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Por Mauro Tavernard

 

Desde setembro de 2015, quando iniciei minha “saga” de jogos pela Europa, lá se vão mais de 20 partidas, como torcedor ou portando credencial de jornalista, que tive a oportunidade de assistir/trabalhar. França (Nantes e PSG), Holanda (Ajax), Escócia (Glasgow Rangers), Inglaterra (Chelsea, Liverpool…) e Irlanda (Bohemians e Shamrock Rovers) foram os países visitados até aqui. Ontem foi mais um dia de futebol no currículo, quando à noite visitei o estádio Richmond Park para acompanhar St. Patricks 0 x 4 Dudalk, pela primeira divisão do Campeonato Irlandês.

 

Marcado para às 19h45, eu como de costume deixei tudo para cima da hora, e mesmo estando livre a partir das 16hrs, saí de casa só às 18:30. Levando notebook e câmera na mochila, iniciei o longo percurso ouvindo uma playlist variada no celular, num mix de Arctic Monkeys, The Strokes e Led Zeppelin. Optei por ir pela margem do bonito rio Liffey, admirando paisagens e lugares que eu ainda não conhecia em Dublin. Entre “Starway to Heaven”, “Last Night” e “Leave Before the lights came on” berrando no fone de ouvido, vi pubs e restaurantes interessantes que me fizeram até pegar o bloquinho de anotações para marcar tais lugares para ir quando pintar uma folga.

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O percurso era longo (mais de uma hora à pé), e como neste dia eu teria que ir para a sala de imprensa, tive que ir com um tênis desconfortável, mas nada que atrapalhasse o brilho de um passeio agradável e tranquilo. O frio, que me “persegue” desde que cheguei em agosto, segue o mesmo de sempre – em torno de 3 graus, com muito vento -, mas andando a sensação térmica fica menos intensa como de costume. Até me dei ao luxo de abri o casaco.

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Me dei conta de como me sinto seguro aqui, pois no Brasil não iria nem na esquina andando com pertences valiosos. Mas Dublin é muito mais segura que cidades europeias como Paris e Londres, dentre outras. É uma das maiores qualidades da ilha. A questão não é ser ou não assaltado, mas a sensação de segurança.

 

Voltando ao trajeto, depois de quase uma hora “pernando”, o mão de vaca que vos fala, que faz tudo para não pagar cerca de R$10 só de ida no busão chegou esbaforido no estádio. Depois de entrar e cumprimentar o assessor de imprensa, sentei no setor designado aos jornalistas e durante os 30 primeiros minutos apenas acompanhei o jogo, sem nem abrir o pc. Como já tinha visto em jogos anteriores, vi muita vontade de ambos os lados, marcação forte e até que bons jogadores. Diria que os dois clubes, os melhores elencos do país, estão no nível da terceira divisão da Inglaterra, e jogariam de igual para igual no Brasileirão. O Richmond Park é pequeno, mas muito bem cuidado e a torcida deles, dos Pats, é atuante. Até Match Programme (livrinho do jogo) eles têm!

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Depois de assistir jogos em Anfield Road, Parc des Princess e White Hart Lane, só para citar alguns, nada mais parece me deslumbrar. O ponto alto foi um gol de Sérgio Aguero que vi em Upton Park (West Ham, Londres), bem atrás do gol de Adan, em que o argentino veio saudar com a torcida do City, aonde eu tava, com centimetros de distância. Mesmo assim, assisto a jogos menores com o mesmo olhar curioso, aquela vontade de ser surpreendido a qualquer hora. O nível técnico diminui drasticamente, é claro, mas mantive a seriedade e prestei atenção no bom futebol mostrado pelo Dudalk, atual campeão irlândes.

 

Bem montada, a equipe, que possui a mesma base à vários anos, jogava tão bem para os padrões locais que podia até pleitear um lugar nas ligas dos vizinhos escoceses e ingleses, assim como o galês Swansea, se para isso necessitasse apenas do mostrado em campo para isso. Nada de espetacular, porém extremamente eficiente. Me lembrei do Tottenham, time pobre em valores individuais, mas que no jogo coletivo abocanha pontos importantes. O resultado em si até que foi injusto,pois os donos da casa pressionavam a todo o instante, e não jogaram tão mal para tomar de 4. Ao todo os Pats deram 12 chutes a gol, e os visitantes apenas 5.

Segundo gol do Dudalk que consegui filmar:

 

Mesmo com placar de 3 a 0, eles fechavam os espaços do adversário, desesperado para não decepcionar os cerca de 5 mil que lotavam o estádio, usando sempre os contra-ataques como arma. Horgan livre na pequena área venceu o goleiro Clarke para fechar os 4 a 0 do Dudalk. David McMillan, Brian Gartland e novamente Horgan foram os outros marcadores da noite. O Dudalk, que ganhou com folgas o torneio ano passado, segue como grande favorito novamente para faturar o “Irlandesão” esse ano. A temporada da Irlanda não segue os padrões europeus, com partidas entre março e novembro.

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Me despedindo daquele clima de estádio “família” que tanto gosto, vi várias crianças em campo, várias gerações de torcedores que manteram viva a mémoria daquele time, daquela comunidade, por vários e vários anos, numa amostra do que o futebol tem de melhor. Imaginei levando meu filho um dia num jogo, em como ia ser bom ver ele brincando com as outras crianças no intervalo e pulando comigo na hora do gol.

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Na coletiva de imprensa, tive a dura missão de entrevistar o técnico Liam Buckley, visivelmente esgotado após ver seu time levar uma surra tática e no placar do líder Dudalk. Falei minha opinião sobre o futebol da Irlanda, que os jogadores eram muito fortes e intensos dentro de campo, e ele concordou. “Somos sempre assim (combativos). Os clubes daqui jogam dessa forma”, disse. Sua esposa já o esperava para leva-lo para casa,mas ainda consegui fazer uma última pergunta.

Disse que fiquei surpreso com o bom nível técnico do campeonato, que eram bons times, e que Pat’s e Dudalk eram os melhores do campeonato. “A diferença entre nós e o Dudalk é o tempo. Eles estão com a base formada há mais tempo, e nós formamos o time recentemente”, finalizou Buckley.

 

Me despedi dos jornalistas, que mais uma vez me receberam muito bem, e fiz o mesmo caminho da ida na volta para casa. Desta vez sem (boa) música, pois minha bateria havia acabado, o que tornou o trajeto bem menos agradável. Meus pés foram castigados pelo solado irregular, mas cheguei em casa feliz após mais um dia de futebol.

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Ficha da Partida:

St Pat’s Ath – Clarke; O’Brien, D Dennehy, McEleney, Bermingham; Treacy (Verdon 76), Cawley; Timlin, Kelly (Byrne 67), B Dennehy; Fagan (Corcoran h-t).

Dundalk – Rogers; Gannon, Gartland, Boyle, Massey; Shields, O’Donnell; Mountney, Horgan (Meenan 83), Finn (Benson 76); Kilduff (McMillan 62).

Local: Richmond Park (Dublin-Irlanda)

Público: 5 mil pessoas

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