barros, blogueiro carioca do virandoojogo.com

 

 

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Presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello virou símbolo das administrações responsáveis

 

 

“Depois de muitos anos de amadorismo, alguns clubes do futebol brasileiro começaram a adotar uma política de contenção de gastos, com o objetivo de equacionar as dívidas milionárias e, no futuro, conseguir montar times fortes com responsabilidade. A pergunta é: será que esse futuro já está chegando para algum clube?

 

Um exemplo claro sempre lembrado pela mídia e pelos torcedores é o Flamengo. Desde 2013, com a vitória de Eduardo Bandeira de Mello nas eleições presidenciais, o rubro-negro abandonou a política do “devo e não nego, pago quando puder” e passou a gastar somente o que cabia dentro de seu orçamento, mesmo que isso se refletisse em um período de elencos medianos e ausências de títulos.

 

E, de fato, clube carioca montou elencos sem pompa. Os títulos até vieram: em 2013, o Flamengo venceu a Copa do Brasil e, em 2014, o Campeonato Carioca.  Ainda assim, parte da torcida rubro-negra questionava se a nova política estaria dando certo. Afinal, um clube como o Flamengo tem que entrar em todos os campeonatos para ser campeão, certo? Nem tanto…

 

Depois de dois anos sem grandes times e com campanhas fracas no Brasileirão, o ano de 2015 tinha tudo para ser o primeiro no qual o Flamengo colheria, dentro de campo, os frutos de seu planejamento financeiro. Mais uma vez, porém, o rubro-negro não passou de figurante na competição, aumentando ainda mais as críticas e renovando a promessa para 2016. O grande problema é que, ao mesmo tempo em que Bandeira de Mello e sua turma entendem de finanças, ainda lhes faltam um bom conhecimento do campo e da bola.

 

Com cerca de R$ 2 milhões para incrementar a folha salarial a partir de maio do ano passado, a turma da Gávea poderia ter trazido bons jogadores para as posições mais carentes do elenco. Porém, praticamente todo o capital foi investido em três atletas de frente: Guerrero, Emerson Sheik e Ederson. O primeiro era um bom nome, mas não a altura do salário de R$ 900 mil reais. O segundo já não era mais nenhum menino, mas veio com status de grande craque. Já o terceiro foi claramente um equívoco: entre 2012 e 2015, Ederson havia feito apenas 50 jogos. Faltou uma boa avaliação para usar melhor o dinheiro conquistado a duras penas.

 

Para 2016, com o aumento das cotas de TV, a cobrança será ainda maior. Mais uma vez, dinheiro não é problema: por enquanto, o rubro-negro não contratou nenhum grande craque, mas trouxe bons jogadores para as posições mais necessitadas. O trabalho está sendo feito, resta saber se será convertido em taças.

 

 

Após um aumento de R$ 120 milhões na sua dívida em 2014, o Corinthians passou quase todo o ano de 2015 sofrendo com salários atrasados e problemas financeiros.  Em meados do ano passado, o Timão colocou o elenco à venda e acabou perdendo alguns jogadores importantes como Guerrero, Sheik, Fabio Santos e Petros. Por sorte e insistência de Tite, nomes como Jadson, Elias e Renato Augusto permaneceram. O treinador corintiano, por sua vez, tornou-se o grande responsável pelo título brasileiro, trabalhando de maneira brilhante com um elenco enxuto após o desmanche.

 

A maior campanha da história do Brasileirão não representou alívio financeiro para o Timão: o clube fechou o ano no vermelho, com déficit de R$ 50 milhões. A solução encontrada foi, mais uma vez, se desfazer do elenco. O mercado chinês veio com tudo para cima do Corinthians, que não pôde fazer nada para impedir: Jadson, Renato Augusto, Ralf,e Gil saíram com destino à Ásia. Fora Vagner Love, que foi vendido para o Mônaco. Foram necessárias as vendas de cinco titulares para começar a saldar o rombo de 2015.

O que vale mais a pena, afinal? Na mente passional de um torcedor, pode ser que o modelo corintiano seja melhor, afinal, o clube vem de uma sequência de grandes títulos. Ao pensar lógica e eticamente, porém, não há dúvidas: trabalhar com responsabilidade financeira é o caminho ideal – e o mais honesto, se é que alguém ainda se importa com isso no futebol brasileiro…”

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