Escrito em por & arquivado em Minhas Crônicas.

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É, meus amigos, só resta uma certeza, é preciso acabar com essa tristeza, é preciso inventar de novo o amor. Tomei emprestado os versos do “poetinha” Vinicius de Moraes para cantar meu amor infinito pelo Re x Pa. Em tempos de desilusões políticas e crise moral de um país em chamas, meu coração dilacerado grita por um partido: o Partido Nostalgia Futebol Clube. E o PNFC fundado por mim neste 04/03/2016 só tem como interesse o auto – deleite, proporcionado pelas lembranças do passado. Ás vésperas do Re x Pa que vai decidir o primeiro turno, quero reinventar o clássico mais disputado do mundo. Quero inventar de novo o meu amor por esse jogo.

Me lembro benzinho quando eu, com meus 8 anos de idade, tinha como diversão tentar adivinhar o time do coração dos ouvintes que ligavam para participar dos programas de rádio. Quando se é criança, o mundo se divide entre bons e maus, entre príncipes e vilões. Pois bem. A menina, que hoje vos escreve, tinha essa boba mania de rotular as pessoas de acordo com o time para o qual eles torcem. Se o ouvinte tinha voz de vovô malvado, ranzinza, ele torcia para o time X, mas o outro, ah, o outro tinha voz do vovô Gepeto, doce, carinhoso, engraçado, só podia ser do time XY!! E o pior, amigos, é que a menina quase sempre acertava.

O tempo passou e fui aprendendo que Remo e Paysandu possuem bandidos e mocinhos, dentro e fora de campo. A maior prova disso é que tive heróis dos 2 lados. Sim, dos 2 lados. Porque depois de virar profissional, o Re x Pa pra mim virou o maior palco das emoções humanas. Minha fantasia predileta, o jogo no qual o meu cavalo só fala inglês e eu sou sempre a noiva do cowboy. Quando meu time ganha ou perde, eu sempre arrumo um jeito de ser feliz. Seja vendo um jogador desacreditado cair nas graças de uma torcida ou confirmando uma previsão que eu fiz, o Re x Pa sempre me traz um coelho escondido na cartola azul. Pura magia.

Em 1992, um certo “Nego Bala” fez meu coração parar ao marcar o gol da vitória contra o Remo. Levei intermináveis segundos para a ficha cair, desde aquele chute, do meio de campo, até o gol defendido por Paulo Vítor. ( confira o gol no vídeo abaixo)

Sete anos depois, em 1999, vivi o outro lado, ao comemorar o gol de Aílton, que deu o título paraense daquele ano ao Remo. No início do Parazão, eu tinha acabado de perder minha filhinha, em um acidente de carro. Voltei a trabalhar juntando forças sabe Deus de onde, ou melhor, Dele mesmo. Aílton tinha acabado de ser contratado pelo Remo e teve que operar o joelho. Fui fazer a matéria com ele, ainda no hospital, e um misto de sentimentos me assombrou o vendo tão desanimado. Foi aí que um anjo, desses que vez em quando vêm passear por aqui, me soprou no ouvido: “ele vai fazer o gol do título no final do ano!” Afirmei com todas as letras que isso ia acontecer ao Aílton e ele, claro, fez pouco caso da repórter dublê de vidente. No último jogo do campeonato, minha profecia se fez realidade e Aílton guarda até hoje, emoldurada,  a minha crônica publicada no jornal do dia, antecipando o gol anunciado. (confira o gol e entrevista com ele, falando sobre esse jogo, no vídeo abaixo)

No Re x Pa desse domingo, não faço a menor ideia de que forma vou inventar de novo o amor pelo clássico e ser feliz. Pode ser vendo o Paysandu, um time campeão na administração, voltar a erguer um troféu de turno, o que não acontece desde aquele 3 x 3, em 2014, com gol do Zé Antônio e a invasão do “bodinho” no final. Ou pode ser vendo o Remo confirmar uma certeza minha, a de que existe um Deus misterioso que paira no Mangueirão e faz os jogadores azulinos incorporarem deuses da raça quando avistam a camisa listrada pela frente. O herói pode ser Augusto Recife, o estreante Potita, Eduardo Ramos, Marcelo Costa, Ciro, Cearense… Pode ser ainda um reserva, pra manter viva uma já tradição do clássico. Não importa. A certeza e que, assim como em todos os outros Re x Pa, eu vou ser a diretora do meu  próprio filme e ter mais uma deliciosa história pra contar. Do meu jeito, com a minha cara.

No mundo de hoje, achatado pela chatice da polarização e intolerância, não sou Lula, muito menos Bolsonaro. Torço de verdade é por seres humanos que vão de heróis a vilões e vilões a heróis em um lance. Sou Re x Pa. Sou amor.

4 comentários para “Meu time é o Re x Pa!”

  1. MARCOS ROBERTO SILVA COSTA

    COMO SEMPRE FANTASTICA EM SEUS PENSAMENTOS. SAIBA QUE SOU MUITO SEU FÂ DESDE OS TEMPOS DA COLUNA: DE SALTO ALTO. FICA COM DEUS QUERIDA.

    Responder

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