Escrito em por & arquivado em Minhas Crônicas.

bergson

(Foto: Fernando Torres)

Amo as palavras tanto quanto odeio os números. Esses pestinhas me perseguem desde a escola, quando a boa aluna de redação escondia o boletim da mãe para ela não ver as notas ensanguentadas do vermelho vergonha em matemática. Argh! Só de ouvir o nome, tenho espasmos.

Uns tantos números de anos depois, os algarismos numéricos continuaram a me atormentar. Como jornalista esportiva, todo campeonato nacional era a mesma coisa. Remo e Paysandu passando sufoco na competição, e a repórter em apuros agarrada à maquina de calcular, para informar com precisão. Com quantos pontos escapa do rebaixamento? 47? Não, com esse número não dá mais, o time x venceu ontem…Ah tá! Então, pega a máquina aí de novo…3,2,1, gravando..” Com esse resultado, o Paysandu precisa agora de tantos pontos para fugir da zona de rebaixamento e garantir a tão sonhada permanência na série B”

 As indefectíveis calculadoras sempre fizeram parte da rotina de jornalistas esportivos e torcedores paraenses. E nesse Deus nos acuda, os números de vez em quando nos pregavam peças, como anjos zombateiros a saracotear pelos gramados. Não é preciso explicar aqui o que o 7 representa para o torcedor bicolor, e o que o 33 ( urgh!) significa para o azulino.

Pois bem, amigos, nesta última rodada da série B, a de número 33 ( urgh!), o Paysandu se viu marcado, cabalisticamente ou não, por esse número 3. Ao tropeçar na Curuzu e não passar de um empate em 1 x com o Vila Nova-GO, o time está a 3 pontos da permanência na série B, e a 3 pontos da zona de rebaixamento. Quanta bobagem! Não, quando se pode afirmar que o que faltou para os bicolores terem saído do jogo com uma vitória e espantado o fantasma da queda, foi um tantinho de sorte!

Sim, a sorte existe. Como no icônico “Match Point”, de Woody Allen, ela pode determinar um destino. É como em um jogo de tênis, no qual a bola bate na rede e pode cair de um lado ou de outro, selando um resultado.

Contra o Vila Nova, no tal jogo da fatídica rodada 33, o Paysandu merecia um melhor resultado. Foi claramente prejudicado pela arbitragem, que não marcou uma falta explícita do zagueiro do time goiano no goleiro Emerson, no lance que originou o gol do Vila.

Faltou sorte principalmente no segundo tempo quando, diferente de outros jogos, o Paysandu não se acomodou depois do empate e buscou a vitória até o fim. Houve entrega, houve disposição, só não houve o segundo gol. O Sobrenatural de Almeida, de Nelson Rodrigues, brincou de pira na Curuzu e fez a bola não entrar na rede do goleiro Luis Carlos.

A torcida bicolor, cuja paciência está longe de ser o ponto forte, entendeu e se comportou de maneira atípica da dos últimos jogos. Não houve vaias. Faltou apenas a tal sorte. Estava tudo certo então, como 2 e 2 são 5.

Mas nesta terça-feira, contra o Náutico, lá no Recife, o mesmo número 3 que atormenta o Papão poderá ser a bolinha de tênis que cai do lado certo, depois de bater na rede. Mais 3 pontos conquistados e o Paysandu, teoricamente, respira aliviado.

E o elemento decisivo pode ter um nome: Bergson.  A lei do ex pode funcionar mais uma vez. No primeiro jogo entre Paysandu x Náutico nesta série B, em Belém, os bicolores venceram o time pernambucano por 1 x 0, com gol dele: Bergson, de pênalti. O mesmo Bergson que saiu do Náutico em lua de fel com a torcida pernambucana, e chegou ao Paysandu desacreditado. O mesmo Bergson, que só nesta temporada já marcou 23 gols, mesmo número de gols marcados pelo Náutico em toda a série B, até a 32º rodada.

Que rolem os dados, Papão! Não esquecendo nunca que a sorte também é questão de competência. Match Point!

6 comentários para “O Paysandu e a rodada 33”

  1. Aguiar Lobo

    Syanne Neno, parabéns pela volta do “De Salto Alto” só fiquei triste por você odiar os números, pois, como disse Platão: “Os números governam o mundo.” e sendo assim, você ainda trabalhará muito com os pestinhas.

    Responder
  2. Wendell Aviz

    Bergson é a esperança do papao, uma das poucas contratações que deu certo.
    Espero que a única lei “pegou” no país não falhe… Um salve pra lei do ex!

    Responder
  3. Alex Bouth

    Que bom que você voltou a escrever suas crônicas. Sua opinião sempre é forte e merece sempre uma criteriosa reflexão. Parabéns

    Responder
  4. Edu Dias

    Parabéns, seu texto é muito atraente, gostoso de ler, mesmo sabendo que o meu Náutico vai ganhar em Recife.

    Responder
  5. Ronaldo Brasiliense

    Li e gostei. Mas fiquei com uma dúvida: o Bergson fez esses 23 gols apenas no Campeonato Paraense e na Série B? Parabéns.
    Do seu fã…
    Ronaldo Brasiliense

    Responder
  6. André Rocha

    Bom voltar a ler seu blog.
    O bom de tudo é não chegar a última rodada fazendo contas e depender de uma vitória na casa do adversário que assim como o Paysandu vem se recuperando na competição.
    Quanto a calculadora, assim como fizemos conta pra não cair, caso o time tivesse vencido os jogos dentro de casa hj estaríamos fazendo contas pro acesso, ou seja. A calculadora vai sempre fazer parte da vida de quem acompanha futebol.
    Que não passe mais tanto tempo sem nos contemplar com seus textos.
    Forte abraço do seu fã mais chato.

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *