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Amigos, que lindeza! Não queria ser rica, sabe. Queria só ter todo o amor que houver nessa vida e um trocado que me dê algumas garantias. Entre elas, a de poder comprar toda, eu disse toda a nova coleção de camisas do Paysandu para 2018. Lançadas na última sexta-feira, elas  têm design clássico, limpo, e possuem detalhes sofisticados. E, sim, achei o uniforme número 1, o que homenageia a Argentina, o mais belo.

Homenagem à Argentina???!!! Como assim? O país de torcedores boçais que vivem a nos tripudiar? O país que se acha superior a nós? Antes de cair na armadilha de repetir esses bordões, vamos ser racionais e tentar entender. Na linha de uniformes para 2018, o ano da Copa na Rússia, o Paysandu decidiu homenagear TODOS os campeões mundiais. O estatuto do clube determina que a camisa número 1 seja sempre listrada, nas cores tradicionais. Qual outro país campeão mundial, além do nosso vizinho com o qual vivemos em birra, tem a camisa parecida com a dos bicolores? O deles mesmos, dos hermanos que nos fizeram chorar na Copa de 90 com Caniggia, que têm um dos maiores jogadores da história que já fez um gol de mão, que tem Messi, e que tem a torcida mais ensurdecedoramente apaixonada do mundo. Doa a quem doer, eis a verdade.

 Diferente da maioria dos torcedores brasileiros, não consigo implicar com a Argentina. Amo a língua espanhola, tango, a raça do futebol, o Papa Francisco e, principalmente, a Mafalda. Ícone da geração pensante argentina e mundial, Mafalda é um personagem das tirinhas do cartunista Quino. Inquieta, irônica e preocupada com as desigualdades sociais, ela é encantadoramente dura, mas sem perder a ternura de uma garotinha de 6 anos.

Assim como a Alice, de Lewis Carrol, e a Mônica, de Maurício de Sousa, Mafalda  encarna a anti-princesa, às avessas da imagem cultuada pelo imaginário infantil. Pra me dar coragem de seguir viagem nesse mundo maluco, tatuei uma Mafalda na perna. E tento pensar o mundo com os olhos de leveza e empatia da minha heroína.

 Diante dessa avalanche de críticas dos torcedores do Paysandu à escolha de homenagear a Argentina em seu uniforme número 1, fico me perguntando o que a intrépida garotinha iria comentar. De uma coisa, eu tenho certeza: Mafalda é bicolor!  E ela, certamente está radiante com a reverência do Paysandu ao seu país de origem, bicampeão mundial de futebol.

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O cientista político e escritor argentino Vicente Palermo, que já morou no Brasil,  chegou a afirmar que, hoje, os argentinos olham para o vizinho de uma outra maneira. “A Argentina mudou completamente sua visão sobre o Brasil. E o Brasil mesmo processou seu complexo de vira-lata e deixou de se ver como pequeno”, disse ele. No fundo, o argentino apaixonado por futebol nos ama e admira imensamente o futebol canarinho. Deixemos então de lado essa mania de bravejar esses clichês que, no fundo, denotam um certo complexo de inferioridade diante dos argentinos.

E o que mais importa, meus amigos, é que o Paysandu já conseguiu alcançar a marca de quase 1.500 camisas vendidas somente até o sábado, dia seguinte ao lançamento. O torcedor bicolor tem mais é que encarnar a marra argentina, e se encher de orgulho vendo a ideia da marca própria se afirmar a cada coleção.

E em 2018, lotar os estádios carregando o escudo do eterno campeão dos campeões em uma camisa que homenageia não só a Argentina, mas todos os campeões mundiais. O difícil vai ser escolher qual manto vestir para esquecer a insatisfação com o time montado este ano, e recomeçar a sonhar.

Como nos versos de Noel Rosa, a Fiel se põe a cantar:

“Eu vou pra luta, pois eu quero me aprumar. Vou tratar você com a força bruta, pra poder me reabilitar. Pois esta vida não está sopa. E eu pergunto: com que roupa? Com que roupa eu vou, pro samba que você me convidou?”

Um oferecimento: Academia Body in Shape

 

 

 

 

 

9 comentários para “O encanto dos novos mantos bicolores”

  1. Gerson Brito da Rocha

    Sinto um grande orgulho de perceber a evolução da qualidade dos produtos Lobo. Tanto em termos de design e arte, quanto de qualidade do material.
    Eu que tenho as camisas numero 1 e 2 de todas as temporadas, coloquei a atual ao lado da primeira camisa feita. Como evoluíram!
    Fico feliz e torço pra que a marca Lobo se solidifique de vez no mercado, inclusive fornecendo pra outros clubes, pra que aqui, a terra do “já teve”, daqui há pouco diga: “aqui já teve um time de futebol que tinha a própria marca de camisas…”
    E sobre ao povo da Argentina e o futebol, nunca tive qualquer tipo de ódio por eles. Pois não há como se emocionar quando aquela torcida solta seus gritos de guerra
    Que os novos uniformes nos inspire em 2018.

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  2. André Nunes

    Gostei das novas camisas e gostaria de poder comprar todas.

    Também não consigo implicar com a Argentina. Logo eu, fã dos livros de Jorge Luis Borges e fascinando cada vez mais pelo riquíssimo cinema argentino.

    Parabéns pelo texto bem escrito e obrigado por proporcionar uma leitura prazerosa.

    “O urgente nunca deixa tempo para o importante.” ( Mafalda)

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  3. Alex Bouth

    Parabéns pelo excelente texto. Estou a contar os “borós’ e ver o alcance do cartão de credito , também por querer comprar todas. Me encantou por demais a “Valentia”, camisa que homenageia os hermanos, “pero, me gustó más la raza uruguaya “.
    Que a camisa dos Campeões do mundo inspire nosso amado Paysandu a grandes conquistas, títulos não só em 2018 como daqui para frente,e assim como a camisa alusiva ao Brasil ficou para ser lançada como a “cereja do bolo”, o fim do ano de 2018 também nos reserve a “cereja” do tri-campeonato da série B. E tenho dito. “Hasta la vista, baby”.

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  4. Marcelo

    A repercussão já dá a medida do acerto e sucesso da iniciativa do Paysandu.
    Pena que boa parte das pessoas não entendem que homenagear campeões mundiais significa homenagear também a Argentina, visto ser uma bi-campeã. E mesmo se fosse uma homenagem exclusiva, qual seria o problema?
    O fato de a camisa principal do Paysandu ser similar a da Argentina (ou será o contrário?) potencializa os ataques de quem é contra, de quem, movido pelo ufanismo de boa parte da imprensa esportiva quando o assunto é Argentina, acaba caindo nessa conversinha de “temos que ganhar deles até no par ou ímpar”.
    Torcedores e jogadores imbecis, violentos e racistas, existem em qualquer lugar, este é um argumento que não pode ser usado para tentar depreciar qualquer menção que se faça a Argentina, ou qualquer outro país. Até por que, para o Argentino, o grande rival sul americano é o Uruguai, nós somos apenas mais um.

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  5. EMMANUEL NASCIMENTO

    Syanne Neno tá melhor do que nunca!! Se já era fã de suas crônicas, agora mais do que apaixonado.
    Menina de onde tu tiras tanta coisa boa e maravilhosa?? Fico pasmo com a tua perspicácia e capacidade de criar textos!!
    Só porque foste tu quem escreveu, concordo com tudo e mais um pouquinho. Temos a camisa mais bonita deste país e los hermanos deveriam estar orgulhosos de imitar nosso uniforme. kkk
    Beijos, Syanne, ainda quero ver essa tatuagem da tua amiguinha!!! kkk

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