Escrito em por & arquivado em Minhas Crônicas.

bergson 7

O ano era 1991. Temporada de chuvas, tempo no qual o Brasileirão era disputado no primeiro semestre. O campo do Paysandu estava um verdadeiro mangue e o clube enfrentava o ABC-RN precisando da vitória por 2 gols de diferença.

O terreno estava tão propício à prática do futebol quanto um pátio ensaboado está adequado para se dançar um tango. Na arena, a bola parecia um gladiador entregue aos leões. Entre eles, uma pantera negra: Cacaio.

Ele marcou duas vezes na partida na qual o Paysandu precisava vencer por dois gols de diferença (3×1) No segundo gol, fez o improvável… Um toque de calcanhar na lama… em meio a centenas de canelas, a bola rolou como um caranguejo na “andada”, e foi parar no fundo das redes do ABC. Aquilo era Cacaio: a cartada mágica do baralho, o royal street flash, o ídolo, o cavaleiro da esperança, o nosso herói, nosso xodó.

Por que lembrar dele agora? Porque naquele ano, com 14 gols, Cacaio foi artilheiro do brasileiro e essencial para o primeiro título nacional do Paysandu. E ficar com ele tornou-se inviável. O clube paraense até que tentou, criou uma campanha de marketing vendendo camisas com o autógrafo do ídolo. Mas ele acabou indo para o Guarani, de Campinas. Depois de Cacaio, outros xodós vieram… Mendonça: o “Nego Bala”; Edil Carrasco; Mirandinha: “o Pai do Vento; Robgol; Zé Augusto: o “Terçado Doido’; Pikachu e o mais recente Bergson; o Bergshow.

Bergson, com 28 gols na temporada,  16 no brasileiro, ficou conosco o tempo suficiente para rubricar seu nome na história alvi-azul. Gol em RexPa? Check. Campeão Paraense? Check. E na série B, era o cara que garimpava gols onde esquemas de jogo diziam “não”. Era o cara certo na hora certa, mesmo quando a sorte parecia ter nos abandonado. E agora? Como eu me vingo, nas tardes de domingo, sem Bergson no Mangueirão? O tempo dirá. Daqui pra lá, a torcida bicolor segue cantando os versos de Dominguinho. “Eu só quero um xodó, que acabe o meu sofrer. Um xodó pra mim, do meu jeito assim, que alegre o meu viver”.

Um oferecimento: Academia Body in Shape e Caboquisse

 

2 comentários para “Eu só quero um xodó”

  1. Alex Bouth

    É da cultura do futebol a figura do ídolo. Mas hoje, com o “futebol business”, o que fala mais alto é o dinheiro, a oportunidade de se projetar e fazer bons contratos. Mas não se pode condenar o atleta, todos nós procuramos sempre oportunidades profissionais que nos valorizem, financeiramente e com reconhecimento de nosso trabalho. O agravante para o atleta profissional é a curta carreira e as poucas oportunidades que surgem nessa trajetória. No caso especifico do Bergson, como dizia a minha vó “quase ele fica para o Caritó, ia ser moça veia”. Para a carreira de jogador profissional, só agora aos 26 anos teve destaque em sua carreira, já é considerado um momento tardio.Então só podemos agradece-lo, por ter escrito o melhor momento de sua carreira com as tintas azul e branco, do Paysandu, o Maior e Melhor do Norte, Eterno Campeão dos Campeões. Boa sorte ao Bergshow, quem sabe em breve a gente se encontra. Parabéns, Syanne, você nem precisa de salto para estar sempre no alto. Sucesso para você, sempre.

    Responder
  2. Gerson Rocha

    Somos carentes de ídolos. O Cacaio foi o primeiro ídolo alvo-azul que pude ver jogar, com a consciência e o coração de um torcedor apaixonado. Os anteriores, apesar de terem marcado história no clube, ou eu não os vi jogar ou não causaram em mim o brilho nos olhos que o Cacaio me causou.
    Sugestão de placa pra ser posta na entrada da Curuzú: Precisa-se se ídolos.

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *