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O time bicolor desembarcou em Belém, na tarde desta quarta-feira, 11, na mesma hora de 14 anos atrás. Em 2002, o Paysandu trazia o troféu de Campeão dos Campeões e carimbava o passaporte para uma inédita Libertadores da América. A cronista que vos escreve aqui era a repórter de TV que recebeu os jogadores no aeroporto e mostrou, ao fundo, a sala de embarque internacional, dizendo: “A partir de agora, essa cena vai virar rotina. O Paysandu Sport Clube passa a ser um time internacional, desbravando a América. Que venha a Libertadores!”

Pois bem, senhores, o ciclo do campeão se repete. O Paysandu volta de Brasília trazendo o troféu da Copa Verde, no mesmo horário da volta de Fortaleza, onde conquistou a Copa dos Campeões. E mais uma vez, ganha o direito de disputar uma competição internacional. A Sul Americana não tem o mesmo glamour de uma Libertadores, mas quem liga pra isso? “Soy loco por ti, América!”, grita o torcedor bicolor, que assim como em 2002, enfrentou o sol de rachar catedrais para receber os comandados de Dado Cavalcante no aeroporto e segui-los em carros, bicicletas, a pé ou de qualquer outro jeito. A torcida que traz no escudo da camisa aqueles pezinhos com asas não liga pra distância, muito menos para a altura dos sonhos. Ela se transporta para aonde ela quer e chega onde o coração manda. Hoje, eles queriam apenas chegar à Curuzu, para reverenciar seus heróis. Mas em breve, querem chegar muito mais longe. Por que não?

O Paysandu estreia na série B no próximo sábado, 14, contra o Ceará, em Fortaleza, com um time ainda precisando de muitos retoques e peças pontuais. Mas traz um técnico que, agora sim, parece pronto para alçar vôos mais seguros, com as asinhas aladas que aparecem no escudo bicolor. Ano passado, Dado Cavalcante perdeu dois títulos em menos de duas semanas para o maior rival. Muitos grunhiam por sua demissão. Mas se você achava que ele estava derrotado, viu que os dados de Dado ainda rolaram, provando, como na música de Cazuza, que realmente o tempo não pára. O presidente Alberto Maia acreditou no dia seguinte de Dado Cavalcante. Esse dia seguinte demorou mais de um ano, mas veio. Dado conquistou dois títulos em quatro dias. Parece que o jogo virou, amigos. E a música também. A preferida do treinador bicolor é “Poder da Criação”, de João Nogueira. Parece mais uma profecia do que esperava o jovem técnico pernambucano, nesses últimos dias, em busca da afirmação. Diz assim:

“Não, ninguém faz samba só porque prefere
Força nenhuma no mundo interfere
Sobre o poder da criação
Não, não precisa se estar nem feliz nem aflito
Nem se refugiar em lugar mais bonito
Em busca da inspiração
Não, ela é uma luz que chega de repente
Com a rapidez de uma estrela cadente
E acende a mente e o coração
É, faz pensar
Que existe uma força maior que nos guia
Que está no ar
Vem no meio da noite ou no claro do dia
Chega a nos angustiar
E o poeta se deixa levar por essa magia
E um verso vem vindo e vem vindo uma melodia
E o povo começa a cantar!” ( É CAMPEÃO!!)

E é com essa força invisível, do poder da criação, que Dado Cavalcante pretende levar esse lobo novamente a se aventurar na América. No mínimo, mais de 500 mil reais estão garantidos nos cofres bicolores pela participação na primeira fase da Sul Americana. O time perdeu a invencibilidade de 25 jogos. Sim, e daí? O que fica pra história é esse título inédito, que há 3 anos batia na trave dos times paraenses. E o direito de ser novamente um clube com pose internacional, para levar, enfim, seus torcedores e seus pezinhos de asas para onde eles quiserem. Porque, afinal, como Mário Quintana um dia escreveu: “Viver é acalentar sonhos e esperanças, fazendo da fé a nossa inspiração maior. É buscar nas pequenas coisas, um grande motivo para ser feliz!” Simples assim. Como a poesia de Quintana. Como o futebol.

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Foto: Assessoria de Imprensa Paysandu

Como presente de grego do destino, amanheci o sábado do Re x Pa  com conjuntivite nos dois olhos. Pequeninos e tortos, os bichinhos mal conseguiam ficar abertos, tamanho grau da infecção. Pânico na jornalista esportiva em um dia de seu jogo favorito, decidindo uma vaga pra final da Copa Verde e na véspera da decisão do segundo turno do Parazão, na qual estaria trabalhando, pela TV Cultura. Meu oftalmologista cortou logo o barato: 5 dias de tratamento intensivo, com colírio antibiótico e  sem direito a lentes de contato. Aaah, ok, tudo bem, use seus óculos, é tão charmoso, diria você, solidário leitor. Seriam… Não quando se tem 15 graus de miopia a serem exibidos na lente fundo de garrafa de cerveja e ainda por cima estão com as hastes quebradas!

Mas o que você tem a ver com meu drama nesse final de semana? Nada! Mas tem a ver com o Re x Pa que me trouxe, durante 90 minutos, a alegria de voltar a enxergar o futebol com olhos de encanto. Há muito tempo, muito tempo mesmo, não sabia o que era isso. Pois bem, amigos, eu diria que quem não assistiu ao Re x Pa desse sábado, perdeu um dos melhores clássicos dos últimos tempos. A conjuntivite doía quando vi o goleiro bicolor Emerson defender com a ponta dos dedos o chute de Marco Goiano. Rapidinho, me anestesiei. Com as mãos trêmulas, equilibrando os óculos sem hastes no nariz, pensei : “Esse Re x Pa promete!” Prometia e cumpriu.

Vimos valentia, vimos um Augusto Recife, com quase 40 anos, implacável na marcação de um maestro Eduardo Ramos, que mesmo assim ainda ensaiou um chapéu durante o segundo tempo. Palmas para o talento da estrela solitária da companhia azulina. O Remo, até a expulsão de Max, até por precisar vencer, levava maior perigo, mesmo com as investidas “pensas” de Levy em cima de um perdido Raí na lateral. Com a entrada de Silvio, o paraense que um dia chegou a trabalhar como padeiro, o Leão equilibrou os lados. Foi de Silvio o cruzamento para o gol contra de Lombardi. Ma oooe!, gol “SBT”, para explodir o clássico campeão de audiência.

Meus olhos já não ardiam mais de dor, varavam de luz. Os óculos chegaram a cair quando vi as canetas de Fabinho Alves e do Imperador Luis Carlos. Sim, o Re x Pa teve lances de puro talento! Teve emoção, com o choro de Betinho, saindo de campo, derrotado pela dor de uma contusão, depois de marcar o primeiro gol para o Paysandu. O banco de reservas bicolor, inteiro, foi consolar o artilheiro do jogo na beira do gramado. Teve surpresa, quando Ciro voltou a marcar e jogar bem, se doando em campo, jogando pelos lados e centralizando, depois que Silvio entrou. Teve senso de coletividade, quando Cearense deixou de concluir a jogada para rolar a bola, marotamente, para Raí fazer o terceiro gol. Teve uma festa linda das duas torcidas, se revezando entre um comovente “Eu acredito” e o provocativo “olé”

E, finalmente, teve a pedalada de Raí, o tão criticado Raí do primeiro tempo, ineficiente na marcação, mas que depois da entrada de Rodrigo Andrade (a atuação do menino da base também foi de encher os olhos), foi decisivo. Antes da pedalada, ainda houve o drible, para então pedalar e golpear mortalmente o rival no pescoço, na comemoração do gol. Foi aí que esfreguei meus olhos, que jorravam uma branca hemorragia de alegria , para ter a certeza. Estava eu diante de um Re x Pa com requintes de cura momentânea.

Chico Buarque cantou que “os poetas, como os cegos, sabem ver na escuridão”, Nesse 23 de abril, estava quase cega, mas a beleza desse jogo inesquecível me trouxe a poesia de volta. Mesmo em meio à escuridão. Bendito e clarividente Re x Pa!

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A Inglaterra, assim como a Argentina e Alemanha, são países conhecidos por terem um futebol local forte e torcedores apaixonados. Já estive em Buenos Aires e vi alguns jogos na Europa com torcida visitante da Alemanha, e somados com várias partidas que vi na Inglaterra, de times das cinco principais divisões, tive a real dimensão do que os clubes representam para seus fans. Diferente do Brasil, em que o se o time perder três jogos o público no estádio cai drasticamente, nesses locais, não importa a divisão ou posição do time na tabela, o futebol possui um significado mais amplo.

Já cansei de ver time perder de goleada em casa e ser aplaudido, time rebaixado para a última divisão lotar estádio e médias de público maiores que de times da série A do Brasileirão de equipes com títulos no currículo. No meu segundo jogo cobrindo o Portsmouth FC optei por acompanhar a torcida do Pompey na longa viagem até York, que fica cerca de 400 km da cidade sulista inglesa.

O trajeto de quase seis horas poderia ser cansativo e monótono, não fosse pela simpatia e bom humor dos cerca de 80 torcedores do ônibus e outras centenas que encontrei no estádio. Falarei sobre o jogo em si (derrota por 3 a 1 para os donos da casa) em outro post (http://arquibancadafclube.blogspot.co.uk/2016/04/mesmo-depois-de-duas-derrotas-seguidas.html). Dedicarei este para relatar a minha primeira experiência de viagem com torcedores na Europa.

A ”aventura” começou por volta das 10h30 de terça-feira (19), em frente ao Fratton Park, estádio do Portsmouth FC. Desde semana passada estou na cidade para cobrir o clube neste final de temporada, e o primeiro jogo foi no último sábado (16), na derrota para o Plymouth por 2 a 1 em casa pela League Two, a quarta divisão inglesa. Tradicional clube britânico e detetor de vários títulos importantes, como os bicampeonatos da primeira divisão e da FA CUP, o Pompey, como é chamado pela sua torcida, sofreu diversos baques administrativos desde 2009.

 

Depois de grandes elencos com estrelas do quilate de Kanu, Milan Baros e David James, o clube teve três rebaixamentos consecutivos após a derrota para o Chelsea na final da FA CUP em 2010, indo parar na quarta divisão, aonde permanece até o momento.

Com o caos administrativo, dirigentes presos com suspeitas de desviarem dinheiro do time e diversas outras trapalhadas, alguns torcedores com grana ou talento para finanças resolveram se unir para evitar a falência da equipe e fundaram o ”Pompey Supporters Trust”, literalmente comprando o Portsmouth através de Ações. Após duas temporadas sem muito brilho na League Two, o clube atualmente luta por uma vaga nos playoffs de acesso para a League One faltando cinco rodadas para o final da competição.

Essa mesma torcida, que acompanhou recentes momentos históricos do clube, como a vitória por 1 a 0 sobre o Manchester United de Cristiano Ronaldo por 1 a 0 em pleno Old Trafford, me acolhia agradavelmente para o percurso, rumo a mais um jogo na quarta divisão. O ônibus era confortável e as estradas inglesas, praticamente impecáveis, facilitaram a viagem.

Fiquei imaginando se tivesse optado em ir com credencial de jornalista, na monotonia que seriam esses 400km de ida e volta sem companhia. O boas vindas da tripulação veio através de um chá logo após me alocar no meu lugar, que continha um papel em cima com meu nome escrito. Fazia um bonito dia de sol, algo raro por aqui, e como ainda não conhecia ninguém da torcida, apenas acompanhei as conversas, mas sem interação.

 

Praticamente tudo do que ouvi eram assuntos ligados ao time, na fixação deles com a FA CUP, no goleiro frangueiro que não emplacou, nas falhas do jogo passado, dentre outros assuntos. As únicas experiências com grandes deslocamentos com a torcida visitante que tive foram no Brasil e não muito agradáveis.

Em 2010, na semifinal da Libertadores do São Paulo com o Inter no Beira Rio, e 2011, na final da Copa do Brasil do Vasco contra o Coritiba, no Couto Pereira, presenciei cenas de terror e violência. Brigas e tiros para o alto da polícia me fizeram abolir esse tipo de viagem, e os documentários sobre hooligans que tinha assistido só aumentavam meu receio, o que me fez deixar o notebook em casa.

Mas  ônibus era calmo e tranquilo, formado por torcedores “das antigas”, o que me fez relaxar sobre qualquer tipo de problema.

Paramos num tradicional pub inglês numa cidade próxima a Sheffield para almoçarmos e pude conhecer melhor os integrantes. A maioria tem entre 45 e 65 anos, são bem humorados e de bem com a vida. Um deles era Ray Breen, que sempre acompanha o clube nos jogos dentro e fora de casa há vários anos.

 

Para ele, os piores anos já passaram, e o clube está pronto para novos desafios. “Passamos por muitos problemas, mas queremos voltar a elite em breve. Essa torcida é diferenciada e apaixonada, merecemos isso”, disse, entre uns e outros goles em sua pint, como os ingleses chamam um grande copo de cerveja.

Enquanto eu esperava pela minha lasanha e tomava suco de laranja, fui questionado sobre o motivo de eu ser o único do ônibus a não beber (!?). Quando disse que quatro da tarde era “muito cedo”, o riso foi geral. Assim como os irlandeses, na Inglaterra é muito comum as pessoas beberem todo dia, mas eu definitivamente não consigo acompanhar esse ritmo.

                                                                                                 *

Difícil imaginar esse estilo de viagem no brasil, com torcedores comuns, de diferentes idades (os mais jovens estavam em outras conduções), indo para todos os jogos fora de casa por dois motivos principais: violência e carga horária de trabalho. Há vários anos o hooliganismo é combatido na Inglaterra, e apesar de ver alguns deles no meio das torcidas por aqui, vi poucas cenas de violência, o que facilitou esse tipo de torcedor nessas viagens, e não apenas os fanáticos, daqueles que largam a vida pelo clube, como acontece no Brasil.

Na Europa também é comum a negociação de horas e dias de trabalho/férias com o chefe, o que permite trabalhadores comuns se ausentarem por um dia no meio da semana com frequência, algo improvável em nosso país.

 

Voltando ao trajeto passamos por diversas cidades, o que me fez lembrar de vários filmes característicos da Inglaterra, com aquelas casas iguais e grandes fazendas. Depois de cochilar um pouco, o ônibus finalmente parou na cidade de York, quase na divisa com a Escócia, ao norte. Com larga história, cercado por castelos e muita cultura, é a casa do York City FC, pequeno clube local que já está rebaixado para a National League (quinta divisão) na próxima temporada.

Mesmo possuindo apenas um título da quarta divisão nos anos 80 e tendo uma péssima temporada na penúltima colocação durante quase todo o torneio, a torcida segue fiel, lotando 90% do estádio Bootham Crescent. Antes da partida, que seria desastrosa para o Pompey em termos de classificação, fomos a um pub ao lado do estádio.

E toma-te pints para a galera. Geralmente antes dos jogos sempre existe pelo menos um pub reservado para a torcida adversária, e este estava tomado por azul, a cor do clube, e diversos torcedores, de todas as idades e características. Por várias vezes entoavam cânticos da torcida, fazendo do lugar uma espécie de mini-Fratton Park. “É assim todo jogo.

O que você está vendo hoje acontece em todos os jogos do Pompey fora de casa”, disse Paul Allen, que acompanha o clube desde os anos 70. “Quando era menor, vi o time na quarta divisão também, e conseguimos superar essa fase ruim. Acredito na volta dos bons tempos em breve”, disse Allen, que permanecia sem enrolar uma palavra após vários copos de cerveja. Fui praticamente “obrigado” a tomar uma com eles, mas fiquei só no primeiro copo. É incrível a resistência dos ingleses com o álcool! Parece que nada é capaz de derrubá-los.

A mesma animação do pub vi no estádio, e mesmo com o placar adverso – 3 a 1 para o York – e duas derrotas seguidas, os torcedores voltaram sem maiores aborrecimentos para o ônibus, e entendi de cara o por que disso. Com as deduções de pontos que o time começava a cada temporada, desde a championship de 2011, o clube praticamente iniciava o campeonato rebaixado, e quando chegou na quarta divisão, a torcida teve que se contentar com o meio da tabela e sem muitas perspectivas.

Com o crescente apoio dos torcedores ao “Pompey Supporters Trust” e outros investimentos, o time conseguiu formar um elenco melhor este ano, chegando até a vislumbrar o acesso direto para a League One. Mas só o fato de conseguirem se classificar para os playoffs já representa muito para a torcida.

Nos últimos 10 anos, a montanha russa do Fratton Park começou com elencos memoráveis, duas finais de FA CUP (uma vencida em 2008), participação em torneios europeus e vitórias contra os melhores times do país deu lugar a rebaixamentos consecutivos e quase falência, sendo salvos por um projeto inovador dos próprios fans, a alma de qualquer grande equipe.

Estes mesmos torcedores que acompanhei em York e no jogo passado estiveram com o clube em todos esses momentos, nos melhores e piores, rebaixados ou na elite. Para essas pessoas, o Portsmouth FC é muito mais que um clube. Ele faz parte de suas vidas.

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Por Mauro Tavernard

 

Desde setembro de 2015, quando iniciei minha “saga” de jogos pela Europa, lá se vão mais de 20 partidas, como torcedor ou portando credencial de jornalista, que tive a oportunidade de assistir/trabalhar. França (Nantes e PSG), Holanda (Ajax), Escócia (Glasgow Rangers), Inglaterra (Chelsea, Liverpool…) e Irlanda (Bohemians e Shamrock Rovers) foram os países visitados até aqui. Ontem foi mais um dia de futebol no currículo, quando à noite visitei o estádio Richmond Park para acompanhar St. Patricks 0 x 4 Dudalk, pela primeira divisão do Campeonato Irlandês.

 

Marcado para às 19h45, eu como de costume deixei tudo para cima da hora, e mesmo estando livre a partir das 16hrs, saí de casa só às 18:30. Levando notebook e câmera na mochila, iniciei o longo percurso ouvindo uma playlist variada no celular, num mix de Arctic Monkeys, The Strokes e Led Zeppelin. Optei por ir pela margem do bonito rio Liffey, admirando paisagens e lugares que eu ainda não conhecia em Dublin. Entre “Starway to Heaven”, “Last Night” e “Leave Before the lights came on” berrando no fone de ouvido, vi pubs e restaurantes interessantes que me fizeram até pegar o bloquinho de anotações para marcar tais lugares para ir quando pintar uma folga.

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O percurso era longo (mais de uma hora à pé), e como neste dia eu teria que ir para a sala de imprensa, tive que ir com um tênis desconfortável, mas nada que atrapalhasse o brilho de um passeio agradável e tranquilo. O frio, que me “persegue” desde que cheguei em agosto, segue o mesmo de sempre – em torno de 3 graus, com muito vento -, mas andando a sensação térmica fica menos intensa como de costume. Até me dei ao luxo de abri o casaco.

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Me dei conta de como me sinto seguro aqui, pois no Brasil não iria nem na esquina andando com pertences valiosos. Mas Dublin é muito mais segura que cidades europeias como Paris e Londres, dentre outras. É uma das maiores qualidades da ilha. A questão não é ser ou não assaltado, mas a sensação de segurança.

 

Voltando ao trajeto, depois de quase uma hora “pernando”, o mão de vaca que vos fala, que faz tudo para não pagar cerca de R$10 só de ida no busão chegou esbaforido no estádio. Depois de entrar e cumprimentar o assessor de imprensa, sentei no setor designado aos jornalistas e durante os 30 primeiros minutos apenas acompanhei o jogo, sem nem abrir o pc. Como já tinha visto em jogos anteriores, vi muita vontade de ambos os lados, marcação forte e até que bons jogadores. Diria que os dois clubes, os melhores elencos do país, estão no nível da terceira divisão da Inglaterra, e jogariam de igual para igual no Brasileirão. O Richmond Park é pequeno, mas muito bem cuidado e a torcida deles, dos Pats, é atuante. Até Match Programme (livrinho do jogo) eles têm!

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Depois de assistir jogos em Anfield Road, Parc des Princess e White Hart Lane, só para citar alguns, nada mais parece me deslumbrar. O ponto alto foi um gol de Sérgio Aguero que vi em Upton Park (West Ham, Londres), bem atrás do gol de Adan, em que o argentino veio saudar com a torcida do City, aonde eu tava, com centimetros de distância. Mesmo assim, assisto a jogos menores com o mesmo olhar curioso, aquela vontade de ser surpreendido a qualquer hora. O nível técnico diminui drasticamente, é claro, mas mantive a seriedade e prestei atenção no bom futebol mostrado pelo Dudalk, atual campeão irlândes.

 

Bem montada, a equipe, que possui a mesma base à vários anos, jogava tão bem para os padrões locais que podia até pleitear um lugar nas ligas dos vizinhos escoceses e ingleses, assim como o galês Swansea, se para isso necessitasse apenas do mostrado em campo para isso. Nada de espetacular, porém extremamente eficiente. Me lembrei do Tottenham, time pobre em valores individuais, mas que no jogo coletivo abocanha pontos importantes. O resultado em si até que foi injusto,pois os donos da casa pressionavam a todo o instante, e não jogaram tão mal para tomar de 4. Ao todo os Pats deram 12 chutes a gol, e os visitantes apenas 5.

Segundo gol do Dudalk que consegui filmar:

 

Mesmo com placar de 3 a 0, eles fechavam os espaços do adversário, desesperado para não decepcionar os cerca de 5 mil que lotavam o estádio, usando sempre os contra-ataques como arma. Horgan livre na pequena área venceu o goleiro Clarke para fechar os 4 a 0 do Dudalk. David McMillan, Brian Gartland e novamente Horgan foram os outros marcadores da noite. O Dudalk, que ganhou com folgas o torneio ano passado, segue como grande favorito novamente para faturar o “Irlandesão” esse ano. A temporada da Irlanda não segue os padrões europeus, com partidas entre março e novembro.

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Me despedindo daquele clima de estádio “família” que tanto gosto, vi várias crianças em campo, várias gerações de torcedores que manteram viva a mémoria daquele time, daquela comunidade, por vários e vários anos, numa amostra do que o futebol tem de melhor. Imaginei levando meu filho um dia num jogo, em como ia ser bom ver ele brincando com as outras crianças no intervalo e pulando comigo na hora do gol.

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Na coletiva de imprensa, tive a dura missão de entrevistar o técnico Liam Buckley, visivelmente esgotado após ver seu time levar uma surra tática e no placar do líder Dudalk. Falei minha opinião sobre o futebol da Irlanda, que os jogadores eram muito fortes e intensos dentro de campo, e ele concordou. “Somos sempre assim (combativos). Os clubes daqui jogam dessa forma”, disse. Sua esposa já o esperava para leva-lo para casa,mas ainda consegui fazer uma última pergunta.

Disse que fiquei surpreso com o bom nível técnico do campeonato, que eram bons times, e que Pat’s e Dudalk eram os melhores do campeonato. “A diferença entre nós e o Dudalk é o tempo. Eles estão com a base formada há mais tempo, e nós formamos o time recentemente”, finalizou Buckley.

 

Me despedi dos jornalistas, que mais uma vez me receberam muito bem, e fiz o mesmo caminho da ida na volta para casa. Desta vez sem (boa) música, pois minha bateria havia acabado, o que tornou o trajeto bem menos agradável. Meus pés foram castigados pelo solado irregular, mas cheguei em casa feliz após mais um dia de futebol.

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Ficha da Partida:

St Pat’s Ath – Clarke; O’Brien, D Dennehy, McEleney, Bermingham; Treacy (Verdon 76), Cawley; Timlin, Kelly (Byrne 67), B Dennehy; Fagan (Corcoran h-t).

Dundalk – Rogers; Gannon, Gartland, Boyle, Massey; Shields, O’Donnell; Mountney, Horgan (Meenan 83), Finn (Benson 76); Kilduff (McMillan 62).

Local: Richmond Park (Dublin-Irlanda)

Público: 5 mil pessoas

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É, meus amigos, só resta uma certeza, é preciso acabar com essa tristeza, é preciso inventar de novo o amor. Tomei emprestado os versos do “poetinha” Vinicius de Moraes para cantar meu amor infinito pelo Re x Pa. Em tempos de desilusões políticas e crise moral de um país em chamas, meu coração dilacerado grita por um partido: o Partido Nostalgia Futebol Clube. E o PNFC fundado por mim neste 04/03/2016 só tem como interesse o auto – deleite, proporcionado pelas lembranças do passado. Ás vésperas do Re x Pa que vai decidir o primeiro turno, quero reinventar o clássico mais disputado do mundo. Quero inventar de novo o meu amor por esse jogo.

Me lembro benzinho quando eu, com meus 8 anos de idade, tinha como diversão tentar adivinhar o time do coração dos ouvintes que ligavam para participar dos programas de rádio. Quando se é criança, o mundo se divide entre bons e maus, entre príncipes e vilões. Pois bem. A menina, que hoje vos escreve, tinha essa boba mania de rotular as pessoas de acordo com o time para o qual eles torcem. Se o ouvinte tinha voz de vovô malvado, ranzinza, ele torcia para o time X, mas o outro, ah, o outro tinha voz do vovô Gepeto, doce, carinhoso, engraçado, só podia ser do time XY!! E o pior, amigos, é que a menina quase sempre acertava.

O tempo passou e fui aprendendo que Remo e Paysandu possuem bandidos e mocinhos, dentro e fora de campo. A maior prova disso é que tive heróis dos 2 lados. Sim, dos 2 lados. Porque depois de virar profissional, o Re x Pa pra mim virou o maior palco das emoções humanas. Minha fantasia predileta, o jogo no qual o meu cavalo só fala inglês e eu sou sempre a noiva do cowboy. Quando meu time ganha ou perde, eu sempre arrumo um jeito de ser feliz. Seja vendo um jogador desacreditado cair nas graças de uma torcida ou confirmando uma previsão que eu fiz, o Re x Pa sempre me traz um coelho escondido na cartola azul. Pura magia.

Em 1992, um certo “Nego Bala” fez meu coração parar ao marcar o gol da vitória contra o Remo. Levei intermináveis segundos para a ficha cair, desde aquele chute, do meio de campo, até o gol defendido por Paulo Vítor. ( confira o gol no vídeo abaixo)

Sete anos depois, em 1999, vivi o outro lado, ao comemorar o gol de Aílton, que deu o título paraense daquele ano ao Remo. No início do Parazão, eu tinha acabado de perder minha filhinha, em um acidente de carro. Voltei a trabalhar juntando forças sabe Deus de onde, ou melhor, Dele mesmo. Aílton tinha acabado de ser contratado pelo Remo e teve que operar o joelho. Fui fazer a matéria com ele, ainda no hospital, e um misto de sentimentos me assombrou o vendo tão desanimado. Foi aí que um anjo, desses que vez em quando vêm passear por aqui, me soprou no ouvido: “ele vai fazer o gol do título no final do ano!” Afirmei com todas as letras que isso ia acontecer ao Aílton e ele, claro, fez pouco caso da repórter dublê de vidente. No último jogo do campeonato, minha profecia se fez realidade e Aílton guarda até hoje, emoldurada,  a minha crônica publicada no jornal do dia, antecipando o gol anunciado. (confira o gol e entrevista com ele, falando sobre esse jogo, no vídeo abaixo)

No Re x Pa desse domingo, não faço a menor ideia de que forma vou inventar de novo o amor pelo clássico e ser feliz. Pode ser vendo o Paysandu, um time campeão na administração, voltar a erguer um troféu de turno, o que não acontece desde aquele 3 x 3, em 2014, com gol do Zé Antônio e a invasão do “bodinho” no final. Ou pode ser vendo o Remo confirmar uma certeza minha, a de que existe um Deus misterioso que paira no Mangueirão e faz os jogadores azulinos incorporarem deuses da raça quando avistam a camisa listrada pela frente. O herói pode ser Augusto Recife, o estreante Potita, Eduardo Ramos, Marcelo Costa, Ciro, Cearense… Pode ser ainda um reserva, pra manter viva uma já tradição do clássico. Não importa. A certeza e que, assim como em todos os outros Re x Pa, eu vou ser a diretora do meu  próprio filme e ter mais uma deliciosa história pra contar. Do meu jeito, com a minha cara.

No mundo de hoje, achatado pela chatice da polarização e intolerância, não sou Lula, muito menos Bolsonaro. Torço de verdade é por seres humanos que vão de heróis a vilões e vilões a heróis em um lance. Sou Re x Pa. Sou amor.

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  • Por Mauro Tavernard

Robin Hood, aquele que roubava dos ricos e dava para os pobres, vivia, reza a lenda, em Nottingham (ING) no tempo das cruzadas, e na floresta de Sherwood fazia suas estripulias contra os poderosos, e ate hoje é celebrado pelos ingleses como um herói. Quase todo o turismo e atrações dessa cidade remetem a ele, mas não foi isso que me levou a pegar um ônibus de mais de três horas partindo de Manchester, e sim o Nottigham Forest FC, um dos clubes mais tradicionais da Inglaterra. Com 150 anos de existência, a equipe tem muitas histórias para contar, muitos títulos e, assim como os bicolores, também disputam atualmente a segunda divisão. Na década de 70 e 80, a equipe tornou-se mundialmente conhecida por, sob o domínio do treinador Brian Clough, conquistar, dentre outros títulos, duas ligas dos campeões (79 e 80), um mundial (80), uma supercopa europeia (79) e um campeonato inglês (78).  article-2225258-15C2B9F4000005DC-299_634x421

Sport, Football, England, 1980, Nottingham Forest manager Brian Clough with the European Cup trophy (Photo by Bob Thomas/Getty Images)

No lado do Paysandu também existem grandes conquistas, principalmente no inicio dos anos 2000, como uma Copa dos Campeões, duas Serie B, primeiro lugar na chave da Libertadores e, claro, a vitória sobre o Boca em La Bombonera. Isso sem falar nas “peias” que dava em cima de várias grandes equipes no período de 2002 a 2005, quando disputou a Serie A pela ultima vez. Evidente que a comparação não pode ser levada ao pé da letra, pois são realidades completamente diferentes as de um time brasileiro e equipe inglesa, mas as semelhanças devem ser ressaltadas. Como ambos os times possuírem sedes longe dos grandes centros, e lutarem “contra tudo e contra todos” nos períodos de grandes conquistas, com a grande mídia quase sempre favorecendo outros clubes.

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O memorável time composto por Robgol, Ronaldo, Vandick e muitos outros que passaram pela Curuzú há pouco mais de uma década fez historia, com a fiel bicolor lotando quase todos os jogos numa festa inesquecível para seus torcedores. Lembro quando fui assistir ao jogo contra o São Paulo pelo Brasileirão 2003 e ate hoje me lembro da magnifica atuação do time, que fez 5 a 2 com uma autoridade impressionante. Robgol deixou Rogerio Ceni no chão por 3 oportunidades naquela noite, só para citar um dos muitos jogos marcantes.

E isso tudo sendo da região Norte, ha muitos km de distancia de RJ e SP, fazendo o restante das equipes da Serie A serem obrigadas a realizarem longos deslocamentos só para enfrentar os paraenses em Belém. Claro que esse sucesso todo de um time nortista não agradava aos “poderosos”, e cansei de ver nesse período o time sofrer com erros absurdos da arbitragem em vários jogos, que dão margem a diversas especulações, e mesmo assim mantendo-se entre os melhores. “Vi em vários jogos da Serie A que ‘metiam a mão’ em nos (PSC), mas aquele elenco era fantástico, praticamente imbatível no Mangueirão”, relembra o torcedor Caio Nogueira.

Com o Forest a situação é parecida. Ouvi vários relatos de torcedores afirmando que “eles (grandes clubes, dirigentes da FA) sempre foram contra nós”, como disse (o ainda) indignado torcedor Michael Shrol, fan do Forest por mais de quatro décadas. “Fomos para o céu (Champions League), depois fomos para o inferno (divisões menores) e agora estamos no purgatório (período atual)”, exagera Shrol. Dentro de campo, no bonito City Ground praticamente lotado (30.000), vi um time muito ruim jogando, no assento mais próximo possível do gramado. A torcida aflita viu o modesto Bristol City, que luta contra o rebaixamento, fazer dois a um, e praticamente sepultar as chances do time da casa na classificação para os playoffs da Premier League.

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Mas a equipe vem com um plano de reestruturação para a temporada seguinte, quando planejam de fato voltar a primeira divisão. Em 2013, o clube foi comprado por Fawaz Al-Hasawi, que começou a investir pesado no clube. “Acreditamos (torcedores) num futuro melhor, com investimentos, para a volta das grandes conquistas em breve”, acredita Deny Long, torcedor que não acompanhou o período glorioso da Champions League. “Não tinha nem nascido naquela época, mas espero ver isso o quanto antes novamente!”, acredita. Logo que chegou a Nottingham, Fawaz prometeu “um Forest grande para as novas gerações”, e mesmo com os resultados não vindo, conta com o apoio da maioria da torcida.

Confiantes no futuro também estão os bicolores, principalmente com a administração “pé no chão” do presidente Alberto Maia, que investe pesado no marketing e na captação de recursos para o clube. Ano passado a equipe bateu na trave na Série B, não se classificando para a primeirona com uma diferença mínima de pontos para o quarto colocado.  “Estamos dando continuidade a um trabalho muito difícil, que é de forma responsável conduzir o Paysandu Sport Club, cumprindo com as obrigações que são inerentes a uma gestão responsável, e que ressalto, são poucos clubes no futebol brasileiro que estão cumprindo com essas obrigações” disse Maia ao site oficial do clube.

Voltando ao City Ground, a impaciente torcida, que frequentemente gritava “the team plays like a shit (o time está uma m*)”, saiu indiferente do estádio, e até aplaudiu os jogadores, estes tão criticados durante os 90 minutos. O Forest está literalmente no meio da tabela, com 13 pontos do sexto colocado e hoje classificado para os playoffs da Championship Sheffield Wednesday, e 13 pontos acima do primeiro time da zona de rebaixamento, Roterham. Sempre que perguntava qual o melhor jogador do elenco para os torcedores, a reposta demorava a sair, por que de fato a atual equipe é bem limitada, e conta com o goleiro De Vries e do zagueiro Matt Mills como maiores expoentes.

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Enquanto a temporada inglesa chega perto do fim, o calendário dos bicolores só está começando, com Parazão, Copa Verde, Copa do Brasil e Série B. Dado Cavalcante e seus comandados terão muito trabalho para dar conta de tantos jogos, com o objetivo principal de ficar entre os quatro da segundona ainda este ano.

Saindo do estádio do Nottingham Forest, tive a entrada gentilmente cedida na área de imprensa do clube, e consegui bater fotos com os jogadores Hills e Cohen com a camisa do Paysandu, e ainda achei o atacante Charles, do Bristol City, que tentou dizer em bom “gringuês”, “Paysandu Campeão dos Campeões (no final do vídeo completo abaixo, após a matéria)”. Bati também fotos com um grupo de torcedores mirins que ficaram encantados com a beleza da vestimenta alvi-celeste.

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No caminho do hotel, admirei o City Ground de longe, na ponte que corta o rio Trent, e me perguntei como este clube, que fica literalmente “no meio do nada” (cidade tem apenas 160 mil habitantes), longe dos grandes polos industriais e econômicos do país, conseguiu tantos feitos importantes, e até hoje consegue levar mais de 25 mil torcedores por partida, faça chuva ou faça chuva (São Pedro não perdoa a Inglaterra nesse sentido).

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Me lembrei do Paysandu, em como fui privilegiado de acompanhar dentro do estádio vários jogos no Mangueirão e Curuzú, no talvez melhor período da história da agremiação. O Mangueirão tremendo, parecendo que ia desabar, ainda permanece vivo na minha memória, com a Fiel frequentemente apoiando time mesmo em situações não tão gloriosas. Quando fui na Argentina, me espantei com o numero de “hermanos” que conheciam os bicolores, e o mesmo se repete com os brasileiros aqui na europa.

Dificil mesmo não reconhecer um time com tantos bons jogadores em sua história, capaz de até hoje ser lembrado por Milton Neves quase todos os domingos no Terceiro Tempo da Band, e os jogos do clube ser parada obrigatória para quase todo turista, que gosta de futebol, ao visitar a capital paraense. Assim como o Nottigham Forest é um dos ícones da cultura local ao lado de Robin Hood, o Paysandu também pode ser considerado um dos patrimônios da cidade de Belém, ao lado das comidas típicas e da rica cultura Papa-xibé. PSC e o rival local possuem as torcidas mais apaixonadas e fieis do Brasil, e posso dizer por experiência própria, por ter acompanhado várias partidas pelo Brasil e exterior, que até hoje vi poucas mais fanáticas dentro de um estádio.

Mas é claro que equipes como Forest e Paysandu, que foram para o ponto máximo de suas forças, os períodos de baixa ou “purgatório”, como disse o torcedor inglês, podem ser muito mais dolorosos do que para aficionados de equipes que nunca sentiram esse gostinho antes. E no imaginário de bretões e paraenses, a esperança da volta para o topo nunca vai cessar, até ser concretizada de fato. E se depender da “fome” da atual diretoria bicolor, essa espera não será de mais de 30 anos, como em Notingham.

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