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torcida Paysandu

Curuzu, minutos antes de Paysandu 4×2 Santa Cruz.

“Temporada 2017 chegando ao fim para o Paysandu, e eu aqui, assim como na maioria dos jogos, sendo presença cativa na Curuzu ou Mangueirão. A primeira sensação que tive quando cheguei foi aquela de fim de festa (pra quem é ou já foi baladeiro, sabe o que quero dizer). A tarde de sábado ensolarada, lembrou-me um certo sábado de 2001, quando o Paysandu sagrou-se pela segunda vez campeão de um título nacional. Hoje, a realidade passa muito longe daquele momento vivido pela Nação Bicolor que vivia naquele tempo um estado de euforia avassaladora.

Chegávamos a ser antipáticos perante a torcida rival, que tinha que engolir a seco as nossas conquistas. Porém, o ano de 2017 nos mostrou o outro lado do que é ser um torcedor bicolor apaixonado. O lado da tristeza  e da indignação de ver um time aquém das grandes formações vencedoras que tivemos.

Nem mesmo o título estadual foi capaz de encobrir as limitações do elenco bicolor, aos olhos daquele torcedor mais observador. Um título conquistado no último minuto do jogo, contra um adversário teoricamente mais fraco, tanto em termos de estrutura quanto de qualidade técnica. Um campeonato que, ao meu ver, era pra ter sido conquistado com um pé nas costas.

Mas enfim, veio o título e junto com ele o canto da sereia que enfeitiça o apaixonado torcedor, fazendo-o crer que com uns ajustes aqui e outro ali, o ano poderia ser promissor. Mas, o primeiro sinal de que não tava nada bem foi dado pela perda do título da Copa Verde para o Luverdense. Sim, esse mesmo Luverdense que foi rebaixado para a série C. Mas mesmo assim, a nau bicolor seguia adiante. À frente, seu comandante tinha a convicção que estávamos indo no caminho certo e que não haveria tempo ruim que pudesse fazê-lo mudar a rota.

Começa a série B. Para grande surpresa e superando todas as expectativas, o pavilhão bicolor, como um verdadeiro cavalo árabe puro sangue disparou na frente , assumindo desde cedo a primeira colocação. Mas foi só o campeonato pegar corpo e mostrar o quão é competitiva a série B, que a conta chegou para o comando bicolor. Os atletas que já estavam aqui no campeonato paraense, sentiram a dura competição e as contratações que foram feitas, sem exceção, decepcionaram o torcedor.

Aquela expectativa de ascender ao tão seleto grupo dos 20 melhores clubes do Brasil ia se dissipando a cada rodada. O Paysandu sofria muito pra vencer, não houve um ponto conquistado pelo time nessas 36 rodadas (contando até antes do jogo com o Santa Cruz) que não tenha sido extraído a fórceps do adversário.

O quanto foi difícil vencer e convencer. Mas como todo apaixonado, se vencesse bastava. O que importava eram os três pontos na conta. Pra mim o time decepcionou, embora eu tenha que reconhecer que alguns jogadores, apesar da deficiência técnica, tinham brilho nos olhos e  entrega.

Mas o futebol hoje em dia é bem mais do que isso. Falando de jogadores, pra mim o único destaque e digno de ser reconhecido como um bom jogador foi o Bergson. Quanto aos demais, todos em algum momento me decepcionaram, então prefiro não dar  nome por nome pra não cometer injustiças. Em razão disso, tudo o que foi essa temporada atropelada, se tiver que apontar um responsável apontaria o dedo para o comando de futebol do Paysandu, que não teve a competência ou a sorte necessária na hora de contratar.

E o resultado dessa temporada cambaleante foi a ausência da torcida, dos gritos de guerra entusiasmados, pois mesmo quando o público era bom, o time não conseguia empolgar nem o mais fanático torcedor. Admiro muito a galera da Alma Celeste pelo empenho em torcer pelo Paysandu acima de tudo e  qualquer circunstância.

E finalmente, o que fica pra mim dessa temporada, diante de tudo o que aconteceu,  é o que  bem diz um de nossos gritos de guerra: “Vou te apoiar. Seja onde for. Vai ser assim até o dia em que eu morrer”. Nos vemos em 2018, Papão!” ( por Gérson Rocha, funcionário público e torcedor bicolor, 49 anos)

 

Um oferecimento: Academia Body in Shape

Um comentário para “O Paysandu de 2017 passado a limpo por um torcedor”

  1. Mirim Eduardo

    Cheguei a me emocionar com as palavras. Sou um apaixonado torcedor do maior do norte e não desisto nunca do meu papão. Mas, esse ano tudo que foi dito neste texto eu tenho que aplaudir de pé!!
    Esse ano eu cheguei a acreditar que os raishers de Hitler estavam infiltrados no Paysandu pra acabar com o time fazendo cair pra uma série que só pertence ao adversário do outro lado. Tudo saindo errado, time oscilando, jogadores bons indo embora, contratações que pouco surtiram efeito, time jogando mau e assim vai. Não dava pra acreditar que era o Paysandu que tava jogando!!
    Mas enfim, somos série B em 2018!
    E que o presidente do Paysandu não erre tanto quanto esse ano que passou!

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